28 de jun de 2011

CUSTO OU LUCRO BRASIL?

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Pesquisa prá lá de interessante realizada pelo banco inglês Morgan Stanley revelou um dado importante e pouco comentado: a margem de lucro no Brasil.

Adam Jonas, responsável pela pesquisa, afirmou que a margem de lucro das montadoras no Brasil, por exemplo, é 3 vezes maior que a de outros países.

Citou um exemplo.

Calculou a margem de lucro adicional no Honda City LX, produzido no interior de São Paulo, quando exportado para o México. Alcançou a importância de R$ 15,5 mil de lucro extra para a montadora Honda do Brasil. Sem contar que no veículo exportado há alguns ítens de série adicionais.

O que disse a Honda sobre isso ao ser consultada? “Não fala sobre o assunto”, foi a resposta.

É comum a grande imprensa e os órgãos patronais dizerem que a carga tributária e o alto custo da mão de obra no Brasil são impeditivos. É um discurso antigo que pretende retirar custos apenas do governo e dos trabalhadores.

Outro exemplo, sempre falando de automóveis, parte importante na construção do PIB brasileiro:
De 1997 para cá, os critérios de taxação sobre veículos foi alterado. O carro popular 1.0 teve acréscimo de 0,9 ponto percentual na composição do imposto a pagar mas, nas demais categorias, o imposto diminuiu. Um carro não popular a gasolina paga, em média 4,4 pontos percentuais a menos; no segmento luxo, o imposto caiu 0,5 ponto no carro a gasolina e 1 ponto no modelo à álcool/flex.

Ainda, durante a crise financeira mundial, o governo brasileiro retirou carga substancial de impostos sobre carros 1.0, entre dezembro de 2008 e abril de 2010, mas grande parte deste desconto não foi repassado para o consumidor final, aumentando o bolso já gordo das montadoras estrangeiras no Brasil.

Como sempre acontece, a choradeira maior é de quem pode mais. A eles é dada a voz que o trabalhador não tem. É fácil querer retirar dos outros para aumentar as vendas – e as margens de lucro – enquanto se está pensando só no próprio umbigo.

Para entender melhor, façamos um raciocínio simples e lógico: quando foi criada a CPMF, no governo tucano, os empresários gritaram e aumentaram preços, repassando para o consumidor esta carga adicional. Entretanto, quando foi retirada a mesma CPMF, já no governo Lula, você, caro leitor, viu, soube, ou ouviu falar de algum produto que teve seu preço reduzido pela diminuição do imposto?

Não?
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26 de jun de 2011

CRÔNICA DA TRAIÇÃO NA FAVELA

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 Diz que Seu Fernando andou se engraçando com Dona Miriam no tempo em que ele ainda nem era secretário da Associação de Moradores do Morro da Realeza, no subúrbio. Era bastante conhecido, na época, bem casado e pai zeloso de três filhos. Um exemplo de bom marido na comunidade.

Ao se ver embuchada, Dona Miriam correu para o patrão. Pediu ajuda, ameaçou. Seu Roberto, dono do jornal do bairro, se enfureceu. Ele não queria que ela abrisse o bico; devia favores a Seu Fernando e chamou Dona Miriam para um conversório no particular. O encontro foi no barraco de Seu Itamar, presidente da Associação.

Vizinhança ouviu gritos e xingamentos, depois, o choro de uma mulher. Lá pelas tantas, Dona Miriam foi vista saindo do barraco com uma pequena mala, pouca coisa. Nunca mais apareceu por aquelas bandas, foi embora sem nem levar o jogo de sofá que havia acabo de comprar à prazo.

Seu Fernando ligou para compadre Roberto, que atendeu em sua pequena sala, ao lado da pilha de papel jornal. Espaço apertado, não podia falar como queria. Havia mais gente na redação e estavam fechando a edição semanal.

- Fica calmo, tudo vai dar certo. Daqui não sai nada. Cuida pra teu povo se calar também.

Recado dado. Seu Fernando sentiu alívio. Podia confiar. Desceu o morro e foi beber com os amigos. Ficaram no pagode até de manhã, quando a luz do sol bateu no beco de entrada da favela. Seu Fernando subiu para casa.

No cômodo das crianças, entrou em silêncio. Passou a mão no cabelo de Bia e de Lu, suas filhas, que dividiam o mesmo colchão; parou para olhar o rosto de Paulo Henrique, seu filho, que dormia profundamente no colchonete, no chão. Por um instante, quase chorou. Conteve a lágrima e saiu sem fazer barulho.
 
- Já acordada, Rutinha? Vê se dorme, mulher. – disse para a esposa que abria os olhos.
- Vou levantar. Tenho roupa pra lavar! – ela respondeu, bocejando.

Depois de ter sido secretário de Seu Itamar, Fernando acabou conquistando a cadeira de Presidente da Associação. Foi uma festa grande, com muita cerveja, muitos amigos, muita badalação; ele sempre soube que teria esse cargo, fazia por merecer. Tinha trazido luz elétrica para o Morro da Realeza através de um amigo vereador. Seu Roberto ajudou muito fazendo propaganda em seu jornal.

Assim foi que Seu Fernando ficou famoso. Até reformou o barraco que vivia e mandou os filhos estudarem em colégio do centro da cidade. Rutinha, que não gostava de aparecer, era quem preparava os discursos do marido quando ele, lá do alto do Morro, falava para a comunidade.

O tempo foi passando.
De vez em quando, um recado do compadre Roberto o deixava nervoso. Era sempre a mesma coisa. Dizia que o açougue e a lavadeira cancelaram a propaganda no jornal do bairro, que estava passando necessidade e mal dava pra pagar o papel e a tinta. Lá ia Seu Fernando mandar algum anúncio da Associação, nem que fosse apenas para dizer que no dia da Padroeira do Morro da Realeza a Associação faria uma macarronada coletiva para todos os moradores. Ficava incomodado com a situação, mas sempre cedia.

Uma noite, poucos dias antes de morrer, seu Roberto quis que seu compadre conhecesse o filho de Dona Miriam. Foram de ônibus por mais de 200 km até chegar num vilarejo onde Dona Miriam vivia. Era um casebre simples, mas não faltava nada nem a ela, nem a Tomás, o filho deles.

Depois da morte de Rutinha, Seu Fernando se entristeceu. Já não era mais tão importante na comunidade; seus filhos estavam crescidos e seus amigos, muitos deles, o haviam esquecido. A comunidade do Morro da Realeza, agora, vivia tempos de mais prosperidade; o novo presidente trouxera água e asfalto; até um posto de saúde havia sido construído por lá. Seu Fernando sentia-se velho e abandonado; pouca gente costuma ficar no alto do Morro para ouvir seus discursos.

Foi atrás de Tomás quando o garoto se formou no colégio. Dona Miriam ficou feliz. Decidiu assumir o menino; queria, de novo, ser chamado de papai. Contou para todo mundo da favela que tinha um filho. Disse que não tinha contado antes para não magoar Rutinha. Já não fazia muita diferença na comunidade o que ele tinha a dizer.


Os filhos de Seu Fernando não gostaram da notícia. A casa de três cômodos que eles moravam teria mais um dono. A TV de 32 polegadas e a geladeira duplex era só deles.

Ameaçaram ir ao programa do Ratinho pedir exame de DNA. Seu Fernando não gostou. Seus poucos amigos deram conselhos; era melhor fazer o tal exame para que Dona Miriam não ficasse mal vista. Ele concordou. Foi ao posto de saúde. Marcaram para apanhar o resultado em quinze dias.

Chovia na tarde em que Seu Fernando sentou na parte mais alta do morro. De lá, podia ver o tamanho da comunidade e a quantidade de novos barracos que chegaram com o progresso. A cobertura sobre sua cabeça deixava gotas de água molharem seu parco cabelo. Ele lembrou de Rutinha e dos discursos que ela escrevia quando ele subia para falar para seu povo. Era um tempo bom, quando seus amigos o admiravam e ele era querido.

Rasgou o envelope que acabara de buscar no posto de saúde. De dentro, retirou um papel. Havia muita coisa escrita; esfregou os olhos e colocou os óculos para começar a ler. A chuva quase molhou o papel, mas ele se inclinou para apanhar a luz que vinha do poste acima dele e desviou da água. Sentiu um nó na garganta e vontade de chorar. O papel dizia que Tomás não era seu filho.

Levantou dali e, silenciosamente, a passos lentos, foi descendo os degraus que o levariam para casa. Precisava beber aquela cachaça que estava escondida na penteadeira.

Ouviu um grito vindo da casa de Dona Joana, a faxineira do Posto de Saúde. Virou-se para olhar e viu a boca desdentada dela, que sorria, e dizia sem bem alto e sem parar:

- Olha o corno, gente, olha o corno ali!

Todo mundo na comunidade riu dele. A cada degrau que descia, mais vozes repetiam o que Dona Joana acabara de dizer. Velhos e crianças que ali estavam também riam dele, apontavam o dedo enquanto ele passava. Até que ele entrou em seu barraco de três cômodos e bateu a porta.

Seu Fernando precisava ficar só.

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18 de jun de 2011

A desonestidade de parte da elite intelectual.

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 A QUEM PERTENCE A DEMOCRACIA

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A julgar pelos comentários de alguns personagens da ciência política, o dono da DEMOCRACIA é o ex-presidente FHC, o nefasto!

Instalados à direita, certos pensadores parecem ter perdido a memória. A recente História do Brasil produziu, nos últimos 30 anos, momentos conturbados na vida política. Entretanto, os nomes citados abaixo querem nos fazer acreditar que seu guru máximo foi um estadista.

José Arthur Gianotti disse que FHC deixou um legado indiscutível.
José Augusto Guilhon de Albuquerque disse que FHC trouxe para a política a elite intelectual.
Celso Roma disse que as críticas ao governo FHC são retórica.
Marco Antonio Villa disse que FHC produziu um legado que só está sendo redescoberto agora.
Leôncio Martins Rodrigues disse que FHC conseguia aglutinar e organizar os colegas e, ainda, que fez uma coisa extraordinária ao dar posse a Lula, seu grande rival político.
José Álvaro Moysés disse que FHC é responsável pela recuperação da dignidade da política na forma aberta e tolerante com adversários.

Enfim, entre os amigos sociólogos, historiadores e cientistas políticos, a afirmação é de que FHC, o nefasto, criou a moeda forte (Plano Real) e a Democracia.

Vamos lá, cavalheiros da elite intelectual brasileira. Vamos à biblioteca reler um pouco da História do Brasil pós ditadura. Procurem pelas DIRETAS JÁ e encontrarão centenas de nomes que organizaram um dos maiores movimentos populares do século XX. Ulysses Guimarães, o símbolo das diretas, talvez tenha sido o ícone da luta para instalação de eleições livres. Entre eles, Dante de Oliveira, Tancredo Neves, Orestes Quércia, Luis Inácio Lula da Silva, Mario Covas, Franco Montoro, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Eduardo Suplicy, José Genoino ... e tantos outros que nunca se disseram donos da Democracia.

Aliás, o nefasto FHC é uma das figuras mais apagadas do movimento contra a ditadura militar. No pior momento dos anos de chumbo, ele esteve exilado no Chile e na França, onde mergulhou na vida acadêmica. Saiu dos bastidores apenas em 1978, quando o General João Batista Figueiredo estava no poder e iniciava o processo de abertura política.

Continuem a busca, nobres representantes da elite intelectual comprometida com o atraso. Leiam como FHC foi eleito Senador nas costas de Mário Covas e passem a ler sobre o período em que o nefasto, presidiu o Brasil. Para facilitar-lhes o trabalho, foi de 1995 a 2002.

Teve como vice a figura de Marco Maciel – Governador biônico de Pernambuco, presidente da Câmara dos Deputados no período do General Ernesto Geisel, presidente da Petrobras no governo do General Emilio Médici, Ministro da Cultura e Chefe da Casa Civil de José Sarney.

Em seu primeiro mandato, foi aliado de Antonio Carlos Magalhães, José Sarney – que hoje é apontado pelos tucanos com corrupto, ao estar do lado do PT – Luiz Otávio, José Roberto Arruda, Jorge Bornhausen, Agripino Maia, Ronaldo Caiado, e tantos outros pouco amantes da Democracia.

Caso não lembrem, foi o nefasto FHC quem criou a emenda para sua reeleição, sob acusação de compra de votos; foi quem inventou o PROER – programa de ajuda financeira a bancos; quem superdesvalorizou a moeda logo após assumir o segundo mandato; quem trouxe para o governo parte da intelectualidade mas deixou de fora os movimentos sindicais e sociais; quem foi acusado pelo jornal alemão Der Spiegel de receber 200 milhões de dólares de propina para a concessão da Usina Hidrelétrica de Itá ... quem arquivou dezenas de pedidos de abertura de CPI por corrupção em seu governo.

Lembram-se do dia 26 de Agosto de 1999, data conhecida como a MARCHA DOS CEM MIL? A manifestação de milhares de pessoas em Brasília protestando contra a corrupção que uniu todos os partidos de esquerda e Sindicatos?

Podem elogiar FHC por sua produção literária.
Mas é desonesto colocá-lo na lista de democratas só por ter passado a faixa presidencial ao vencedor das eleições de 2002, Luis Inácio Lula da Silva, ou por ter mantido a estabilidade econômica do Brasil. Todos nós sabemos o custo da manutenção do Real como moeda estável; conhecemos os caminhos neoliberais escolhidos pela turma do Consenso de Washington; a Nação brasileira foi terrivelmente prejudicada pelas privatizações irresponsáveis planejadas e executadas pelos amiguinhos de FHC e a sangria deliberada do patrimônio brasileiro resultado desta farra desmedida.

O hoje octagenário e nefasto FHC já tem seu lugar reservado na História do Brasil. Ao lado dos menos democratas, na galeria dos medíocres que mantiveram o país no atraso social.

Felizmente, esta era já acabou!

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15 de jun de 2011

RISCO BRASIL EM QUEDA LIVRE.

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O Ministro da Economia, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira que a taxa de risco do Brasil é menor que a dos Estados Unidos. Pela primeira vez!

Investidores estrangeiros avaliam o risco à partir do CDS  Credit Defalut Swaps – uma espécie de seguro contra o risco de devedores não pagarem suas dívidas. O CDS brasileiro fechou 2010 em 41,2 pontos, enquanto norteamericano, em 49,7.

No capitalismo, o risco do investimento é a alma do negócio. Quanto menor, mais rentável é o retorno. O desempenho e a administração de nossa economia, nos últimos anos, tem mostrado a capacidade deste governo de manter nossas contas equilibradas, proporcionando crescimento econômico e confiabilidade.

Não é à toa que nossa economia segue crescendo, apesar dos problemas vindos de fora. As crises na Europa parecem afetar muito pouco nosso país; o projeto de inclusão interna, trazendo para o mercado consumidor milhões de brasileiros, marca do governo Lula do PT, mostra que a escolha está correta.

O “segredo” da distribuição de renda e geração de emprego está fortalecendo o Brasil. A Presidenta Dilma Rousseff, atenta à sociedade, mantém e amplia os projetos do governo anterior, na linha do crescimento interno. Apesar do mau agouro da turminha do contra – imprensa aliada à direita conservadora.

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10 de jun de 2011

Sobre Cesare BATTISTI.

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A DERROTA DA MIDIA
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Se, na postagem abaixo, à respeito de Antonio Palocci, a midia brasileira comemorou vitória, desta vez esta mesma imprensa chora uma derrota.

Grande parte do jornalismo brasileiro comprometido com o atraso atacou a decisão do Supremo Tribunal Federal, que libertou o ativista italiano Cesare Battisti. As considerações dos Ministros que votaram à favor da liberdade, e venceram pelo placar de 6X3, foram claras: o governo italiano não pode interferir na alta corte para rever uma determinação do Presidente da República.

Parece bastante óbvio. Como bem explanou o Ministro Joaquim Barbosa, apreciar o pedido de anulação do decreto presidencial seria como, numa comparação com o asilo concedido pela Embaixada Brasileira em Honduras, quando do golpe militar daquele país, ao Presidente deposto, Manuel Zelaya, que algum país latinoamericano entrasse com pedido de revisão do asilo junto ao STF, na esperança de impugnar a medida.


Ficou claro, portanto, que a soberania do governo brasileiro deve ser respeitada. Seja pela Itália, Honduras, ou qualquer país que decida se intrometer em nossos assuntos internos. O STF, em vista da decisão por maioria, expediu o mandato de soltura de Battisti, que ganhou a liberdade logo após o encerramento da sessão.

O lado cômico da história foi a repercussão que a midia derrotada deu ao resultado.

Continuam a tratá-lo como terrorista e demostram um rancor incabível, mesmo diante da decisão da alta corte. Pode se esperar que continuem os ataques ao ativista que, mesmo em liberdade, deve continuar a ser perseguido.

Este blogueiro sujo teve a oportunidade de assistir, ao vivo, trechos do julgamento através da TV Justiça. Vi e ouvi as considerações dos advogados de defesa, que pareceram bastante convincentes em seus argumentos. Vi e ouvi a exposição do ministro Gilmar Mendes e, também, de Cesar Peluso (não acompanhei Elen Grace), e seus olhares fulminantes aos demais colegas demonstravam a iminente derrota de suas posições. Tanto Mendes quanto Peluso, cada um a sua vez, discorreram sobre a necessidade de o Presidente da República ter seus atos julgados - o que é prerrogativa do Judiciário - mas não levaram em conta o pedido feito por nação estrangeira, o que é completamente diferente.

Fica, aqui, o registro do histórico momento da libertação de Cesare Battisti pelo STF.

Uma vitória da democracia e dos direitos individuais. Há que se reconhecer a atitude dos 6 Ministros que votaram à favor da verdade.

Apesar da midia.

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7 de jun de 2011

Sobre Antonio PALOCCI.

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A VITÓRIA DA MIDIA

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Bombardeio diário em todos os jornais e TVs ligadas à direita.

O alvo: um possivel candidato ao governo do estado de São Paulo em 2014 e, posteriormente, ao cargo de Presidente da República em 2018.

Antonio Palocci já foi vítima desta armação midiática no primeiro mandato de Lula. Foi derrubado por ter supostamente quebrado o sigilo bancário de um caseiro. Agora, através da quebra de seu sigilo fiscal – provavelmente feito pela Prefeitura de São Paulo, cujos dados sobre seu faturamento geraram Imposto Sobre Serviços (ISS) - cai outra vez.

O erro de Palocci está em ceder à pressão da parte da imprensa comprometida com o projeto neoliberal que manteve o Brasil no atraso. Renuncia ao cargo de Chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff por não suportar as acusações.

De certa forma, assume o crime. É como se estivesse confessando ter praticado malfeitos.

De nada adiantou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ter arquivado todos os pedidos de abertura de processo contra o Ministro da Casa Civil, alegando falta de provas, falta de indícios concretos da prática de crime.

Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio prestando, segundo ele próprio disse, consultoria privada. Não há qualquer relação de seus ganhos com o dinheiro público; empresas pagaram por seu trabalho e ele declarou seus ganhos e recolheu os impostos. Onde está o crime? Onde está a falta de ética?

Palocci mostrou-se fraco! Deveria ter resistido e assumido o bombardeio. A desculpa que sua permanência enfraqueceria a Presidenta Dilma não serve; ela se enfraquece ao ter que mudar seu quadro de colaboradores antes de seis meses de mandato, e permite que se cole na imagem de seu Ministro a fama de corrupto.

Parte do Partido dos Trabalhadores colocou-se à favor da demissão de Palocci. Entre outros, deputados da bancada paulista do PT divulgaram posições contrárias à permanência do Ministro no governo federal.

Medo de competição em 2014?

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6 de jun de 2011

CQC EM PÂNICO - humorismo covarde.

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O texto abaixo é de autoria de Ruy Castro, publicado no blog de Marcelo Tas como comentário.
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Eu me encontrei por acaso com Marcelo Tas semanas após a badalada estreia do CQC, há uns três anos. Na despedida, brinquei: diante do sucesso, cuidado para não entrar em pânico. Ele não gostou da piada.
Talvez porque ele fosse o alvo da brincadeira, talvez por não gostar da ironia alheia. Tanto faz, é a mesma coisa. O fato é que o trocadilho era bom. E se mostrou muito pertinente.

Logo de cara, não me deixei levar pelo entusiasmo dos que viam no programa da Band um exemplo de juventude e inteligência a serviço do humor e do jornalismo.

Primeiro, porque nem as duas primeiras nem os dois últimos costumam se misturar. Segundo, porque nada disso prospera na TV. Foi questão de tempo para que a máscara caísse.
Não a máscara de palhaço, porque esse nobre papel a notória vaidade dos integrantes do programa jamais permitiria assumir. Eles não estão lá para divertir ninguém, mas para se divertirem. Custe o que custar.
Parafraseando Ferreira Gullar, o humorismo não foi feito para humilhar ninguém. Eu, particularmente, não vejo graça em pessoas serem expostas ao ridículo. Fico indignado, apenas.

E o CQC repete esse truque à exaustão. É sempre a mesma piada, com os mesmos personagens, semana após semana. Um porre, portanto. Há quem viva bêbado, e os que gostem de se sentir assim, bem sei. Ainda mais se as vítimas dessa embriaguez forem pessoas poderosas. Já que políticos nos ferram tanto, eles que se ferrem também. Poderia até ser, mas não é o caso.

Seria, se esses paladinos do humor brasileiro realmente enfrentassem os corruptos, os demagogos e os canalhas. Mas não. Tirando raríssimas exceções, quem vai para o cadafalso são insignificantes figuras do terceiro escalão das mazelas deste país.

Funcionários públicos de carreira, prefeitos de cidadezinhas, assessores e aspones, sub-celebridades que merecem mais piedade que desprezo. É essa a fauna que alimenta o apetite do programa em parecer inovador e corajoso.

Lamento, mas acho que o humorismo que eles fazem é covarde. E o jornalismo é de tocaia. Induções a erro, armadilhas. Caçadores de cabeça, quase mercenários.

Sintomática é a profusão de merchandisings. Todos muito bem feitos, criativos, dinâmicos. Diria até que é o que há de mais ousado. Talvez saibam fazer dinheiro mais do que provocar risadas.
Ok, normal. Hoje em dia, todo mundo quer ganhar uns trocados. Milhões de trocados, de preferência. Ainda mais tirando uma da cara dos outros.

A edição, não há dúvidas, é o que dá sustentação ao programa. Moderna, ágil, esperta. Aqueles narizes de Pinóquio, as bochechas vermelhas, as marteladas na cabeça, quase sempre são esses efeitos gráficos que nos levam a esboçar algum sorriso.

Mas esses recursos de pastelão são também essencialmente desonestos. O entrevistado não tem como se defender. Pode estar falando algo digno, mas que sucumbirá a uma torta na cara. E as piadas, convenhamos, são tristes. Alguns exemplos:

“Será que o Lula, como pai solteiro do PAC, vai molhar a chupetinha numa pinga pra relaxar a criança?”
“É aqui a reunião da máfia? “, perguntam a um parlamentar, na porta da festa de aniversário de José Dirceu, que “deu o primeiro pedaço de seu bolo de aniversário a Belzebu.”
“Cid Moreira é um dinossauro vivo da TV brasileira.”
“Ronaldo Ésper incendeia a rosca”.
Ao vivo, o jogador santista Paulo Henrique Ganso não confirma sua ida ao Corinthians antes da transferência para a Europa. Um dos moços da bancada diz, soberano:
“É como se falassem para o príncipe William: Tudo bem, você pode casar com a gostosa da Kate, mas primeiro tem que dormir seis meses com a Regina Casé”. Não é hilariante chamar uma mulher de feia?
Numa festa, o “repórter” fica esculachando anônimos alcoolizados. Quando chega a Andrea Beltrão, lambe a atriz como se fosse um fã. Diante do ator Paulo Cesar Pereio, fica miudinho. Quanta rebeldia, né?
Não é justo esquecer as pérolas que Danilo Gentili e Rafinha Bastos desovaram em seus respectivos twitteres. São perversidades antológicas:
“Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um metrô, foram parar em Auschwitz”.
“Aê, órfãos! Dia triste hoje, heim?”, em pleno Dia das Mães.

Sem comentários. Eu não consigo rir de nenhuma dessas maldades. Para mim, isso tudo simplesmente não é engraçado. É mau gosto, grosseria, apelação ou deselegância. Apenas.

Não é o caso de fazer patrulha contra esse anedotário chinfrim. Se alguém quer sintonizar na deles, bom proveito. Deve haver quem goste, com certeza.

Mas já deu tempo de colocar algumas coisas em seus devidos lugares. O CQC é um programa reacionário, despolitizante, preconceituoso, repleto de piadinhas infantis.

Não por acaso, deu voz ao extremismo de Jair Bolsonaro, quando foi distorcida uma de suas respostas. Conseguiu insultar até Renan Calheiros (ao compará-lo canhestramente a Fernandinho Beira-Mar). Aposta na incivilidade. Criou monstrinhos que saem por aí fazendo molecagens.
Não é verdade que se pode fazer humor a qualquer preço, custe o que custar. O próprio lema já é de dar calafrios. E não é nem um pouco engraçado.
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Diz tudo. A nós, audiência, resta mudar de canal.
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Só para deixar registrado: hoje, este blogueiro sujo deixou duas mensagens no blog do Tas, ambas assuntando se ele seria homem de postar sobre a Slut Walk - Marcha das Vadias -, ocorrido semana passada em frente ao teatro onde Rafinha Bastos se apresenta, em São Paulo.

Meus dois comentários foram censurados, até este momento.
É bão quando é no dos outros ...
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