8 de abr de 2013

TATCHER – Uma herança maldita para o Brasil


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Vitima de derrame, a dama de ferro, como era conhecida Margareth Tatcher, faleceu neste dia 08 em Londres.

Seu legado político é bastante controverso. Amada e odiada, era uma liderança incontestável da direita européia e foi defensora ferrenha do neoliberalismo.

Foi premiê do Reino Unido de 1979 a 1990 e sua obra deixou males que se espalharam pelo mundo com rapidez: privação social, opressão de sindicatos, confronto com opositores de forma dura e implacável, como no episódio da Guerra das Malvinas. Em resumo, governou de modo tão conservador que seu próprio partido, o Partido Conservador!, voltou-se contra ela e a retirou do poder.

Sua forma de ver a economia era voltada exclusivamente ao protecionismo do capital. Gerou desemprego e queda da produção industrial na Inglaterra mas nunca desamparou os banqueiros. Seu processo político de privatizações e culto ao livre mercado foi determinante para que alguns países, o Brasil inclusive, adotassem medidas conservadoras drásticas e danosas.

Sobretudo no período de governo do PSDB, na figura de FHC, o Brasil experimentou o remédio mais amargo que Tatcher criou: a economia foi atirada no colo do mercado, empresas públicas tradicionais foram privatizadas depois de saneadas com dinheiro público, o desemprego aumentou na proporção do crescimento da dívida interna e externa, apesar da entrada de recursos da venda de Estatais, a taxa básica de juros crescente era mantida para atender os banqueiros e a população, ora, permanecia estagnada, pobre e sem perspectivas.

Passadas duas décadas desde a queda de Tatcher, depois que parte do mundo ocidental abusou de venerar o livre mercado, vimos Nações de joelhos implorando recursos ao FMI e tendo que, em troca, adotar medidas ainda mais drásticas na área econômica, com corte de programas sociais e elevação da taxa de juros. Os resultados foram desastrosos principalmente para os países menos desenvolvidos da América Latina.

Hoje, ao abandonar as teorias malucas do neoliberalismo, o Brasil e parte importante do mundo capitalista descobriu nova fórmula de crescimento: participação direta do Estado na economia com intervenções pontuais e injeção de capitais. É hilário ler, por exemplo, como certos veículos de comunicação resmungam sobre o déficit em conta corrente do governo, sobre aumento das despesas de custeio e de pessoal. Reclamam que o governo gasta muito ...

Mas não vemos xororô da midia fundamentalista quando o governo dos EUA coloca, mensalmente, quase 90 bilhões de dólares na economia com o objetivo de incentivar o consumo e a geração de emprego; não vemos os “analistas” dizendo que é errado o Japão expandir sua base monetária em quase 1,5 trilhão de dólares para fazer frente ao baixo crescimento.

Seria um escândalo a intervenção do governo do Brasil na economia na época FHC, ditado pelas regras de austeridade da Dama de Ferro. Ou foi um escândalo manter a pobreza e a miséria do jeito que estavam?

Felizmente, isso mudou.
E, por certo, as novas gerações de Primeiros Ministros do Reino Unido aprenderam que tudo o que Margareth Tatcher produziu foi aumentar ainda mais a diferença entre ricos e pobres. Lá e no resto do mundo neoliberal. 

Ela morreu, e tomara que morra com ela a teoria da concentração de renda.

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2 de abr de 2013

4 P – A difícil compreensão.


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 4 P

Jean-François Sirinelli, diretor do departamento de História do Instituto de Estudos Políticos de Paris, fez uma interessante abordagem a respeito da situação política atual da França e da Europa Ocidental, em entrevista a um canal fechado de TV.

Em seu ponto de vista, o bem estar de um cidadão está amparado naquilo que chamou de os 4P – Prosperidade, Paz, Pleno emprego e Perspectivas.

Não pretendo discorrer sobre a Europa Ocidental e o iminente colapso capitalista que se avizinha; para eles, esta década começa a ser marcada pelo declínio moral das instituições políticas ancoradas no grande capital, no fracasso financeiro e nas restrições aos programas sociais.

Vou trazer os 4P para cá.
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P1. O que temos visto no Brasil é um sentimento cada vez mais concreto de Prosperidade. Sempre que lemos ou ouvimos falar da nova classe-média, estamos nos referindo a um grupo – imenso – de famílias que ascenderam socialmente, que foram inseridas no mercado de trabalho e consumo, que compram casa, carro, viajam de avião! Quem já alcançou um objetivo à custa do próprio esforço sabe o que é sentir-se próspero.

P2. Por tradição, não somos um país guerreiro e nos orgulhamos de viver em Paz com nossos vizinhos. Mas não é apenas esta Paz que interessa aos brasileiros, senão a Paz mundial. A repercussão, ainda no governo Lula, da tentativa de intermediar ao acordo entre Irã e EUA, na questão do armamento nuclear, permitiu à sociedade brasileira experimentar o gosto da inclusão do Brasil no cenário político mundial; o fato de sentar à mesa ao lado de grandes potências com um claro discurso pacifista eleva a autoestima da população.

P3. Durante décadas, desde o regime militar, fomos levados a crer que o bolo deve crescer antes de ser repartido. O que se viu foi o bolo crescendo e apenas sobravam migalhas. Até o governo do PT assumir o comando político da Nação e providenciar, com todas as ferramentas disponíveis, com a urgência necessária e com o máximo empenho, a geração de emprego e renda. O Pleno emprego, objetivo principal de todas as medidas econômicas deste governo, de Lula e Dilma, é a fórmula da repartição da renda, do bolo, da inclusão social. As desonerações fiscais, os programas sociais, o financiamento público a pequenas e médias empresas, a baixa sucessiva e constante das taxas de juros, entre outras medidas, colocaram a economia a serviço da população, sobretudo a mais pobre.

P4. Talvez o que mais incomode um chefe de família seja a falta de segurança para criar seus filhos. Sem Perspectivas, não existe luta. Com o horizonte cada vez mais distante não há razão para ter coragem.

Este é o ponto mais importante do cenário atual do Brasil: as pessoas acreditam que amanhã será melhor que hoje e, por isso, encampam as batalhas cotidianas com mais força, conseguindo resultados antes impossíveis.

A difícil compreensão

Entretanto, a parcela descontente – e barulhenta – da sociedade, a oposição partidária e a mídia fundamentalista, parecem desconhecer a realidade do Brasil.
A insistência em bater nos mesmos temas na tentativa de associar o PT ao que há de pior no país, à corrupção, não leva em consideração os 4Ps. Provavelmente, para essa gente que tem o burro amarrado na sombra, que sempre viveu de benefícios do Estado, não percebeu o quanto é inócuo o discurso anti-PT. Ainda bem!

Suas bandeiras, usadas nas eleições do Século XX, de privatização, de redução no tamanho do Estado, de livre mercado, morreram imediatamente após a posse do primeiro mandato de Lula. O discurso neoliberal murchou. Pudera, com a crise internacional de 2009, até Wall Street teve que rever certos conceitos.

A grande imprensa, principalmente, se vê diante de um quadro incompreensível da vida política brasileira: noticia com grande alarde a “incapacidade” administrativa do PT, ameaça com apagões de energia, com estouro do prazo para conclusão dos estádios da Copa, com a perda de controle sobre a inflação e ... e nada! A popularidade de Dilma Rousseff bate recordes a cada pesquisa.

A perda de credibilidade da mídia fundamentalista vai dar a reeleição para Dilma ainda no primeiro turno! Depois, recomeça o chororô.

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Para o historiador francês, a Europa está numa encruzilhada. Jean-François Sirinelli acredita eu ainda há tempo de reagir mas acha que o esforço deverá ser monumental.
Ele citou o fato que, pela primeira vez depois da II Guerra Mundial, um contingente imenso de pessoas na casa dos 30 anos de idade nunca terem tido um emprego formal e legal na vida.

A situação na Europa é grave e a solução não pode passar pelo corte de direitos sociais adquiridos, no caso da França, por um país que mudou a forma de pensar do mundo com sua revolução.

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