Talvez esta seja a eleição menos disputada da história do Brasil pós-ditadura. Nem FHC, o nefasto, eleito nas costas do plano Real teve tão pouca resistência da oposição, à época.
A imagem do tucano Serra, ontem, na TV, era de resignação. Foi criticado até mesmo por seus correligionários. Aécinho Neves foi um dos que se pronunciou contra a pouca agressividade de seu candidato. Em nenhum momento do encontro inquiriu a opositora Dilma. Limitou-se a debater com Plinio e Marina, dois oponentes muito distantes dele nas pesquisas de opinião.
É compreensivel.
Uma rápida análise de sua estratégia de campanha mostra que seu marketing nunca funcionou.
No inicio, tentou passar a imagem de homem competente, que pode fazer mais pelo Brasil. Ameaçou ataques ao PT e depois recuou. Usou a imagem de Lula em seu programa; insinuou ser de origem humilde, colocou no ar uma favela fake afim de parecer amigo dos pobres. Em certo momento atacou agressivamente Dilma Rousseff, amparado em manchetes de jornal e da revista Veja. Anunciou promessas mirabolantes para tentar atrair os indecisos.
Nada funcionou. Ontem, era outra pessoa, usava outro tom e seu gestual era de perdedor.
Fosse qualquer candidato em seu lugar, de qualquer partido, o resultado seria o mesmo. Não foi Serra que perdeu perdendo, foi a direita de um modo geral que se desmanchou. A velha politica de concentração de renda entre os mais ricos foi ultrapassada pelos oito anos de governo do Partido dos Trabalhadores. Um rolo compressor de desenvolvimento com distribuição de renda e emprego erradicou a velha politica conservadora e imbecil.
No começo do ano, Lula ensaiava lançar um plebiscito durante a campanha. Nunca escondeu sua estratégia de comparar seu governo e o PT com o PSDB de Fernando Henrique, o nefasto.
Não foi preciso. O simples fato de estar presente ao lado da candidata Dilma foi suficiente para amealhar quantidade de votos suficientes para levá-la ao Planalto.
É possivel que nem Lula e seus marketeiros soubessem qual o real tamanho de sua popularidade antes do inicio da propaganda na TV. É certo que eles desconfiavam ter o poder de transferir votos para sua candidata, mas duvido que tivessem a noção exata do tamanho da onda vermelha que se formou no país.
Alguns analistas, metidos a sabe-tudo, disseram que não existe transferência de votos ... bobões da estirpe de jabores e mainardis achavam que sabiam das coisas. Uns manés!
Nem que haja segundo turno, pela postura do candidato Serra ontem, no debate, é visivel sua aparência de perdedor.
Serra não perdeu para Dilma ou para Lula. Serra perdeu-se nos oito últimos anos ao escolher o caminho errado do conservadorismo. Ao acreditar que o apoio da midia corporativa brasileira, das Globos, Estadões; das Folhas e Vejas, era suficiente para manchar as realizações que o governo petista alcançou. Não foi.
Denúncias de escândalos, de mensalões, aloprados e sigilos quebrados, não foram capazes de frear o desejo da população, sobretudo os mais pobres, de ascender socialmente. Serra e a direita não tiveram sensibilidade para compreender o que significa a um homem, a uma mulher, a um jovem, um emprego com carteira assinada, com direitos, com cidadania.
Serra é o simbolo da falência de um modelo que ajudamos a extirpar do Brasil. Daqui para a frente, seja quem for o mandatário desta República Federativa, não haverá mais crescimento econômico sem distribuição de renda e emprego. O povo, ao ter acesso ao direito mais básico de um ser humano, experimentou o sabor da DIGNIDADE e, certamente, não abrirá mão dele jamais.
Aliás, dignidade é o que a direita nunca entendeu exatamente o que é.










