7 de nov de 2013

A PUNHALADA



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Migrant Mother: mãe de 7 filhos, viúva, em busca de trabalho em março de 1936, na Califórnia



Na Grande Depressão de 1.929, o governo dos EUA enfrentou a pior crise do século XX com dinheiro público. A história reporta que o então presidente americano, Herbert Hoover, ordenou inúmeros gastos públicos: abriram estradas, ergueram prédios e praças, financiaram a indústria automobilística recém surgida, construiu a Represa Hoover, aumentou de 25% para 63% o suporte em impostos corporativos, tudo com o claro objetivo de fazer circular dinheiro e gerar emprego para a massa desesperada de cidadãos que viram-se à beira da falência.

Em 2.008 não foi diferente. Se 29 deu o start para a criação de Bancos Centrais para controlar os movimentos de capitais, nesta crise da década passada – que se arrasta até hoje – os instrumentos são praticamente os mesmos: gastos públicos para “girar” a economia. É bem verdade que os governos dos países ricos privilegiam o grande capital ao invés do emprego, por isso a Europa sofre ainda mais com a pior crise da história do capitalismo.

A diferença para o Brasil é que o enfrentamento aqui se deu – e ainda se dá – com o claro objetivo de gerar empregos e repartir renda e os resultados positivos são evidentes. Foi Lula que começou com as desonerações fiscais à indústria automobilística e construção civil, e o acordo trazia implícita a obrigatoriedade de não demitir pessoal. Funcionou; a crise no Brasil e nos demais países que não seguiram a ortodoxia financeira de Wall Street passam sem maiores problemas internos diante do grave quadro mundial.

Desta forma, o Brasil, como os demais emergentes, foi capaz de suportar a instabilidade vinda dos países ricos sem aumentar a dívida social interna, pelo contrário, reduzindo drasticamente a miséria e a pobreza ainda que com o mundo em crise.
Então, qual a razão das manifestações de junho, com milhares de pessoas protestando contra “o que está aí”?

A PUNHALADA NA DEMOCRACIA

Tenho lido diversas análises sobre o assunto, das mais variadas correntes políticas, de veículos de comunicação do Brasil e do exterior, e não há qualquer conclusão lógica a respeito da insatisfação generalizada que tomou as ruas das maiores cidades do país.

Minha hipótese, como mero observador, é que a insatisfação não é generalizada. É pontual e teve seu ruído amplificado por setores da mídia que pretenderam insuflar manifestações com claros objetivos: enfraquecer o governo Dilma Rousseff e o PT. 
Apesar do êxito aparente, pouco sobrou da insatisfação popular pós- Copa das Confederações. O movimento parece ter perdido a força da rua e se amontoa nas redes sociais de forma tão atabalhoada e desorganizada quanto no início. Cada um fala por si; cada um tem sua própria pauta de reivindicações. São da ordem de uma centena de pessoas, hoje, as “passeatas” em São Paulo e Rio de Janeiro. Insignificante, não fosse a cobertura jornalística.

Se levarmos em conta as ações da oposição a este governo e, lá atrás, contra Lula, sobretudo dos meios de comunicação, notaremos que abusaram das tentativas de impedir a continuidade do PT no Palácio do Planalto. Sem sucesso. Então, no final de 2012, com a eleição de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, maior reduto do conservadorismo entre as capitais, ficou claro que Lula ainda tinha prestígio, força e poder de eleger um desconhecido. Não foi pouca coisa a vitória contra José Serra, talvez a liderança de oposição mais conhecida no Brasil e, principalmente, no curral eleitoral tucano.

Então o MPL – Movimento Passe Livre – surge no momento do reajuste de tarifas de ônibus e leva às ruas sua velha reivindicação de gratuidade no transporte coletivo. É bom lembrar que o MPL é uma organização que atuou ao lado de Haddad na campanha e que sempre realizou este tipo de manifestação quando dos reajustes de tarifa anteriores.
Um movimento organizado com uma pauta definida saiu mobilizado pelas redes sociais e, na rua, viu apoio de milhares de pessoas que... não usam transporte público!

Estranho?
Claro que não.
O trabalhador, até mesmo o informal, recebe subsídio para o transporte, os estudantes pagam meia; idosos, nada pagam.
Quem eram as pessoas que saíram com cartazes com os mais diversos slogans, pedidos, até ofensas? A parcela mais reacionária da classe média!
É preciso admitir que não são poucas as pessoas que se identificam com o retrocesso, sobretudo nos grandes centros urbanos; ter que dividir assentos de avião com o porteiro do prédio onde reside ou, no trânsito, parar ao lado do carro do jardineiro! São situações que disparam um ódio (nem sempre) adormecido contra parcela da sociedade menos favorecida, em geral, nordestinos, negros, pobres e moradores das periferias.

Daí surge uma conclusão deste blog:
A mais surpreendente – no meu ponto de vista, a mais infeliz – é que as manifestações se deram mais pelos acertos que pelos erros deste governo.
A nova classe média atingiu em cheio a velha: a insatisfação é visível.

As consequências de junho são imprevisíveis, apesar da total falta de oposição no Brasil.
Via redes sociais, já percebo um movimento de “libertação” de tudo que ficou reprimido pela classe média: de forma aberta, pedem a volta do regime militar, o fim do voto para beneficiários do Bolsa Família, a derrubada do governo central e do partido que foi eleito para dirigir a Nação; exigem até que o STF não cumpra a Lei, que recuse a apelação a sentenças criminais!

Mas não apresentam alternativas; pedem melhor educação e saúde mas não existem propostas melhores dos que as que existem, nem a fonte de financiamento dos recursos, nem um nome ou partido capaz de sintetizar os anseios da população “cansada de tudo que está aí”.

A impressão que resta é o desejo – que, aos poucos, mostra a face – de derrubar um governo eleito pela via democrática e que, ao que indicam pesquisas recentes, tem enormes chance de se reeleger em 2014.

Que derrubem, então, mas pelo voto!
A sociedade organizada brasileira, os trabalhadores, estudantes, sindicatos e associações não aceitarão uma punhalada na democracia.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Nada mais deprimente e manjado, do que ver blogueiros sem caráter,sendo mantidos com dinheiro subtraído do estado, prestando um desserviço ao país, fingindo acreditar na ilusória honestidade desses falidos governos petistas, que estão assacando e acabando com o pais, denegrindo e nos servindo de chacota no exterior. Para o bem do nosso querido Brasil, serão varridos do país em 2014. Os movimentos sociais de junho de 2014 não deixarão a corrupção e a demagogia se perpetuar no Brasil. Chega de lixos a nos governar. Queremos uma imprensa livre e honesta, queremos democracia. Por isso uma imprensa livre incomoda tanto a esses bandidos incrustados no poder. Por enquanto.... Aproveitem blogueiros de aluguel... Aproveitem blogueiros de aluguel. A mamata vai acabar, e vocês vão ter que trabalhar.

J.C.O. Santiago (um brasileiro honesto)

Júlio Pegna disse...

Alô J.C.O.Santiago:

Se vc está deprimido, vá se tratar!
Vá procurar um bom psicólogo e, também, um oftalmologista: o senhor vê anúncios do governo no meu blog mas eles não existem!

Se vc se acha honesto, se acredita que os movimentos de junho foram realmente sociais - sem a participação da sociedade organizada, sindicatos, estudantes, etc - ou pensa que esta midia pode incomodar a reeleição da Presidenta, mantenha-se alerta:
Suas verdades podem desmoronar e seu caso pode ser mais grave do que parece!