31 de out de 2011

Mobilização pelo SUS para Lula.

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Quem hoje se mobiliza para que Lula trate seu câncer pelo SUS deveria querer isso para todos:

Quando José Cerra foi alvejado pela BOLINHA DE PAPEL durante caminhada eleitoral, ano passado, no Rio de Janeiro, foi levado para o Hospital SAMARITANO em Botafogo, e atendido pelo Dr. Jacob Kligerman.

Não vi, li ou ouvi a midia - ou setores conservadores da sociedade brasileira - repercutindo SUS para Cerra.

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29 de out de 2011

#ForçaLula

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Luis Inácio já enfrentou coisas piores que um tumor.
Não é essa coisinha ridícula que vai derrubá-lo.
Pode, até, forçá-lo a calar a voz.
Momentaneamente.
Ainda assim sobram as mãos para escrever e a cabeça para pensar.

E sobramos nós, os 80% de brasileiros que o admiram, para torcer por sua recuperação.

Para desespero de alguns, Luis Inácio vai se curar.

#FORÇALULA


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DILMA ROUSSEFF: ATAQUE CONTRA DEFESA

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Está se configurando uma clara estratégia da oposição para derrotar Dilma Rousseff e o PT nas próximas eleições: desestabilizar a base de apoio no Congresso Nacional.

Não é à toa que, nos últimos seis meses, foram exonerados seis Ministros de Estado. E mais exonerações virão.

A postura do governo diante de denúncias de corrupção, sistematicamente reproduzidas por toda a grande midia, está demonstrando forte inclinação a permanecer na defesa, como foi durante toda a gestão do Ex-Presidente Lula.

Mas Dilma não é Lula; apesar da alta popularidade, não tem o mesmo carisma que seu antecessor. E nem poderia.

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A oposição sabe que não terá espaço para alcançar votos com seu discurso privatista e elitista. Nem com o amplo e declarado apoio da imprensa corporativa e com sua propaganda terrorista contra o PT.

Já tentaram de tudo para arranhar a imagem do Partido dos Trabalhadores. Conseguiram algum resultado, é verdade, martelando o "mensalão" e metralhando José Dirceu. Mas Lula permaneceu imune e elegeu sua sucessora sem maiores dificuldades.

Como, então, obter êxito e retornar ao poder?

O caminho da oposição demo-tucana foi ineficaz, apesar da mãozinha das Globos, Folhas e Vejas.
Pesquisas recentes mostram que, apesar da tentativa de vincular o PT à corrupção, a população aprova o desempenho de Dilma Rousseff sobretudo na área econômica, cujo resultado excepcional nos deixa, praticamente, imunes aos males que a crise internacional aporta mundo afora. Crescimento do emprego e distribuição de renda em franca evolução, apesar das dificuldades reais que sopram da Europa e dos EUA.

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Parece óbvia a nova estratégia tucano-midiática. Desmontar a base de apoio no Congresso Nacional.

Não medem esforços para minar a sustentação politica da Presidenta. Mentem descaradamente; inundam os diários de manchetes agressivas sem provas, baseados em testemunhos duvidosos de gente de caráter duvidoso. Foi assim na recente onda de perseguição ao Ministro Orlando Silva, que não resistiu.

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Blogs e gente da situação começam a mostrar insatisfação com a posição defensiva até agora do PT. Acreditam que, sem reação, acabaremos vencidos. E tem lá sua razão. Afinal, pouco se faz para não vestir a capa da corrupção.

Em certo momento o jogo pode virar. Aos primeiros sinais de aumento do desemprego, os ataques podem ser fulminantes. E pode ser tarde reagir depois de assinalado o pênalti.

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24 de out de 2011

LIBERTEM OS CINCO!

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QUEM SÃO OS CINCO CUBANOS PRISIONEIROS NOS ESTADOS UNIDOS ?

Cinco jovens profissionais que decidiram dedicar suas vidas, longe de sua pátria, à luta contra o terrorismo na cidade de Miami, principal centro das agressões a Cuba.

PORQUE ESTAVAM NOS ESTADOS UNIDOS?


 Partiram para lá à procura de informações sobre os planos das organizações terroristas cujas bases operacionais, há muitos anos, estão em Miami; entre elas, a Fundación Nacional Cubano-Americana (FNCA), o Consejo para la Libertad de Cuba (CLC), Hermanos al Rescate, Movimiento Democracia, Alpha-66, e muitas outras de trajetórias delituosas.

Dentre as atividades terroristas destes grupos contam-se numerosas sabotagens e agressões contra Cuba, com um saldo de milhares de mortos e feridos, além de enormes perdas econômicas; contrabando de armas, drogas e pessoas e, inclusive, elaboração de centenas de planos para assassinar o presidente cubano Fidel Castro e a realização de ações terroristas no próprio território norteamericano e em outros países.

VIOLAÇÕES PROCESSUAIS.

Os cinco foram submetidos a um juízo manipulado na própria cidade de Miami, totalmente hostil e dominado pela máfia cubana local, tornando-se impossivel realizar um processo justo e imparcial à despeito das próprias leis dos Estados Unidos e do Direito Internacional.

Setores anticubanos desataram uma intensa e falaciosa campanha propagandistica para pressionar a opinião pública de Miami e aos jurados, sendo reiteradamente denunciados pelos advogados de Defesa, que solicitaram inúmeras moções solicitando mudança da sede do juízo, mas foram todas rechaçadas.

Foi uma clara violação da Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos que declara "...ninguém será privado da liberdade sem o devido processo legal" e, ainda, da Sexta Emenda que assinala que "...em toda causa criminal o acusado deverá ser julgado rapidamente e em público, por um júri imparcial".

Durante todo o processo legal as autoridades obstacularizaram o trabalho da Defesa ao retardar e limitar o acesso a, apenas, 20% da documentação classificada, estranhamente, como secreta e, ainda hoje, cinco anos depois, estão impedidos de ter acesso aos milhares de documentos para sustentar o processo de apelação.

QUAIS FORAM OS CRIMES?

- Conspiração para cometer assassinato em primeiro grau.
Gerardo Hernandez foi o único acusado deste crime por, supostamente, em 24 de fevereiro de 1996, ter derrubado dois aviões da organização terrorista Hermanos al Rescate. Ao final do processo a Promotoria compreendeu que não podia provar este crime segundo as instruções da juiza e solicitou a Corte de Apelações de Atlanta o indeferimento. A apelação não prosperou e, ao contrário da lógica, o declararam culpado.

- Conspiração por espionagem.
Foram acusados deste crime Gerardo Hernandez, Ramon Labañino e Antonio Guerrero.
Nenhum deles realizou atividades de espionagem nos Estados Unidos pois, segundo estabelece a lei norteamericana, espião é aquele que rouba ou obtém documentação classificada como secreta, com o propósito de entrega a um governo estrangeiro. Não houve evidência, em juízo, de que eles tivessem obtido informações do governo dos Estados Unidos ou qualquer informação perigosa para a segurança deste pais.

Vários especialistas e autoridades, como os Generais Charles Whilhem e Edward Atkinson, o almirante Eugene Carol e o coronel George Buckner, certificaram que os acusados não tiveram acesso a informações secretas e, inclusive James Clapper, Ex-Diretor da Agência de Informação do Pentágono, testemunha da Promotoria, reconheceu que os acusados não haviam realizado espionagem contra os Estados Unidos. Seus testemunhos não foram levados em conta, o que ratifica a arbitrariedade do processo fraudulento de claro viés politico.

Os cinco cubanos tinham exclusivamente a missão de obter informações sobre os planos dos grupos terroristas radicados no sul da Flórida que, à despeito dos desatinados processos judiciais, não fazem parte do governo dos Estados Unidos.

- Conspiração para cometer delitos contra os Estado Unidos.
Os cinco cubanos foram acusados deste crime, quando eles buscavam, exclusivamente, obter informações sobre os planos arquitetados pelas organizações terroristas radicadas em Miami e outras que poderiam afetar a segurança dos Estados Unidos, tendo sido tudo provado pela Defesa e ratificado por várias testemunhas durante todo o processo.

- Identidade e documentação falsa.
Para poderem penetrar e enfrentar os planos destas organizações, três dos cinco lutadores antiterroristas viram-se diante da necessidade de ocultar suas verdadeiras identidades.

Em Direito, existe a Doutrina de Estado de Necessidade que sustenta que, para evitar um delito maior, neste caso, assassinatos e atos terroristas, justifica-se a incursão em crimes menores, como uso de identidade e documentação falsa para proteção de sua atividade e da própria vida, principalmente levando em conta que estes jovens atuariam em meio a assassinos e terroristas.

- Agentes não registrados de governo estrangeiro.
Tomando-se em consideração os objetivos de seus trabalhos, os riscos e a sistemática politica hostil dos Estados Unidos contra Cuba, não seria possivel que os cinco se registrassem como agentes do governo cubano.

É amplamente conhecido que estes grupos terroristas e seus mentores atuam impunemente em Miami, gozando da proteção das autoridades.O próprio chefe do FBI em Miami, Hector Pesquera, declarou que os dirigentes da Fundacion Nacional Cubano-Americana (FNCA) e do Consejo por la Libertad de Cuba (CLC) eram pessoas respeitáveis e de absoluta confiança, reiterando que jamais investigariam oficialmente as atividades daqueles que fomentam e financiam as ações terroristas contra Cuba.

Se ambas as organizações são as principais responsáveis pela maioria dos atos terroristas cometidos contra Cuba nos últimos 15 anos, o que teria acontecido aos cinco se se tivessem registrado perante asa autoridades de Miami como pessoal do governo cubano?

SENTENÇAS INJUSTAS E EXAGERADAS.

Depois de um processo ilegítimo, a juiza, que não aceitou nenhum dos atenuantes da Defesa e aplicou todos os agravantes da Promotoria, ditou sentenças injustas e exageradas, aplicando condenações máximas em cada caso, ainda que os crimes principais não puderam ser provados, ferindo, entre outros, o Artigo 14 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Politicos das Nações Unidas que referenda "...toda pessoa tem o direito a ser ouvida publicamente e com as devidas garantias por um tribunal competente,independente, imparcial ..."


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Para assinar a Petição On Line e aderir ao "Apoyemos a Cuba en su reclamo de Justicia", e estar ao lado de nomes como, Oscar Niemeyer, Adolfo Perez Esquivel, Noam Chomsky, Danny Glover, Fernando Morais, Walter Salles, Emir Sader, Elliott Gould, Peter Coyote, Manu Chao, Dario Fo, Frei Betto, e tantas outras pessoas mais, clique no link abaixo:


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15 de set de 2011

TORÇAM O NARIZ: CADÊ A CRISE?


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Contra números, não há argumentos.

Pode a imprensa querer abusar do terrorismo; assustar a população com a crise do mundo desenvolvido – capitalista – mas precisarão se esforçar um bocado a mais.

Os indicadores econômicos brasileiros estão ainda melhores que em 2008, ano em que a crise estourou nos EUA. Era o inicio do pior momento histórico da economia ocidental. Bancos quebraram e o governo norteamericano injetou alguns trilhões de dólares na economia para conter a explosão da “bolha” que eles mesmo criaram.

Aos poucos, os EUA esboçaram um crescimento lento.  Baixo, é verdade, mas a proposta era esta. As dificuldades não foram sanadas pela simples razão de que o “mercado” continua – e continuará – descontrolado.

Em seguida, foi a vez da Europa do Euro. Os problemas se avolumaram e vários países estão em sérias dificuldades. Levarão ainda algum tempo para se recuperar.

Mas, e aqui, no Brasil, como anda nossa economia?

“Analistas” meia-boca, os que escrevem e falam na mídia reacionária e comprometida, insistem que estamos à beira do caos. Falam em inflação descontrolada e em problemas cambiais.

Mas qual é a realidade?

Vejam o gráfico abaixo, com dados comparativos de Agosto/2008 e Maio/2011.



Não é difícil perceber que nossos indicadores estão mais sólidos e melhores agora.
Vejamos:

TAXA DE CÂMBIO – continua a mesma, o Real valorizado e sob controle do Banco Central. Na verdade, a taxa é o resultado da entrada de moeda estrangeira no Brasil, para especulação e investimento, em volumes cada vez maiores.

TRANSAÇÕES CORRENTES – São a soma dos resultados do comércio exterior, juros da dívida, viagens internacionais, remessa de lucros, etc. O saldo de 21,5 para 51,0 deu-se devido ao crescimento da atividade interna. Maior renda, mais viagens, maiores lucros e maiores remessas, mais importações devido à maior procura de produtos para consumo. Índice aparentemente piorou, mas devido ao crescimento do PIB e à entrada da nova classe média no mercado consumidor.

INVESTIMENTO LIQUIDO DIRETO – Dado extremamente positivo, representa um salto significativo da aplicação de recursos de empresas estrangeiras no Brasil. Evidentemente, por causa da confiança em nossa politica econômica do período Lula para cá.

CRÉDITO TOTAL – A base de comparação de 2011 para 2008 deve levar em conta que o PIB brasileiro obteve seu melhor resultado no periodo 2009/2010, portanto, a base é bem maior. O resultado expressivo – apesar de ser considerado baixo para padrões internacionais, é preciso compreendermos que há pouco iniciamos o processo de crescimento com distribuição de renda – trará impacto sobre a inflação. Comentarei isso mais àdiante.

DIVIDA PÚBLICA - LIQUIDA E BRUTA – Ao contrário do que ocorre na Europa e EUA, nossa dívida manteve-se praticamente estável, com ligeira diminuição. Alguns jornalistas maldosos preferem ignorar este dado, jogando o peso de seus venenos no endividamento público falando do aparelhamento do Estado pelo PT em por consequência, a má administração do bem público. Balela de gente cara de pau!

Quem não sabe administrar é o velho mundo rico! Suas dívidas internas cresceram sem que o resultado fosse em benefício de suas populações. Trilhões jogados em armamentos para guerra! O tamanho do gasto público internacional com guerras é perverso duas vezes, pelo investimento improdutivo e pelo extermínio de seres humanos.

RESERVAS INTERNACIONAIS – Sem comentários. Até os bebês sabem que temos dinheiro em caixa para fazer frente aos problemas que a economia internacional provoca. O interessante é que, mesmo o mundo estando em crise e os países ricos gastando sem parar, fortalecemos nossa reservas de 2008 para cá.

IPCA – Dado de inflação ligeiramente elevado, mas sem exagero.

DIVIDA EXTERNA – É de provocar a ira dos grandes bancos e conglomerados estrangeiros nossa capacidade de reduzir a dívida externa. Na onda da melhora de nossos indicadores, os sempre invejosos e traíras da imprensa familiar brasileira, os mesmos de sempre, nem tocam mais no assunto.
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Agora, a inflação.

Os aumentos de preços se devem a uma das regras básicas da economia de mercado: oferta e procura. Muita procura para pouca oferta geras aumento de preço.

Infelizmente não tenho os dados dos índices de emprego mas pesquisa recente do IBGE divulgou algo em torno de 6 e pouco por cento de desempregados no Brasil de hoje. Vale lembrar que se trata de emprego formal, portanto é provável que o índice esteja muito próximo de zero levando-se em conta o emprego informal.

Uma análise simples e direta do desempenho econômico brasileiro mostra aumento significativo no investimento e no crédito; milhões de brasileiros ingressando na classe média consumidora através do emprego e da renda; programas sociais vigentes desde o início do governo Lula, em 2003; investimento do Governo Federal em infraestrutura, via PAC, entre outros.

A forma acelerada de consumo crescente é a razão do aumento da inflação!

Mas, quem disse que inflação é ruim? A Veja? A Globo?

Ora, se para que cada vez mais brasileiros passem a ter seus direitos básicos de subsistência, através do consumo, é natural que a produção/importação de bens e serviços sofra reajuste de preços! A cada mês, 150 mil novas pessoas ingressam no mercado de trabalho e ganham salários. E gastam!

Se a inflação alcançar 10% no final de 2011, como querem alguns analistas, será o sinal de que a população está melhor do que antes. E as empresas brasileiras e estrangeiras estarão investindo mais e mais, buscando aumentar a produção para faturar mais, e gerar mais lucros!

Esta é a lógica.

O medo que temos da inflação vem do tempo que a roda da economia era manuseada por poucas pessoas, as classes A e B, que, quando o país entrava em recessão, o consumo diminuia. Como não éramos importadores, ficávamos nas mãos dos cartéis da indústria nacional que nunca perdiam dinheiro e os preços subiam. E as empresas pequenas quebravam. Vinham as demissões em massa .. e o desemprego.

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Felizmente – e por mais que tentem mascarar a verdade – estamos num período estável economicamente pelos lados de cá. Um ou outro problema pode nos fazer alterar ligeiramente a rota, para corrigi-la, mas a essência da economia brasileira e do projeto de desenvolvimento social com geração de emprego e distribuição de renda, iniciado por Lula, do PT, está se mostrando eficaz.

Tanto que, pasmem!, o Financial Times publicou matéria sugerindo que os países denominados BRICS podem socorrer a Europa e o Euro, pois possuem trilhões de reservas e poderiam encerrar rapidamente a “crise da dívida soberana e bancária zona do Euro “, afirmou o jornal.

Entretanto, continuam: “Os quatro [Brasil, Russia, India e China] não falam como uma só voz”, diz, referindo-se à falta de união destes países, e a China “não entrega almoço grátis nem a Europa tem direito de esperar isso”, argumenta. E conclui:
Os benefícios politicos potenciais da iniciativa [de ajuda dos BRICS a Europa] são óbvios. É lembrança pertinente que os Brics estão conscientes não só da importância da estabilidade do mercado financeiro, mas da redistribuição do poder econômico global do Ocidente para o Oriente e o Sul”.

Assim, caso haja uma unidade de ações econômicas, é provável que as decisões políticas mundiais tomem outro eixo, com a liderança no Hemisfério Sul nas mãos do Brasil.

Que torçam o nariz os analistas medíocres, que trabalham nos porões para desestabilizar as boas intenções do governo brasileiro.

Que se danem os jornalões, seus donos e seus capachos travestidos de jornalistas!

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5 de set de 2011

TERRORISMO INSTITUCIONAL.

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COMEMORAÇÃO DOS DEZ ANOS DO 11 DE SETEMBRO
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Um soldado americano de 35 anos, que vive no Kansas, pai de três filhos, chamado Ethan McCord, deu entrevista ao repórter da Globo News Geneton Moraes Neto, acusando os Estados Unidos de terroristas.
Ele combateu no Iraque por 14 meses e hoje é líder da ong VETERANOS CONTRA A GUERRA DO IRAQUE.

Suas revelações são surpreendentes. Suas frases, contundentes.

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Este blog publicou, em Junho de 2010, série de imagens divulgadas pelo Wikileaks. Clique aqui para ler o post "O verdadeiro terrorismo" e ver a sequência de fotos dos crimes cometidos pelo exército americano.

Ethan é o soldado que aparece com uma criança no colo, a criança que ele retirou da Van atacada covardemente por um helicóptero a 2,5 km de distância.

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Esperava encontrar no Iraque um pais cheio de terroristas.
Tudo o que eles queriam era defender suas famílias e seus lares de nós, os invasores.
Essencialmente, nós é que éramos os terroristas lá.
Arrombávamos portas com máscaras de caveira.
Tirávamos pessoas de suas casas no meio da noite e batíamos nelas.
Atirávamos em gente inocente.
A maioria das pessoas mortas no Iraque eram homens, mulheres e crianças inocentes.


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Quando Ethan se alistou para a guerra do Iraque, tinha um sentimento de que os EUA queriam providenciar liberdade e democracia a um povo oprimido. O que viu, entretanto, foi uma série de barbáries cometidas pelo exército de seu país; injustiça e agressão contra um povo em nada diferente dele, ou de qualquer um de nós.

Contou que ao chegar ao local onde os helicópteros haviam massacrado várias pessoas viu, no banco dianteiro da Van, duas crianças.
Sua missão não era salvar pessoas.
Estava lá para matar!
Mesmo assim, descumprindo ordens militares, ele e um colega retiraram as crianças do veículo e as levaram ao hospital. Disse que viu o rosto apavorado da menina e lembrou de seus filhos ... não pensou duas vezes para agir.

Por causa deste gesto, foi ridicularizado pelos demais militares; chamaram-no de maricas; riram dele. À partir daí, confessa que compreendeu o verdadeiro sentido daquela guerra, e soube que lá não era seu lugar.

Sua vida tornou-se um inferno desde então. Pensou em suicídio e diz já não ser o mesmo. Matou pessoas, porque esta é a razão da guerra do Iraque: matar.

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Assim que o video foi divulgado pelo Wikileaks, o comando militar norteamericano abriu investigação para descobrir o autor do vazamento.
Em menos de 24 horas descobriram um soldado americano chamado Bradley Manning, que desviou não apenas as imagens do ataque, mas diversos outros documentos militares sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão.

Manning justificou-se dizendo que pretendia lançar um debate mundial sobre estes episódios violentos. Conseguiu. Mas paga um preço alto demais por esta insurgência.

O governo dos EUA trata Bradley Manning como traidor. Preso inicialmente no Iraque, foi transferido para o Kwait e, em seguida, para uma base militar nos Estados Unidos. Chegou a permanecer em confinamento absoluto e, hoje, aguarda julgamento.

Sua pena pode chegar a 52 anos!
CINQUENTA E DOIS ANOS DE PRISÃO!

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Os autores do ataque terrorista contra civis inocentes, como mostram as imagens, nada sofreram.
Estima-se em mais de 100.000 mortos civis no Iraque desde o início da invasão.
4.500 soldados norteamericanos já morreram no Iraque até hoje.

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Ethan McCord foi ferido numa explosão e voltou para os EUA. Concedeu a entrevista a uma TV brasileira com a finalidade de falar para o resto do mundo sobre as atrocidades cometidas por seu país.

Escreveu um pedido de desculpas ao povo iraquiano afirmando o quanto os EUA são hipócritas e diz que os valores dos líderes de seu país não representam mais o povo americano.

Com um ar de culpa, disse que vai para o túmulo com o rosto e a imagem das pessoas em quem atirou!
Meu patriotismo foi usado em benefício das corporações americanas por causa do petróleo do Iraque, ele diz.

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Um movimento pouco divulgado está em curso para libertar o soldado preso, acusado de traição, Bradley Manning.

Milhares de pessoas, do mundo todo, firmaram o abaixo-assinado no site www.bradleymanning.org

Muitos postaram fotos com um cartaz dizendo EU SOU BRADLEY MANNING.

Faça isso você também.

Clique na imagem ao lado e vá direto ajudar a libertar um inocente.

Afinal, não era para salvar pessoas que George W. Bush mandou invadir o Iraque?

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2 de set de 2011

NOVA CLASSE MÉDIA VAI A RESTAURANTE CHIQUE!

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O autor é desconhecido mas, certamente, baiano. O retrato bem humorado do novo Brasil.
Recebi o texto de meu amigo Roberto Lima, a quem agradeço.
Divirtam-se!

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Rapaz. Que frescura é essa história de restaurante chique, viu?

Eu jurava que nunca iria gastar meus suados reais num restaurante cheio de frescuras. Um lugar onde você pede um prato e vem um pedacinho de carne do tamanho e da espessura de meia folha de papel de ofício, dobrada ao meio acompanhada de uma migalha de arroz com um molhinho e uma folha de louro e que custam os olhos da cara e o de baixo também. E onde todos tiram uma onda retada.

Mas eis que Deus, sem ter nada melhor pra fazer, olhou pra mim e disse:´"-Tú vai sim, sacana" e num belo dia, após ligar para a Rádio Metrópole de seu Mário Quértiz, ganhei uma cortesia de 50 badarós para gastar num desses restaurantes, no caso específico, aquele que fica no Rio Vermelho. O que tem o nome daquele pintor espanhol, xará de nossa cidade. Não é o daqui. É o Dali.

E lá fui eu devidamente acompanhado para o restaurante burguês e pensando: “Hoje vou tirar onda, minha porra!!!”

Botei aquela roupa comprada em 7 vezes na Riachuelo que eu só uso em ocasiões especiais e me piquei pra lá.

Chegando no local, fui recebido por um negão do tamanho da zorra na porta. Pensei: "Esse filadaputa vai me barrar" Que nada. O cara veio com um “Boa noite senhor" Senhor, sacana... Me senti até gente. Lá no Cai Duro, a maior reverência que recebo é quando o garçom me chama de “brother”. O negão era manobrista, só que não precisava de manobrista já que eu tinha um motorista. Um motorista e um cobrador.

O negão me passou para um outro cara, que perguntou se eu queria ficar no bar ou ir pro lounge? E eu pensando "Que desgraça é lounge?". Depois é que eu fui ver que era a parte de cima do bar. Porra, que frescura do caralho. Bastava perguntar "Vai ficar no bar ou quer subir?"

Esse outro cara me passou para uma morena que me encaminharia pra minha mesa. Àquela altura eu já estava ficando cansado daquela paletada. Eu vim comer ou fazer trekking? E o pior é que naquele ritmo, quando eu chegasse à mesa já teria dado meia noite e eu não teria mais buzú pra voltar pra casa.

Fui acomodado na varanda que fica sobre o mar. O mesmo cheiro de maresia da Ribeira. Mas era uma maresia chique da zorra. As algas deveriam ser daquelas criadas nas águas termais dos mares da Grécia, colhidas em Mikonos, importadas de avião e jogadas embaixo da sacada do restaurante daqui.

O restaurante era massa. Velas por todos os lados. Um telão. Uma decoração bala. E um daqueles quadros borrados. Daqueles em que os endinheirados ficam parados na frente, não entendem porra nenhuma da pintura, mas ficam olhando com a mão no queixo, a testa franzida fazendo tipo e dizendo coisas do tipo: “este quadro representa toda a magnitude do ser, expressada pelas linhas assimetricamente delineadas pelo traço introspecto do artista e não sei mais o que... Pra mim era um quadro borrado. Não gostou? Me bata!

Arte abstrata uma banana. Lembrei logo daquele cartaz/ propaganda antigo da Marlboro que fica na parede do pirão do Bar do Pascoal no Santo Antônio. Pode ser sintoma de pobreza mais achei mais legal a foto daquele cowboy que se fudeu de câncer no pulmão, do que esse quadro borrado chique.

Ao fundo tocava uma música internacional. Não entendi nada do que a cantora cantava, mas pelo menos não era arrocha, axé, pagode e nem Ana Carolina. Não agüento mais ouvir "Eu queeero te roubar pra mim"...

Já as pessoas nem respiram. Um ar soturno de museu de cera. Se você olha muito para alguém, essa pessoa já pensa que você quer roubá-la, sei lá. Rico quando conversa, não ri. Parecem estar em coma. E as caras e bocas daquela gente bonita? Vão à merda.

Ao fundo, um bigodudo fumava um charuto do tamanho de um tubo de 50mm da Tigre, daqueles de passar tolete. Dava cada baforada, como se escrevesse no ar com a fumaça "eu tenho uma Land Rover e um C5 Pallas" Eu tenho uma cobertura no Le Parc" "Eu sou o fodão". E eu pensando: "Esse filadaputa deve estar devendo duas parcelas do leasing do CIVIC. Mais uma e o banco toma."

Chega o garçom e oferece o couvert. Olhei ao redor, mas não tinha ninguém tocando. Tinha sim um telão enorme. Será que eu teria que pagar pra assistir tv nessa zorra?

O garçom trouxe o tal do couvert. Era comida. Na verdade, era uma cenoura cortada na horizontal, em quatro, com um pão cacetinho torrado cortado em rodelas com duas cumbuquinhas, uma com manteiga e outra com patê. O preço? R$ 7,90. Que porra é essa? No restaurante "O Líder" do Largo Dois de Julho eu bato um sanduichão de pernil de porco e queijo de cuia que tem aquele molho secreto maravilhoso com uma Coca e ainda sobram R$ 1,50. Gentilmente recusei o couvert. "Não estava disposto". Olhe que agá da porra...

E as bebidas? Cada 8 latinhas lá no chique daria para tomar uma caixa no bar de Oliveira em Plataforma.

Resolvemos pedir o prato. O cardápio tinha um monte de nomes que mais pareciam a escalação da seleção da Thecoslováquia da copa de 86. Pedimos um tal de "Salmão ao molho Nagóia". Olhando a descrição do prato, era uma posta de salmão com arroz, acompanhada de um molho à base de Inhame e ervilhas. Eu nem sabia que tinha inhame no Japão.

Enquanto esperávamos o prato, mostrei à gata que estava comigo, um coroa que estava acompanhado de uma deliciosa morena que eu acho que vi naquele site
www.elitegr...deixa
pra lá.
Bem. O cara estava numa marra danada tirando uma de enólogo (aquele cara que sabe sobre vinhos (ou finge que sabe) e faz questão de se mostrar na frente de todo mundo como se só ele entendesse da bebida). E eu de cá, explicando à minha gata os movimentos. Porra. Eu também sei sobre vinhos, eu tenho acesso à internet, tem Lan House lá em Plataforma, caralho. Sei algumas coisas sobre vinhos, mas, não fico tirando onda de muita merda. E não tenho besteira. Eu bebo um autêntico "Pinot Noir" da mesma forma que bebo um "Cantina da Serra" com Coca-Cola e gelo, sem problemas.

E o cara seguia cheirando a rolha, olhando o rótulo, colocando a taça contra a vela, abrindo o buquê, sentindo o tanino e o escambau. Aquele não era um bebedor de vinho. Era praticamente um técnico da NASA.

Chega o prato.

Cara, que mizera era aquilo? Um taquinho de salmão do tamanho de um celular N-73 da Nokia, só que mais fino, acompanhado de uma cumbuca de arroz virada de cabeça pra baixo e três ervilhas de cada lado, melecado por um molhinho derramado em forma de "S". O estômago disse, "Você é viado, porra? Quer me fuder? E eu? Como é que eu fico?"

E ainda por cima, como todo bom pobre neo-classe média, perguntei à minha gata porque o peixe era rosa.

- "É salmão, tabaréu".

E eu lá tenho obrigação de saber que salmão é rosa? Peixe rosa eu só vi uma vez e era porque estava estragado. Nem pedi farinha pra ela não se retar comigo.

Enquanto eu comia, pensava “Como é que gente rica se sustenta?” Aquilo não dá sustança, como dizia meu avô. Se eu comer meu feijão sem farinha, fico logo com fome depois, imagine aquela merreca? Morreria de inanição em dois dias.

Mas ainda tinha a sobremesa.

Seguindo a indicação de minha amiga Camila Cintra, assídua freqüentadora do local (e dos melhores locais de Salvador e Austrália, diga-se de passagem) e burguesa brother, pedi um tal de "petit gateau" que ela tinha me dito ser de cair os dentes de tão gostoso.

Perguntei ao garçom como era o tal Gato Pequeno (tradução minha) e ele me disse em tom de mistério armado, para valorizar a sobremesa, que "era uma sobremesa que congressava harmonicamente o calor com o frio num misto de encantamento e vigor saboroso das duas sobremesas".

Cara. Pela descrição, aquilo não era só uma sobremesa, era o conteúdo do cálice sagrado. Do Santo Graal. Bebido pelo próprio Jesus na Santa Ceia.

Fiquei numa expectativa retada e quando chegou a sobremesa, era um bolinho de chocolate quente, nada demais, que vinha acompanhado de uma bola de sorvete de creme. Era gostosinho sim, mas não vi nada de mais.

Sei que minha amiga Camilinha ao ler isso, dirá que eu tenho o paladar prejudicado pela pobreza, isso porque eu disse uma vez que as trufas do Tango Café de Praia do Forte, que ela e metade da Bahia barona achavam deliciosas, eram meia boca, amargas e caras e que eu preferia uma boa caixa de bombons Lacta.

Mas na moral, o sorvete da Cubana do Elevador Lacerda era mais gostoso do que aquele que acompanhava o Petit Gateau.

No final das contas, gastei mais R$ 25,00 além da cortesia e saí num rango da zorra.

A salvação foi me picar pro Mercado do Rio Vermelho ao lado e forrar o estômago com uma deliciosa moqueca de siri-catado regada com algumas gelosas, sentado numa legítima cadeira de prásco.

Volto num restaurante chique? Claro.

Se descolar uma cortesia de novo... 



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6 de ago de 2011

Quem vai juntar os cacos do velho mundo?

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Ouso misturar na mesma panela a velha Europa e os Estados Unidos, e chamá-los de velho mundo.

A maior crise econômica da história, ocorrida entre 2008-2009, deixou um recado importante, aparentemente ignorado pelos manda-chuvas do capitalismo ocidental: É PRECISO MUDAR!

Hoje, no meio de 2011, o velho mundo está em vias de desabar. Não apenas economica, mas socialmente. Justo eles, os vencedores da batalha Capital X Trabalho, não notaram que o modelo escolhido já acabou. Nações chamadas de desenvolvidas estão em pedaços e tudo leva a crer que não há ninguém capaz de – ou pelo menos, disposto a – juntar os cacos.

O Presidente da maior Nação capitalista do planeta, Barack Obama, pegou um abacaxi e não sabe como descascá-lo. Vai engolir. Disse, ontem, que a culpa é do povo americano que escolheu repartir o poder entre o Presidente e o Congresso. Mentira! Todos os norteamericanos optaram por este sistema econômico maligno que privilegia o Capital, não o controla e espera que ele seja o remédio de todos os males. Está se mostrando venenoso.

Sobretudo na questão social, os EUA patinam. Pisam forte no freio dos benefícios para fazer “caixa” e quitar sua dívida monstruosa. Nunca será paga, nem com o dinheiro do povão dos EUA, que é quem mais pode sofrer as consequências desta crise quase insolucionável. Já se fartaram demais dos outros.

Está tudo no manual do ocidente: deixe o mercado resolver e vá dormir!

Na Europa, o trabalhismo inglês caiu. Também o socialismo português e, na Espanha, é questão de tempo. O conservadorismo francês e italiano, idem. Grécia e Bélgica, ora, se a bomba explodir no colo de suas lideranças politicas ninguém vai perceber.

A questão, hoje, não se limita a adotar uma tendência desta ou daquela cor. Pelo menos no velho mundo. As raízes do capitalismo liberal estão fortes o bastante para anestesiar qualquer desejo de mudança, ou melhor, tratou de misturar todos os velhos desejos e pintá-los da mesma cor; é possivel que um europeu classe média nem saiba mais quem é quem. O norteamericano, nunca soube.

Alemanha e Japão (trago o país do sol nascente para o recheio do mesmo bolo por ser uma potência econômica, apesar de oriental), aparentemente, são os que menos problemas enfrentam entre os grandes. Maiores perdedores da Segunda Guerra Mundial, foram levados a adotar a cartilha dos vencedores; não puderam optar, mas desenvolveram sistemas de controle estatal muito mais rígidos que seus mestres e, talvez como fator determinante, não se envolveram em batalhas militares ou despendem fortunas em projetos bélicos.
Moedas consideradas fortes até ontem, dolar, euro e iene, tornaram-se obsoletas. O velho mundo olha hoje, com muito mais atenção, para Brasil, India e China, antes ignorados. Nos vêem como estranhos e exóticos, mas com capacidade de lidar com os obstáculos que eles, o velho mundo, construiram. Já há os que falam em mudar a moeda para transações internacionais. A China é o maior credor dos EUA e sua moeda chama-se Yuan ...


A lógica irresponsável que colocou o mercado mundial nesta situação é a de fazer girar a roda. 

Aparentemente, tarefa simples, desde que a velocidade seja prudente. A rolagem das dívidas dos países ricos tem sido extremamente desastrosa. Seus títulos, ancorados nas suas moedas, perdem valor a cada abertura de pregão. Quem compra bônus do Tesouro acredita que não há risco em seu investimento mas, diante do caos criado pelo velho mundo, está na iminência de perder tudo.

Aliás, esta é uma das regras básicas do capitalismo: arriscar para ganhar. Mas quando perde, o dono da bola vai embora, acaba a brincadeira e todos choram.

Entre nós, brasileiros, marginais da economia mundial, não é bem assim que acontece.

Apesar das regras serem as mesmas, historicamente temos sido pouco livres no campo econômico. As potências industrializadas abusaram de explorar nossos mercados, via de regra suportando os donos do poder politico através de financiamentos externos e gorjetas polpudas. Investimento produtivo que é bom, nada. Para manter a farra, criaram-se ferramentas capazes de dirigir a economia para onde a vontade de um chefe de Estado quisesse (caderneta de poupança, cheque pré, compra parcelada, sistema tributário complicado, Judiciário lento, PIS/PASEP, vale transporte, entre outros).

Controle bancário rígido, controle de financiamento público e privado, aumento da dívida externa mas não da interna (para pagar juros para os ricos ...), baixissimo investimento social e consequente controle eleitoral da grande massa, via midia. No Brasil, sempre foi assim. Em todos os governos militares, com Collor, Itamar e FHC, o nefasto.

Até surgir um verdadeiro governo que se preocupa com a sociedade. Do Partido dos Trabalhadores.
Queira ou não, a direita nunca foi capaz de fazer um quarto do que Lula fez em oito anos de mandato. Ou nunca quis. Ou acreditava que o mundo seria sempre dos cheirosos.

Sem romper contratos, sem burlar as regras do capitalismo, afinal, não é isso que o brasileiro quer, a economia tupiniquim tomou um rumo diverso; fez a roda rodar. Calmamente e no prumo.

Um dos principios básicos da politica econômica do PT foi a geração e armazenamento de divisas. Mataram dois coelhos; financiando empresas nacionais com dinheiro público para produzir, gerar emprego e renda, e exportar.

Ah, mas hoje o Brasil é um exportador de Commodities, dizem os jornalões. É, sim. E o velho mundo exporta o quê? Nada! Porquê? A China, meus caros, é o maior polo industrial do planeta, capaz de produzir qualquer coisa a qualquer preço!

Mas isso não vale, dizem uns jornalistazinhos.

Como não? Isto é capitalismo puro na veia! Oferta e procura, regra número 1.

Outro fator determinante para nosso relativo sucesso, que provoca inveja ao velho mundo, é que nossa dívida interna também cresce, mas de uma forma positiva. É certo que se pagam juros altos aos banqueiros nacionais, mas seu crescimento está associado à melhora das condições sociais em geral. Via Banco do Brasil e BNDES, o governo empresta para gerar produção, emprego e renda. Como consequência, aumenta o consumo, retira as pessoas da pobreza, e as indústrias e os serviços agradecem.

O círculo virtuoso em que se meteram Brasil, India e China, onde o crescimento de um está atrelado ao do outro sem a necessidade de se ajoelhar aos velhos do velho mundo, serve de exemplo. Além de quê, é óbvio, temos capacidade gerencial, matéria prima, recursos naturais e gente ... muita gente para trabalhar!

Nosso desafio é “administrar o sucesso”, como disse o Financial Times.

Disse ainda: “... esforçado mercado emergente, o Brasil é hoje uma imagem de estabilidade macroeconômica e politica comparada com o seu antes subjugador parceiro do Norte e as antigas potências coloniais da Europa”.

Subjugador. Potências coloniais.
Era isso que eu deveria ter escrito desde o início!
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MÉTODOS TUCANOS: ARAPONGAGEM, DOSSIÊS E ESPIONAGEM.

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Mais de 50 mil páginas de informações sobre partidos politicos, movimentos sociais, igrejas e sindicatos foram produzidas pelos governos tucanos de São Paulo pós-ditadura militar.

É o que revela matéria do portal iG desta semana, assinada por Ricardo Galhardo. Clique aqui para ler matéria completa.

O DCS – Departamento de Comunicação Social da Policia Civil de São Paulo, criado em 1.883 pelo então governador tucano Franco Montoro, substituiu o temido DOPS – Departamento de Ordem Politica e Social, braço criminoso da ditadura militar, infiltrava agentes da Policia Civil paulista em eventos partidários, fotografava e elaborava dossiês sem que houvesse qualquer indício de crime. Acompanhava todos os movimentos de lideranças politicas e de entidades populares com a única finalidade de obter informações sigilosas para o governo tucano.

Os documentos a que o portal teve acesso comprovam atos de arapongagem e espionagem a mando do governo de São Paulo, contra todos os partidos politicos da época. Em 1.995, em seguida à posse do governador tucano Mario Covas, as referências ao PSDB e PFL (atual DEM) subitamente acabam. Mas continua a espionagem contra o PT, CUT, artistas e Igreja. Em 1.999, Mário Covas extingue o DCS.

Não é de se estranhar as frequentes denúncias dos tucanos contra dossiês petistas. O método utilizado por nomes importantes do PSDB é exatamante o de produzir informações, via espionagem, que os leve a obter munição contra a esquerda brasileira. Fizeram isso mesmo depois de 15 anos do fim da ditadura militar, que eles dizem terem combatido.

Medo.
A pouca habiliadade politica destes cidadãos covardes, amparados sob uma suposta social-democracia, os faz acreditar estarem acima das leis e do dever politico. O pavor de perderem eleições para grupos à esquerda os fez – e deve ainda fazer – tomarem atitudes ilegais e desonestas. Qual outra explicação para o uso de uma entidade estatal, a Policia Civil, para transformar um policial em bandido, já que se valeram de espionagem criminosa?

É muito provável que meios de comunicação tiveram acesso a estas informações produzidas na ilegalidade. A estreita ligação do alto comando tucano com a parte reacionária da midia brasileira pode ter começado nesta época. Todos sabem que as familias que controlam os grandes veículos da imprensa eram comprometidas com os militares golpistas e, para manter seus privilégios e gordos anúncios, devem ter auxiliado na busca da informação.

Uma verdadeira máfia.
Segundo o iG, o dossiê 079(PT) está recheado de recortes de jornais e transcrições de reportagens de TV à respeito de Lula, Marta e Eduardo Suplicy, José Dirceu, Leonel Brizola, Miguel Arraes; das crises do PT e de suas disputas internas; também de movimentos populares e de nomes como Chico Buarque, Martinho da Vila, Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros. Há nele, ainda, relatos de infiltração de agentes do DCS em eventos petistas além da produção de informação própria, tipico trabalho de espiões.
O dossiê 305 é exclusivo para o então prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Palocci, visto pelos tucanos como uma forte liderança. Tudo acompanhado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.


Vale lembrar a história.
Em 1.998, um ano antes da extinção oficial do DCS, tanto Mário Covas quanto Fernando Henrique Cardoso, o nefasto, foram reeleitos para o cargo de Governador de SP e Presidente da República, respectivamente. É lógica a suposição de que estes dossiês serviram de base de informação, ou, até, chantagem, para a as campanhas eleitorais destas figuras nocivas. Na ilegalidade.

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30 de jul de 2011

"UM IDIOTA PERDEU A MODÉSTIA"

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O Ministro da Defesa parece ter perdido a modéstia.

Talvez ele se acredite algo que não é. A velha história de não saber controlar a verborragia diante de um holofote.

Talvez ele esteja assumindo bico e pena de ave; saindo do armário definitivamente, colocando de lado a prudência que o cargo merece. Sem falar na falta de inteligência e da pouca habilidade política, que o cargo exige.

Nelson Jobim foi ministro de FHC, o nefasto, de Lula e, agora, de Dilma. Está à beira de ser demitido por causa de seu comportamento.

Não pelo fato de ter votado em José serra nas últimas eleições, afinal, é maior de idade e livre para votar em que quiser. Mas por ter declarado o voto em entrevista publicada esta semana.

Apesar de filiado ao PMDB, todos sabiam qual era sua opção de voto na última eleição. Não satisfeito, preferiu dar uma declaração a jornalistas e, mesmo sabendo que a matéria seria publicada no dia seguinte à entrevista, não revelou o teor a Presidenta Dilma Rousseff.

Como ministro, não teve capacidade de concluir a compra dos aviões de caça Rafale; perdeu espaço nas negociações jurídicas por incapacidade. Confidenciou a pessoas ligadas a ele que não ficaria muito tempo no cargo. Tchau!

Ontem, em evento no Planalto, foi tratado com frieza por sua superior. Se tivesse pedido demissão, seria aceita imediatamente. Prefere se arrastar no cargo por pura falta de modéstia. Já não há cerimônia quando o assunto é sua demissão, questão de horas.

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O título do post, entre aspas, refere-se a uma declaração do próprio Jobim, feita na homenagem a FHC, o nefasto, há pouco tempo. Usara estas mesmas palavras referindo-se ao governo atual. Ele negou a referência. Agora, servem para ele, sem dúvida alguma.

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23 de jul de 2011

MIDIA REACIONÁRIA PÕE A CULPA NOS "DE SEMPRE".

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Para não perder o costume e visando a manutenção da falta de caráter, a revista ISTO É publicou matéria em seu site acusando a Al Qaeda de ter cometido os atentados em Oslo, na Noruega, ontem, que mataram quase uma centena de pessoas. Clique aqui para ler a mentira direto na fonte.

Resumindo, veja as imagens que tratam de associar as explosões nos prédios do governo e a chacina na ilha Utoeya a Ayman Al-Zawahiri, suposto sucessor de Osama Bin Laden.


Repare que a data da publicação é 22/Jul às 21h00, portanto, logo depois da tragédia ser divulgada pelas agências de notícias. A mesma matéria foi atualizada, entretanto, hoje às 15h35, (veja as setas na imagem), depois que a maioria dos jornais já davam como certa a participação de um norueguês, conforme dito pelas autoridades policiais da Noruega.

O jornalista que escreveu estas mentiras não assinou a matéria; jogou para o público a idéia de que os mesmos "de sempre", terroristas árabes islamitas, são os responsáveis pelas mortes.

É, de fato, muito estranho a ISTOÉ deixar no ar a reporcagem. Mas até as 16h25 de hoje, a matéria continua no site da revista.

A intenção, pelo que se nota, é insistir na mentira, e não dar a menor bola para o leitor. Pior, trata quem lê a revista de idiota ao insistir na tese do terrorismo de origem árabe.

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Os atentados da capital da Noruega foram classificados de "tragédia nacional" pelo Primeiro-Ministro do país, Jens Stoltenberg, do Partido Trabalhista Norueguês. Em duplo ataque, foram detonados explosivos em um prédio público e, pouco depois, atingiram a tiros dezenas de inocentes que acampavam na ilha Utoeya, matando, até agora, 92 pessoas. Ainda há desaparecidos, e o número pode crescer.

Um suspeito foi preso próximo à ilha vestindo uniforme da policia, e identificado como Anders Behring Breivik, 32 anos, ligado à militância politica de extrema-direita. O porta-voz da policia local, Trine Dyngeland, disse acreditar na participação de um segundo terrorista, "apesar de não haver relatos concretos de um segundo atirador".

Os ataques ocorreram com uma diferença de duas horas. Autoridades acreditam que Anders tenha detonado um carro-bomba e partido para o ataque à ilha, que fica a pouco mais de 40 quilômetros de distância. O prédio atingido era a sede do governo norueguês, onde fica o gabinete do Primeiro-Ministro. Ele não estava no momento das explosões. Diversas pessoas se feriram e, no mínimo, nove morreram no local.

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Como se vê na foto ao lado, publicada pela policia de Oslo, o suspeito é branco, cabelos loiros e olhos azuis. Em nada se parece com um fundamentalista islâmico da Al Qaeda.

Em sua residência, autoridades encontraram mensagens postadas na internet com claro conteúdo anti-islã além de material que comprova ser um fundamentalista cristão e ultradireitista.

Após o ataque na ilha, que durou mais de uma hora e meia, segundo relato de testemunhas à emissora pública NRL, o suspeito se entregou à policia sem opor resistência. Ele carregava duas armas.

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21 de jul de 2011

QUEM É CORRUPTO NO BRASIL?

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Ultimamente, tenho lido nos grandes portais - a verdadeira oposição - uma tentativa de incitação da população para um movimento anticorrupção. Uma reedição do " Cansei!", outrora articulado pela midia reacionária com apoio da classe média paulistana atrasada que pretendia derrubar o Presidente Lula.

O alvo, agora, é Dilma Rousseff.

Colunistas mostram-se indignados com a falta de reação do povo - sempre o povo! - em relação aos "escândalos" que, dia sim, dia não, esta mesma midia trata de difundir. Como se fosse um fenômeno recente e exclusivo do Partido dos Trabalhadores. Como se a própria midia corporativa - e seus articulistas, seus patrões e, até mesmo, seus leitores - fossem as pessoas mais éticas do planeta.

Calma. Não acuso a população de ser corrupta. Mas, que existe uma tendência a " levar vantagem em tudo", em todas as classes sociais, isso é inegável. Ou, se preferirem, a corrupção está tão culturalmente enraizada no subconsciente coletivo, que qualquer pessoa, diante da possibilidade de ganhar "algum" desonestamente, faz o que for preciso.

Semana passada, tomei um taxi em Recife para um trajeto de 30 minutos entre a Boa Viagem e o bairro dos Aflitos, próximo ao Náutico. O motorista, um jovem chamado Diego, falante e muito bem humorado, me disse, assim que entrei, que seu sonho era ser cantor. E cantou durante quase todo o percurso, criando um clima divertido - apesar de não ser nada afinado.

Ao final da corrida, disse que ser cantor conhecido só é possível para quem tem muito dinheiro para a divulgação de seu CD, porisso, sem qualquer escrúpulo, e como se fosse a coisa mais natural do mundo, confessou que se lançará candidato a vereador de Recife. "Se ganhar vou enricar, gravo meu CD e fico famoso".

Diego, do alto de seus vinte e poucos anos, acredita que, sim, se pode roubar. Ele, e mais alguns muitos milhões de brasileiros. Ricos, milionários, pobres e classe média; qualquer um que pode dar uma "gorjeta" a um guarda de trânsito, ou furar a fila do ônibus, ou pedir uma Nota Fiscal no restaurante acima do valor, para reembolso da empresa. Pior, aquele empresário que sonega impostos ou suborna o fiscal da Secretaria da Fazenda ... ainda, um jornalista que forja um depoimento ou favorece um delegado de policia para ter a melhor imagem de um "furo"... poderia citar muito mais!

É importante que a cultura da corrupção desapareça e se torne alvo de toda a sociedade.
Não são apenas os politicos os corruptos, mas a sociedade. Eles nos refletem por terem sido eleitos. E se você, leitor, achar que existem pessoas que não se corrompem na sociedade, deverá acreditar que nem todos os politicos são corruptos também.

Porisso, antes de acusar este ou aquele, é bom que cada um pense na sua própria conduta, ou saia às ruas gritando que "cansou".

Vai fazer papel de bobo.

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16 de jul de 2011

E o barco vai afundando ...

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AFINAL, DEMOCRACIA É GARANTIA DE BEM ESTAR
E CRESCIMENTO ECONÔMICO?

A resposta é simples e óbvia: NÃO!

A crise econômica que afeta a Comunidade Européia e os Estados Unidos – maiores democracias do planeta – comprovam a afirmação acima.

Milhões de trabalhadores dos países mais democráticos do mundo estão, neste momento, afetados pela irresponsabilidade de seus governos, seja pela falta de emprego, seja pelo endividamento particular que cada um deles foi levado a produzir, via consumo capitalista.

Por outro lado, as Nações que demonstram maior poder de reduzir os efeitos da crise econômica atual são aquelas em desenvolvimento: Brasil, Russia, India, China e África do Sul. Destas, provavelmente apenas o Brasil seja plenamente democrático; mesmo assim, com sensivel atraso em relação a UE e EUA, visto que certas áreas, como saúde e educação, ainda não atingem a totalidade da população. E, convenhamos, ainda estamos engatinhando no quesito bem estar.

Russia, India, China e África do Sul são países ainda mais distantes da democracia pregada como ideal pela Europa e EUA; Russia, India e África do Sul vivem às voltas com tensões internas de grupos separatistas, religiosos ou étnicos isolados das decisões politicas, e a China, ainda comunista, não pode nem ao menos ser classificada como um país democrático na sua essência, que é a liberdade individual.

Então, qual a relação entre democracia e bem estar? Entre democracia e crescimento econômico?

Esta crise, grave – e, talvez, irreversivel do ponto de vista capitalista - demonstra a fragilidade do sistema. É tão antiga e previsivel que os governos do bloco europeu e dos Estados Unidos adotam medidas desde o pós-guerra fria para tentar frear o caos. Paradoxalmente, foram estas as medidas que nos colocaram à beira da falência do capitalismo, cuja lógica é o consumo e o livre mercado.

A não relação entre democracia e bem estar começa a ser defendida por alguns teóricos ocidentais. O inglês “Financial Times”, por exemplo, tenta desenhar um paralelo entre as crises norteamericana e européia que, históricamente, seguiram padrões distintos de desenvolvimento com democracia.

Enquanto a União Européia consolidou seu crescimento com certo intervencionismo estatal, com determinados benefícios para os assalariados e garantias na saúde e educação, os estadunidenses lastrearam seu desenvolvimento no livre mercado, na iniciativa privada e na flexibilização do mercado de trabalho. Ambos, entretanto, enfrentam as mesmas consequências de suas irresponsabilidades, e não sabem mais o que fazer!

Gideon Rachman, editor chefe do FT, disse que “o problema básico é o mesmo. Os Estados Unidos e a União Européia têm suas finanças públicas fora de controle e possuem sistemas politicos que não conseguem resolver o problema. A América e a Europa estão afundando no mesmo barco!”.
Em editorial, o francês “Le Monde” afirma que as democracias ocidentais deste começo de século XXI estão “todas gravemente endividadas. Além do mais, esse endividamento público precede a crise financeira de 2008-2009”. O momento atual parece ser o resultado de anos de práticas nocivas nas economias da Europa e dos EUA.

O que se apontava como a solução de todos os males – o mercado – acaba sendo o motor da derrota. Em determinado momento, os agentes econômicos privados acordaram para o mundo real, e enxergaram diante de si a falta de credibilidade que os governos capitalistas criaram. O endividamento além da capacidade de liquidação das dívidas gerou o medo de perder dinheiro, e os capitais começaram a circular de forma confusa, desconexa e arriscada atrás de lucros, ou para diminuir os prejuízos. Lei de mercado ...

As seguidas guerras em que os países democraticos ocidentais se meteram desde meados do século passado tem significatica parcela de (falta de) responsabilidade nas consequências que hoje atingem o mundo. Engana-se quem pensa que só os EUA fizeram guerras. Na imensa maioria delas, pelo menos nas mais recentes, quase todos os paises europeus enviaram tropas e material bélico, além de Austrália e Canadá. A qual custo?

Chegamos ao ponto de ter que encontrarmos uma solução. E rápido. As populações que agora começam a sofrer graves danos econômicos – falta de emprego e perda de poder aquisitivo – parecem querer reagir. Não estão habituados a reduzir o consumo nem a perder o status quo. As interrogações quanto à definição do rumo a ser seguido pelos governos são imensas e o custo social, ainda maior.

Por enquanto, gregos, irlandeses, espanhóis e portugueses se manifestaram. Na França e Itália, timidamente. Ainda. E quando os norteamericanos notarem que passam por problemas, que terão de reduzir suas compras e seus desperdicios, como será a reação? Pior, tanto republicanos quanto democratas seguem a mesma cartilha capitalista, portanto, mudar de governo não muda a crise.

Os meios disponíveis para solução estão esgotados. Jogar dinheiro no mercado, reduzir taxa de juros a quase zero, interferir nas bolsas e nos mercados de futuros, criar barreiras alfandegárias, enfim, nada disso é capaz de trazer de volta a credibilidade que o mercado tanto deseja. Pelo contrário, coloca mais pulgas atrás da orelha de quem investe, pois aumenta o rombo nas contas públicas. E, notem, os discursos eleitorais dos chefes de Estado da UE e EUA prometem ainda mais recursos públicos para a população, inclusive Barack Obama que se comprometeu na reforma do sistema de saúde e ajuda aos mais pobres.

Como será, então, que vamos superar esta crise?

A única saída – e começa a existir um grupo de filósofos que expressam este sentimento – será o fim do livre mercado, um modo CAPITALISMO FLEX mais rígido, onde o controle dos meios de produção sejam mais efetivos, onde a quantidade de dinheiro investida seja proporcional à geração de riqueza do povo de cada Nação, bem diferente do que ocorre hoje. Leia aqui o que este blog falava ainda em 2009 sobre o comportamento dos EUA na economia.

Ainda assim, terão enormes dificuldades os países democraticos capitalistas para assumirem o fracasso do modelo. Quem acredita que um candidato americano irá dizer, OK, vamos ficar de olho nos investidores especulativos e nas empresas que não geram emprego mas tomam dinheiro do governo. Quem terá coragem para tanto?

Voltando para a economia interna do Brasil. O modelo escolhido pelos dois governos do PT é bastante diferente dos anteriores, e bem distante da Escola de Chicago e do Consenso de Washington. A China, idem. O mesmo para África do Sul, India e Russia, que optaram, como nós, para o crescimento interno com distribuição de renda.

O que assusta os neoliberais americanos e europeus é que nós, estes países que passam ao largo da crise, criamos meios de sustentar nosso crescimento e consumo; estamos trazendo para a economia aqueles que sempre estiveram à margem dela. Esse movimento gera crescimento interno, sustentável e seguro, enquanto o resto do mundo democrático e capitalista patina na onda da economia fora de controle.

Em certo momento, de uma forma ou de outra, a crise vai passar e a superação deixará lições. Mas é importante, desde já, sabermos que a democracia não está atrelada ao bem estar da população; que se pode, a depender das escolhas que se fazem, alcançar melhores resultados. E estas escolhas não podem estar amarradas ao capitalismo da forma que existe hoje.

Para finalizar, e para que fique bem claro o ponto de vista deste blog, o navio da democracia capitalista está afundando. A máscara atrás da qual o ocidente democrático capitalista se esconde vai cair; o que precisamos é ter liberdade o bastante para dar um basta na brincadeira de mal gosto em que nos meteram. A dáemocracia é um meio, desde que os povos mais desenvolvidos entendam que está na hora de repartir o que acumularam até hoje. É fundamental, mas deverá servir para produzir mudanças que coloquem os interesses coletivos na frente dos individuais; dos interesses de todas as Nações e não somente daquelas mesmas de sempre.

Porque, no capitalismo atual, a democracia tornou-se apenas um instrumento de compra de modelos econômicos que, comprovadamente, não funcionam mais.
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7 de jul de 2011

BARRACO NO SENADO FEDERAL.

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O candidato derrotado nas ultimas eleições presidenciais, José Serra - freguês do PT - protagonizou um verdadeiro barraco na semana passada, em pleno gabinete do senador paranaense Álvaro Dias, em Brasilia.

Dedo em riste, aos gritos, tirou satisfações do deputado federal Marcus Pestana, mineiro, mas tão tucano quanto ele, por este ter supostamente falado mal de Serra em maio passado.

Na presença de mais de vinte pessoas, tom de voz alterado (para cima), disse que " éramos amigos!".

"Tá doido, Serra?", respondeu Pestana sem pestanejar. (NdoR - desculpe).


A explicação pela fúria tucana deve-se ao empenho que Marcus Pestana teria feito para reconduzir outro candidato derrotado, Tasso Jereissati, à presidência do Instituto Teotônio Vilela - cargo cobiçado por Serra, que acabou sendo compensado com o comando politico do PSDB, cargo inventado para não deixar José Serra sem ter o que fazer da vida.

Mal agradecido!
Pestana foi o mais serrista dos mineiros, cujo dono do PSDB local é Aécio Caí-do-Cavalo Neves, inimigo número 2 de José Serra. (O inimigo número 1 é Lula, por tê-lo derrotado seguidamente). Mesmo assim, tratou o deputado de forma ríspida e sem qualquer educação na frente de inúmeros correligionários.

- "Se eu apresento recortes de jornais vou te deixar constrangido", continuou Serra, e finalizou o entrevero com um "... sossegue agora!" ainda mais deselegante.

Este blog recomenda chá de semente de sucupira como calmante ao derrotado Serra, freguês do PT.
Estas sementes são facilmente encontradas em casas de produtos naturais

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Fontes da notícia - O Globo e UOL.
Obs - Chá de semente de sucupira também é um santo remédio para a coluna.
Coluna dorsal, quis dizer!
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2 de jul de 2011

Um Zé chamou o governo de incompetente.


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Um tal Zé da Serra publicou uma carta que, em sonho, seria consenso entre os dirigentes de seu partido. O comando, entretanto, recusou aceitar aquilo que o tal Zé escreveu. Ele postou no seu site; o presidente da sigla disse assim: “ O partido não tem uma manifestação sobre isso”.

Para resumir o que o tal Zé da Serra disse – a leitura é chata, longa e cheia de erros de português – este blog fez um resumão, a seguir.

Ø     Paulistas de São Paulo, saibam que o povo brasileiro foi burro ao eleger aquela  mulher para o cargo de Presidente da República; ela é lenta e não faz as coisas que eu gostaria que fizesse.

Ø     O PT é um partido corrupto que não saberá construir o Trem-Bala.

Ø     Se fosse eu, criaria emprego para todos, mas emprego de qualidade, não esta merreca que Dilma Rousseff está criando.

Ø     Lula fez um péssimo governo. Não entendo como o povo burro do Brasil o elegeu duas vezes, e sua sucessora. Como prescindiram de mim, um homem tão capacitado?

Ø     A Copa do Mundo será um fracasso; os aeroportos são um caos.

Ø     O PT vai acabar com as indústrias no país e o povo será obrigado a se tornar agricultor.

Ø     As alianças políticas externas do PT são a clara manifestação da negação dos Direitos Humanos. Ao invés de darem os braços para os norteamericanos, preferem Ahmadinejad.

Ø     A oposição não pode deixar esmaecer a ideologia da militância, nem discutir, agora, as alianças para as próximas eleições.

Como se pode perceber, a bolinha de papel produziu estragos na cabeça do tal Zé.

Ele, ainda, cita os finados Paulo Renato e o ex-Presidente Cardoso, o invejoso e moroso, como exemplos de homens públicos. Dos seus pares vivos, nada.

Talvez a única frase certa que ele soube produzir foi em relação à militância, que esmaece a cada eleição perdida.

Junte todos os militantes numa Kombi e dê uma volta. Quem sabe um pouco de ar fresco no rosto pode servir para reanimar a tucanada ...

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NdoR – por erro, mencionei FHC como finado. Não é. Mas pouca gente percebeu.

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28 de jun de 2011

CUSTO OU LUCRO BRASIL?

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Pesquisa prá lá de interessante realizada pelo banco inglês Morgan Stanley revelou um dado importante e pouco comentado: a margem de lucro no Brasil.

Adam Jonas, responsável pela pesquisa, afirmou que a margem de lucro das montadoras no Brasil, por exemplo, é 3 vezes maior que a de outros países.

Citou um exemplo.

Calculou a margem de lucro adicional no Honda City LX, produzido no interior de São Paulo, quando exportado para o México. Alcançou a importância de R$ 15,5 mil de lucro extra para a montadora Honda do Brasil. Sem contar que no veículo exportado há alguns ítens de série adicionais.

O que disse a Honda sobre isso ao ser consultada? “Não fala sobre o assunto”, foi a resposta.

É comum a grande imprensa e os órgãos patronais dizerem que a carga tributária e o alto custo da mão de obra no Brasil são impeditivos. É um discurso antigo que pretende retirar custos apenas do governo e dos trabalhadores.

Outro exemplo, sempre falando de automóveis, parte importante na construção do PIB brasileiro:
De 1997 para cá, os critérios de taxação sobre veículos foi alterado. O carro popular 1.0 teve acréscimo de 0,9 ponto percentual na composição do imposto a pagar mas, nas demais categorias, o imposto diminuiu. Um carro não popular a gasolina paga, em média 4,4 pontos percentuais a menos; no segmento luxo, o imposto caiu 0,5 ponto no carro a gasolina e 1 ponto no modelo à álcool/flex.

Ainda, durante a crise financeira mundial, o governo brasileiro retirou carga substancial de impostos sobre carros 1.0, entre dezembro de 2008 e abril de 2010, mas grande parte deste desconto não foi repassado para o consumidor final, aumentando o bolso já gordo das montadoras estrangeiras no Brasil.

Como sempre acontece, a choradeira maior é de quem pode mais. A eles é dada a voz que o trabalhador não tem. É fácil querer retirar dos outros para aumentar as vendas – e as margens de lucro – enquanto se está pensando só no próprio umbigo.

Para entender melhor, façamos um raciocínio simples e lógico: quando foi criada a CPMF, no governo tucano, os empresários gritaram e aumentaram preços, repassando para o consumidor esta carga adicional. Entretanto, quando foi retirada a mesma CPMF, já no governo Lula, você, caro leitor, viu, soube, ou ouviu falar de algum produto que teve seu preço reduzido pela diminuição do imposto?

Não?
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26 de jun de 2011

CRÔNICA DA TRAIÇÃO NA FAVELA

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 Diz que Seu Fernando andou se engraçando com Dona Miriam no tempo em que ele ainda nem era secretário da Associação de Moradores do Morro da Realeza, no subúrbio. Era bastante conhecido, na época, bem casado e pai zeloso de três filhos. Um exemplo de bom marido na comunidade.

Ao se ver embuchada, Dona Miriam correu para o patrão. Pediu ajuda, ameaçou. Seu Roberto, dono do jornal do bairro, se enfureceu. Ele não queria que ela abrisse o bico; devia favores a Seu Fernando e chamou Dona Miriam para um conversório no particular. O encontro foi no barraco de Seu Itamar, presidente da Associação.

Vizinhança ouviu gritos e xingamentos, depois, o choro de uma mulher. Lá pelas tantas, Dona Miriam foi vista saindo do barraco com uma pequena mala, pouca coisa. Nunca mais apareceu por aquelas bandas, foi embora sem nem levar o jogo de sofá que havia acabo de comprar à prazo.

Seu Fernando ligou para compadre Roberto, que atendeu em sua pequena sala, ao lado da pilha de papel jornal. Espaço apertado, não podia falar como queria. Havia mais gente na redação e estavam fechando a edição semanal.

- Fica calmo, tudo vai dar certo. Daqui não sai nada. Cuida pra teu povo se calar também.

Recado dado. Seu Fernando sentiu alívio. Podia confiar. Desceu o morro e foi beber com os amigos. Ficaram no pagode até de manhã, quando a luz do sol bateu no beco de entrada da favela. Seu Fernando subiu para casa.

No cômodo das crianças, entrou em silêncio. Passou a mão no cabelo de Bia e de Lu, suas filhas, que dividiam o mesmo colchão; parou para olhar o rosto de Paulo Henrique, seu filho, que dormia profundamente no colchonete, no chão. Por um instante, quase chorou. Conteve a lágrima e saiu sem fazer barulho.
 
- Já acordada, Rutinha? Vê se dorme, mulher. – disse para a esposa que abria os olhos.
- Vou levantar. Tenho roupa pra lavar! – ela respondeu, bocejando.

Depois de ter sido secretário de Seu Itamar, Fernando acabou conquistando a cadeira de Presidente da Associação. Foi uma festa grande, com muita cerveja, muitos amigos, muita badalação; ele sempre soube que teria esse cargo, fazia por merecer. Tinha trazido luz elétrica para o Morro da Realeza através de um amigo vereador. Seu Roberto ajudou muito fazendo propaganda em seu jornal.

Assim foi que Seu Fernando ficou famoso. Até reformou o barraco que vivia e mandou os filhos estudarem em colégio do centro da cidade. Rutinha, que não gostava de aparecer, era quem preparava os discursos do marido quando ele, lá do alto do Morro, falava para a comunidade.

O tempo foi passando.
De vez em quando, um recado do compadre Roberto o deixava nervoso. Era sempre a mesma coisa. Dizia que o açougue e a lavadeira cancelaram a propaganda no jornal do bairro, que estava passando necessidade e mal dava pra pagar o papel e a tinta. Lá ia Seu Fernando mandar algum anúncio da Associação, nem que fosse apenas para dizer que no dia da Padroeira do Morro da Realeza a Associação faria uma macarronada coletiva para todos os moradores. Ficava incomodado com a situação, mas sempre cedia.

Uma noite, poucos dias antes de morrer, seu Roberto quis que seu compadre conhecesse o filho de Dona Miriam. Foram de ônibus por mais de 200 km até chegar num vilarejo onde Dona Miriam vivia. Era um casebre simples, mas não faltava nada nem a ela, nem a Tomás, o filho deles.

Depois da morte de Rutinha, Seu Fernando se entristeceu. Já não era mais tão importante na comunidade; seus filhos estavam crescidos e seus amigos, muitos deles, o haviam esquecido. A comunidade do Morro da Realeza, agora, vivia tempos de mais prosperidade; o novo presidente trouxera água e asfalto; até um posto de saúde havia sido construído por lá. Seu Fernando sentia-se velho e abandonado; pouca gente costuma ficar no alto do Morro para ouvir seus discursos.

Foi atrás de Tomás quando o garoto se formou no colégio. Dona Miriam ficou feliz. Decidiu assumir o menino; queria, de novo, ser chamado de papai. Contou para todo mundo da favela que tinha um filho. Disse que não tinha contado antes para não magoar Rutinha. Já não fazia muita diferença na comunidade o que ele tinha a dizer.


Os filhos de Seu Fernando não gostaram da notícia. A casa de três cômodos que eles moravam teria mais um dono. A TV de 32 polegadas e a geladeira duplex era só deles.

Ameaçaram ir ao programa do Ratinho pedir exame de DNA. Seu Fernando não gostou. Seus poucos amigos deram conselhos; era melhor fazer o tal exame para que Dona Miriam não ficasse mal vista. Ele concordou. Foi ao posto de saúde. Marcaram para apanhar o resultado em quinze dias.

Chovia na tarde em que Seu Fernando sentou na parte mais alta do morro. De lá, podia ver o tamanho da comunidade e a quantidade de novos barracos que chegaram com o progresso. A cobertura sobre sua cabeça deixava gotas de água molharem seu parco cabelo. Ele lembrou de Rutinha e dos discursos que ela escrevia quando ele subia para falar para seu povo. Era um tempo bom, quando seus amigos o admiravam e ele era querido.

Rasgou o envelope que acabara de buscar no posto de saúde. De dentro, retirou um papel. Havia muita coisa escrita; esfregou os olhos e colocou os óculos para começar a ler. A chuva quase molhou o papel, mas ele se inclinou para apanhar a luz que vinha do poste acima dele e desviou da água. Sentiu um nó na garganta e vontade de chorar. O papel dizia que Tomás não era seu filho.

Levantou dali e, silenciosamente, a passos lentos, foi descendo os degraus que o levariam para casa. Precisava beber aquela cachaça que estava escondida na penteadeira.

Ouviu um grito vindo da casa de Dona Joana, a faxineira do Posto de Saúde. Virou-se para olhar e viu a boca desdentada dela, que sorria, e dizia sem bem alto e sem parar:

- Olha o corno, gente, olha o corno ali!

Todo mundo na comunidade riu dele. A cada degrau que descia, mais vozes repetiam o que Dona Joana acabara de dizer. Velhos e crianças que ali estavam também riam dele, apontavam o dedo enquanto ele passava. Até que ele entrou em seu barraco de três cômodos e bateu a porta.

Seu Fernando precisava ficar só.

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