27 de mai de 2008

“AS SUPERSTIÇÕES MAIS INFANTIS”


O jornal espanhol EL PAÍS publicou uma carta escrita pelo cientista Albert Einstein.
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Trata de religião.
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Poucas vezes ele tocou nesse assunto.
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O texto foi traduzido por mim, porisso, passível de erros.
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O nome da matéria é “AS SUPERSTIÇÕES MAIS INFANTIS”.
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Abaixo, o texto.
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"As opiniões de Albert Einstein sobre a religião foram objeto de polêmica entre os especialistas. Uma carta inédita, remetida ao filósofo Eric Gutkind em 1954 agora mostra um gênio mais cético. A seguir, extratos de sua missiva, publicada pelo The Guardian.

(...)A palavra Deus, para mim, não é mais que a expressão e o produto das debilidades humanas, e a bíblia uma coleção de lendas dignas, mas primitivas, que são bastante infantis. Nenhuma interpretação, por mais sutil que seja, pode mudar isso (para mim).Tais interpretações sutis são de natureza variada, e praticamente nada tem a ver com o texto original. Para mim, a religião judaica, como todas as demais religiões, é uma encarnação das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual me alegro de pertencer e com cuja mentalidade tenho profunda afinidade, não tem nenhuma qualidade diferente, para mim, às dos demais povos. Segundo minha experiência, não são melhores que outros grupos humanos, se muito estão protegidos dos piores cânceres porque não possuem nenhum poder. Além disso, não vejo nada de ‘escolhidos’. Dói-me que o Sr. reivindique uma posição de privilégio e trate de defendê-la com orgulho, um externo, como homem, e outro interno, como judeu. Como homem reivindica, por assim dizer, estar isento de uma casualidade que até aceita, e como judeu, o privilégio do monoteísmo.Mas uma casualidade limitada deixa de ser casualidade como nosso maravilhos Spinoza reconheceu de maneira incisiva, certamente antes de todos. E as interpretações animistas das religiões e da natureza não estão, em princípio, anuladas pela monopolização. Com barreiras semelhantes só podemos nos enganar (...) a nós mesmos, mas nossos esforços morais não saem beneficiados. Pelo contrário. (...)"

Um comentário:

André disse...

Bom texto. Parabéns!