19 de out de 2008

ELOÁ CRISTINA PIMENTEL, 15.

Atestada a morte cerebral da jovem Eloá, que o Brasil conheceu através da TV, começam as discussões a respeito das responsabilidades.

O Coronel da PM de São Paulo, Eduardo Félix, foi o responsável pela operação desastrosa que levou a vida de uma criança de 15 anos. A cobertura da imprensa mostrou ao vivo o momento da invasão do apartamento onde ela - e outra adolescente, da mesma idade - permeneceu em cárcere privado por 5 dias.

Parece piada, mas o coronel disse à imprensa, depois da tragédia, que agiu como se um de seus filhos estivesse sob a mira do revólver do assassino, Lindemberg Alves, ex-namorado da vítima. Disse isso depois do desfecho, óbviamente. Eloá não era sua filha. Eloá, hoje, é apenas um número na estatística do crime na maior capital do país.
O coronel dormiu esta noite, confortavelmente, na sua cama, depois de falar com seus filhos.

Mas, lendo a respeito da operação de resgate das meninas sequestradas, surgiram algumas dúvidas que precisam ser esclarecidas.

- Na mesma semana do sequestro, houve o confronto entre as polícias civil e militar nas redondezas do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado. O desgaste do governador foi imenso, pois as duas instituições estão sob seu comando;

- Na mesma semana, pesquisas de intenção de voto mostraram a candidata Marta Suplicy diminuindo a vantagem de seu opositor na campanha para prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab, apadrinhado pelo governador José Serra;

- As negociações no caso do cárcere privado a que Eloá estava sendo submetida se arrastaram por um período muito longo, exageradamente longo, o maior da história em crimes do gênero. Com a cobertura ao vivo de toda a imprensa, era manchete principal de todos os jornais, e o desgaste do governo era proporcional ao tempo que se arrastavam as negociações.

- O episódio do retorno da refém, que já havia sido libertada, ao cativeiro, foi classificado por especialistas como o maior erro tático da inteligência da Polícia Militar, mesmo antes do final da operação. A garota foi baleada no rosto, não corre risco de morte, mas foi levada ao cenário do crime sem necessidade. Foi exposta ao risco deliberadamente, mesmo sendo menor de idade.
( porque o coronel Félix não sugeriu ao sequestrador que um de seus filhos fosse feito refém? Com certeza, Lindemberg aceitaria ...)

Tudo me leva a crer que a invasão do apartamento foi determinada às pressas. Ninguém sabia que haviam móveis trancando a porta de entrada do apartamento, o que causou a demora da invasão, propiciando tempo ao assassino para atirar das moças.

A PM não usa tecnologia em casos como esse? Não foram usadas câmeras, sensores, microfones, nem mesmo o depoimento da refém libertada para escanear o local onde seria feita a invasão?

Se, mesmo assim, a invasão aloprada aconteceu, quais foram as razões para a tomada da decisão?

O responsável técnico, coronel Félix, tinha total poder para decidir o momento da ação, ou teve que se reportar a seu chefe imediato, o governador José Serra, pedindo autorização?
O governador sabia que a PM invadiria o local? Autorizou? Ou foi ele quem ordenou?

É muito provável que nenhuma destas dúvidas sejam esclarecidas com a decência que o episódio merece. Estas dúvidas não são apenas minhas. São de todos os brasileiros.

Governador José Serra: A morte de Eloá Cristina Pimentel, 15, está na sua conta.

Sua biografia já contém o sangue da menina assassinada.

O preço está na sua consciência.
***

Um comentário:

La Pasionaria disse...

O que mais me incomoda nessa estória toda é a postura do PT. Qualquer cabeça de bagre ( com respeito a todos os peixes) se acha no direito de falar, em cadeia nacional, as asneiras que esse bufão chamado Serra falou sobre o partido político mais democrático e com a história mais linda deste país. Não é a primeira vez que falastrões desse tipo vomitam asneiras na midia e fica por isso mesmo. Ainda não me esqueci do abestalhado secretário de segurança pública do governo Alckimim, o tal do Saulo não sei de quê, declarando que o PT estava por trás dos atentados a postos policiais feitos pelo PCC. Ainda estou esperando uma retratação desse beócio, ou uma condenação na justiça por difamação a um partido político legalmente constítuído. Está acontecendo com o PT o que já foi descrito pelo poeta:" Na primeira vez êles entram em nossa casa, pisam em nossas fllores, destroem nosso jardim. E nós não dizemos nada....."
Todo mundo já conhece o poema. Pois é PT, chegará o dia que por não dizermos nada, teremos que nos calar para sempre.