5 de nov de 2008

A LÓGICA DO ABSURDO EM 5 ATOS


Um certo delegado da Polícia Federal, um tal Dr Protógenes Queiróz, conhecido nacionalmente por ter prendido o banqueiro Daniel Dantas, teve sua casa, em Brasília, invadida por colegas da Polícia Federal, amparados por mandato judicial, para busca de supostas provas sobre o vazamento da Operação Satiagraha. Estavam à cata de "grampos ilegais e mídias", conforme relato do próprio delegado no site de Luis Nassif .
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"Está apenas difícil de explicar para meus filhos e esposa que eu trabalhei honestamente como Policial Federal, não aceitei a proposta de suborno de um milhão de dólares, encontrei muita prova contra as pessoas que foram investigadas na operação Satiagraha e hoje recebi em minha residência busca autorizada pela justiça de Brasília e cumprida pela PF." diz o delegado.
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A ordem de busca e apreensão partiu do Juiz Federal Ali Mazloum, acusado de participar de uma rede de corrupção investigada pela Polícia Federal na Operação Anaconda.
Curiosamente, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal extinguiu a ação penal contra o juiz por 4 votos a 1. Votaram a favor do juiz, no Supremo, os ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Carlos Velloso e Celso de Mello. O único voto contrário foi o do ministro Joaquim Barbosa, relator da matéria.
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A lógica é a seguinte:
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Um delegado, cujo salário é pago com dinheiro recolhido dos impostos, recebe a incumbência de investigar determinada suspeita de crime. Coordena uma equipe de investigação e descobre, baseado em provas consistentes, o chefe de uma quadrilha perigosamente instalada nos bastidores da política. O delegado pede a um juiz que emita mandatos de prisão. E ele os cumpre, levando para a cadeia suspeitos de ações criminosas gravíssimas. Um preso lhe oferece UM MILHÃO DE DÓLARES por sua liberdade. O delegado recusa.
Fim da missão!
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Então começa a comédia em 5 atos.
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1o ATO - O suspeito é colocado em liberdade através de dois habeas corpus do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr Gilmar Mendes.
2o ATO - O Ministro do STF emite parecer contrário ao uso de algemas em operações que possam constranger suspeitos presos.
3o ATO - O mesmo Ministro é um dos que inocenta outro juiz federal, Dr Ali Mazloum.
4o ATO - O juiz Ali Mazloum manda investigar o delegado que cumpriu o mandato de prisão do suposto chefe da quadrilha de criminosos, Sr Daniel Dantas. Por acaso, um banqueiro.
5o ATO - O delegado tem a casa revistada em busca de supostas provas do vazamento das informações sobre a operação que prendeu (e depois soltou) o banqueiro acusado. Nenhuma "prova" é encontrada.
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Moral da história:
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Enquanto a Justiça Brasileira insistir em querer culpar o investigador ao invés do investigado, usando todo tipo de artifício para desqualificar o investigador em benefício do investigado, milhões de dolares correm soltos nos bolsos das quadrilhas de pessoas influentes, como o banqueiro Daniel Dantas, que roubam o suor das pessoas que trabalham e pagam seus impostos.
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Saibam, senhores juízes de todas as instâncias, que quem os assiste não é burro. Quem os vê promovendo estes absurdos os colocam no mesmo balaio dos criminosos do colarinho branco.
Não reclamem, mais tarde, de serem vistos pela população como pessoas em quem não se pode confiar. O cargo de juiz, ou de Ministro da mais alta instância da justiça, não qualifica o sujeito para coisa nenhuma. O que o coloca com decência perante a opinião pública são seus atos.
E seus atos tem sido cada vez merecedores de menos respeito.
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