17 de jun. de 2013

O MANIFESTO DO SANDÁLIAS DO PIRATA.




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Às vésperas da Copa do Mundo da Alemanha e da África do Sul ocorreram manifestações de descontentes como as que vemos tomando as ruas das principais cidades do país. São movimentos legítimos, organizados ou não, que se aproveitam da chegada da mídia internacional para dizer o que pensam.

O que está ocorrendo no Brasil, desde a semana passada, pode esmaecer. Ou não. O tempo dirá – e a reação da sociedade pode depender do resultado dos jogos do Brasil ... parece estranho mas, caso levantemos a taça de campeões o ânimo pode acalmar e tudo volta ao normal. E se perder? Isso deveria influir?

A lição importante que se retira deste episódio, que não sabemos onde vai dar, é a vontade popular sendo expressa nas ruas, pacificamente ou não, pelas mãos e vozes de garotos e garotas de todas as classes sociais, por todos os cantos. Atitude louvável, própria da juventude que quer mudar seu país. Já fiz muito disso em tempos passados, agora os assisto apenas.

E torço.
Torço muito para que saibam o que estão fazendo, para que não se deixem manipular por espertinhos interessados em tirar proveito político; que sigam adiante na busca e conquista de seus ideais, mas que o façam com sabedoria. Minha geração errou. Morremos e fomos torturados, demos um recado e fomos abafados pela força. Envelhecemos mas não perdemos a vontade de ver mudar a ordem das coisas. Por isso, torço.

Por outro lado, desconfio das razões que os levam às ruas. Claramente, os 20 centavos foram o pretexto de mobilização, deu resultado, e logo vieram mais cobranças: saúde, educação e segurança, os mais exigidos.

Volto a repetir, são direitos super hiper legítimos para qualquer sociedade, sobretudo para a nossa tão desigual. Esta luta, se realmente popular, pode nos levar a um estágio de desenvolvimento social que minha geração tanto lutou. Mas deve partir do povo, não se deixar manipular é a premissa básica na busca de resultados efetivos.


Não me parece que é o que está acontecendo.
A sensação de que partidos de oposição estejam “usufruindo” das passeatas e manifestações me deixa um gosto amargo na boca. Na carona, leio discursos de Senadores da República da oposição em apoio aos manifestantes como se estas bandeiras fossem deles; a mídia fundamentalista, descaradamente, os repercute como se fosse verdade. Beira o ridículo ver o PSDB,  DEM e PPS alinhados com o MPL – Movimento Passe Livre.

A propósito do MPL, e esta é a razão de meu manifesto: é legítimo pedir ônibus “de grátis” no modelo privatizado de transporte coletivo que temos em vigor hoje no Brasil? Ou querem mudar o modelo, estatizar as companhias e fazer o Município pagar a conta? Aliás, todos os municípios do Brasil estariam dispostos a estatizar suas frotas?
Ou teríamos um modelo mix: meia calabresa e meia mussarela?
Existem propostas, ou só querem que liberem as catracas em São Paulo e grandes cidades? E as pequenas, e a zona rural?

Aliás, caso as manifestações se proliferem e cresçam ao ponto de ruptura institucional, me pergunto quem assumirá o país, qual o partido ou liderança política? Até onde sei todos os que aparecem tecendo opiniões são ou já foram governo... existem partidos e nomes novos? Quem?
 
Meu manifesto não é pelo busú 0800, nem pela saúde, educação ou segurança. É pela decência do cidadão, de todos, ricos e pobres, pela educação doméstica das crianças dentro de suas casas.

Ou alguém vai me convencer que teremos melhores Hospitais e Escolas enquanto o sujeito urina na rua? Ou estaciona na vaga de idoso em supermercados? Ou compra ingresso do cambista na casa de shows? Ou faz gato de internet com o vizinho? Ou suborna o policial que o flagrou em alta velocidade? Ou aquele que dirige embriagado?

Posso passar horas listando os “pequenos crimes” que cometemos diariamente sem pensar que estamos prejudicando alguém... sim, nós os cometemos e saímos para pedir o fim da corrupção? É retórico ser cara de pau...

Venho defendendo os sucessivos governos do Partido dos Trabalhadores na certeza de que estamos no rumo certo, na medida do possível. Recebo inúmeras críticas por isso, mas não me importo. Tenha uma certeza guardada comigo que trago há anos, que o Brasil só será decente quando não houver mais gente com fome. E isso, pelo menos não se pode negar, este governo está alcançando. Mais lentamente do que poderia, é verdade, mas nunca se fez tanto.

A sabedoria me ensina a temer as consequências de movimentos descoordenados e sem propostas concretas. Na democracia, é imprescindível. Ou retrocedemos.

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1 de jun. de 2013

O RISCO GERMÂNICO - PIB NEGATIVO

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O primeiro trimestre da Alemanha foi um pavor.
O PIB caiu 0,3% e os germânicos já saíram às ruas para protestar.

As imagens abaixo são de hoje, 01 de Junho, em Frankfurt. Milhares de pessoas se aglomeraram em frente ao Banco Central Europeu para dizer que são contra as medidas de austeridade impostas na Zona do Euro.

Criadores de um movimento inspirado no Occupy Wall Street, as organizações de esquerda pretendem impedir os cortes no investimento social que arrasa toda a Europa desde a crise de 2008.  
BLOCKUPY é como chamam o movimento, que significa "bloqueio e ocupação" do Banco Central Europeu - BCE.

"Devemos dizer claramente que a política do BCE e da troica, submetidas à influência capital do governo federal, não é a solução" disse Roland Suss, porta-voz do blockupy.


A insatisfação, que agora toma conta da maior potência econômica da Europa pode representar um duro golpe ao capitalismo mundial.

É uma geração de pessoas que cresceu durante o auge do desenvolvimento econômico-social do velho continente e que, agora, enfrenta uma crise sem precedentes que os está levando ao declínio social.

Desemprego e violência crescente são as consequências iniciais.
Os governos, allinhados na política de manutenção das instituições financeiras, não abrem mão do arroxo ao crédito e aos salários num claro direcionamento de recursos para "salvar" bancos a qualquer custo.


Nesta semana que passou, inclusive, o Banco Mundial liberou mais 7 bilhões de Euros a Grécia, alcançando 98 dos quase 100 bilhões prometidos.

A Espanha alcanço seu maior índice de desemprego da história: 26% de desocupação, sendo que, entre os mais jovens, chega a quase 40%.


Em Portugal, espera-se que mais de 17 cidades promovam movimentos nas ruas. Em Madrid e Barcelona, também.

A quantidade de grupos de indignados cresce sem parar, e, ao alcançar a Toda-Poderosa Alemanha, pode começar a render frutos. As autoridades comçam a ter medo das reações e as consequências serão imprevisíveis.

Hoje, por volta do meio-dia, horário local, a polícia alemã tentou dispersar a multidão que caminhava em direção ao Banco Central Europeu. Usavam mácaras. Agentes da polícia germânica os abordava para que se manifestassem com  rosto descoberto. Os manifestantes estão com medo ....

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Aqui do outro lado do Atlântico, estamos sendo criticados pela midia fundamentalista e pelos partidos de oposição pelo resultado do PIB do primeiro trimestre.

Nosso índice de desemprego está praticamente zerado; na história recente do Brasil nunca estivemos tão próximos do pleno emprego.

A massa de trabalhadores alcançou resjustes salarias muito acima da inflação; o salário-mínimo cresceu ainda mais.

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24 de mai. de 2013

INTERFERÊNCIA INDEVIDA.

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Já não bastasse o Supremo Joaquim Barbosa meter o bedelho nas coisas do Legislativo, agora foi outro juiz a interferir na vida alheia: Gilmar Mendes.

"Há um gigantismo, muita burocracia", disse o ex-Presidente do STF num Seminário de Direito.

Sua referência tem a ver com os 39 Ministérios do governo Dilma Rousseff, o que, aparentemente, o indignou. Mas, na posição que ocupa, não parece correto comentar a respeito de outros Poderes da República. O Executivo foi eleito pela maioria da população e, goste Gilmar ou não, Dilma alcançou níveis de popularidade enormes. Prova que sua administração satisfaz a maioria do eleitorado.

Quais as razões para tanta interferência do STF nos demais Poderes? O que leva Ministros da Corte a emitirem declarações indevidas, como se fossem pessoas comuns, apontando seus dedos, comportando-se como oposição partidária?

Será que o ex e o atual presidente do STF, Mendes e Barbosa, não são capazes de enxergar defeitos na justiça do Brasil, sob seus cuidados?

Ou a justiça é tão perfeita que lhes sobra tempo para criticar os outros sem olhar para os próprios umbigos?

Menos, Ministros. Menos!

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22 de mai. de 2013

A morte e a morte de Ruy Mesquita.

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Filho do dono do Estadão morreu ontem, em São Paulo, aos oitenta e poucos anos.
Ele e sua reputação já haviam morrido durante a ditadura militar, ao apoiar o golpe, as torturas, os assassinatos, as perseguições a opositores ideológicos.

Prestar homenagens a quem pouco deu valor à vida de quem considerava comunista, é deveras hipócrita.
Por isso, este blog vai homenageá-lo no melhor estilo cara de pau, com abobrinhas:


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21 de mai. de 2013

DE MALDADES E MENTIRINHAS



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A fala do Supremo Ministro Joaquim Barbosa, acusando o Legislativo de ineficiente e seus membros de pertencerem a partidos de “mentirinha” vai muito além de uma gafe: é maldade pura.

A mídia fundamentalista, para amenizar as declarações desastradas, defendeu o Ministro dizendo que ele falava como professor, e não como magistrado.

Pouco importa. O que se viu foi sua posição enquanto homem público, pertencente a um dos Poderes da República ao qual não foi eleito, mas indicado. Deveria se dar mais ao respeito ao falar diante de plateias e microfones. Aliás, Joaquim Barbosa vem abusando demasiadamente dos holofotes, agindo mais pelo impulso que pela razão. É inadmissível.

Para piorar ainda mais, suas declarações colidem frontalmente com posições tomadas oficialmente pelo Supremo Tribunal Federal. Recentemente, seu colega e Ministro Gilmar Mendes mandou suspender um debate na Câmara Federal que tratava a respeito de partidos políticos, suas verbas públicas e respectivos tempo de televisão.

Um pouco mais atrás, o próprio STF abriu uma brecha na Constituição para que um partido recém criado, o PSD de Kassab, flexibilizasse a fidelidade partidária e pudesse inchar seus quadros no Congresso;  ainda, em 2006, julgou inconstitucional uma emenda que limitava repasses de recursos oficiais a legendas sem representatividade, tudo isso abusando de seu poder de interferir nas decisões do Legislativo.

É certo que o Congresso do Brasil tem lá suas falhas, mas nas vezes em que tentou modificar a legislação eleitoral foi brutalmente interrompido pela Justiça!

Agora, porque é Presidente do STF, porque virou popstar, acha que pode passar por cima de outro Poder, ao arrepio das decisões de sua própria Casa, e do Legislativo?

Por favor! Recolha-se, Ministro Barbosa!

A Alta Corte merece mais respeito; os demais poderes, idem!
Enquanto cidadão sinto-me ofendido diante das falas intempestivas de um membro da República que deveria se manifestar apenas nos autos. Ou, manifeste-se desta forma depois da aposentadoria, ao voltar a ser um cidadão comum como eu.

Sua postura me faze pensar que seus atos são planejados e visam lançar sua candidatura a cargo eletivo, com apoio da imprensa e de setores conservadores que gostam de gente que fala grosso – mas age pouco.

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18 de mai. de 2013

ORGULHOSAMENTE INCOMPETENTE.



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Frase de José Serra, candidato derrotada dentro de seu partido na corrida presidencial 2014. Os caciques tucanos, cansados do discurso de paulistas, preferiram Aécio Neves.

É claro, referiu-se ao PT e seus 10 anos bem sucedidos no comando do Governo Federal como um fracasso. Falaram de “pibinho”, volta da inflação, corrupção, aparelhamento do Estado, etc, etc, etc. A eleição do Presidente da sigla pareceu mais um palanque eleitoral que uma escolha direta.

A tucanada de São Paulo não gosta de Aécio. Pela boca do Senador Aloysio Nunes saíram provocações ao mineiro que mais parecia ser alguém da oposição. Aloysio não acredita que Aécio pode ganhar. Nem Serra. Nem Alckmin!

Tucano paulista pensa com um rei na barriga: “Aécio precisa ser conhecido em São Paulo”, disse uma liderança, na certeza que o estado mais rico – e populoso – da federação é capaz de decidir a eleição presidencial.

Engano. A prova está nas últimas 3 corridas à Presidência: foram 3 derrotas para o PT com Lula e Dilma. Não foi uma surra, é verdade, mas não foi nada difícil, mesmo com os demais candidatos roubando votos aqui e ali.


O PSDB está dividido. A foto que ilustra este post é clara, tirada hoje, com um Aécio de cara emburrada ouvindo o discurso de seu oponente interno. Sabe que as coisas não serão fáceis mas resolveu aceitar os conselhos do velho FHC e partir para a briga. FHC será estrela da campanha de Aécio; a situação agradece!

À parte as agressões costumeiras contra Lula e Dilma; contra as políticas sociais e econômicas deste governo, não apresentaram nenhuma proposta consistente. Limitam-se a apontar os erros –que existem, é óbvio – mas não sugerem ações ou políticas para quando reassumirem o comando. Esperam ganhar as eleições apenas usando as manchetes de jornal.

É patético.
 
O brasileiro, que não tem nada de burro, vota com o bolso. É assim no mundo inteiro. A sensação de bem ou mal estar é que decide quem ganha ou perde. A Europa, em crise desde 2008, provou que os governos de direita perderam para a esquerda, e as esquerdas, para a direita. É um simples exercício de futurologia: se não estou bem, se minha família não está bem, mudo o governo. Se estamos bem – e esta é uma sensação muito particular, de cada indivíduo – , mantemos como está.

Desta forma, as eleições presidenciais de 2014 parecem se definir desde já.

De um lado, um governo que mais acerta do que erra, com políticas sociais agressivas, de inclusão, de geração de emprego e distribuição de renda, crédito e consumo. De outro, a mídia fundamentalista e os partidos de oposição. Sem discurso, sem bandeiras, montados no cavalo da “moral e ética”, “impolutos e honestos”, pretendem voltar ao comando da Nação só com retórica.

Assim não dá!

A incógnita, hoje, é quem poderá levar a eleição ao segundo turno, se Marina, Eduardo, ou ambos. Ou se a coisa se resolve logo na primeira.

Mas, atenção: caso haja segundo turno, nada assegura que a rapaziada do PSDB possa disputar com Dilma. Já foram governo e não podem reclamar de falta de oportunidade.

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A Convenção pessedebista em Brasília teve até jatinho fretado; teve caciques, claque e palavras de ordem. A presença do senil FHC foi determinante para que Aécio fosse escolhido Presidente da sigla e possa, assim, viajar o país em campanha.

Mas não faltaram cutucadas:

“Boa sorte”, foi a frase que Serra dirigiu a Aécio no fim de seu discurso. Foi o máximo que conseguiu desejar a seu colega. Não houve qualquer elogio, qualquer insinuação de ajuda, de apoio, nada. E encerrou dizendo: - “ ...conto com lealdade recíproca.”, como se estivesse dizendo, escuta aqui, playboizinho, você puxou meu tapete na eleição passada, não espere de mim o empenho que você precisa! 

Moleque!

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4 de mai. de 2013

A SUPREMA CARTEIRADA




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Antigamente, as otoridades gostavam de se impor através do cargo que ocupavam. Até hoje é assim, embora menos comum. É a famosa “carteirada”.

Hoje, na democracia ao estilo brasileiro, é o Supremo Tribunal Federal quem usa seu poder autoritário para dizer: SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?

Na semana que passou, dois Ministros do STF abusaram de nossa democracia ao intrometer seus narizes no Legislativo – até outro dia, um poder independente da República. Transformaram o Congresso Nacional numa peça decorativa suscetível às vontades de uma só pessoa – de duas, no caso dos Ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Gilmar Mendes, num ato puramente voltado a seus desejos pessoais, ou melhor, a sua posição política alinhada ao conservadorismo, decidiu impedir, através de liminar, o Senado Federal de deliberar sobre um Projeto de Lei que ele, Mendes, não concorda. Travou o debate sobre as novas legendas, os novos partidos políticos, seus tempos de TV e verbas oficiais.

Já Toffoli, em decisão inédita da Corte, exigiu da Câmara Federal de Deputados explicações sobre o quê se estava discutindo na Comissão de Constituição e Justiça. Como se os Deputados Federais devessem prestar contas ao STF antes de decidir!

Como diz o jurista Virgilio Afonso da Silva, “não cabe ao STF dar o ritmo do processo legislativo”. Tampouco cabe aos 11 membros supremos o destino das leis do Brasil. Nenhum deles foi colocado no cargo para dar opiniões pessoais, não são eleitos, não são donos das leis.

A Casa Legislativa, como diz o próprio nome, está encarregada de produzir leis. O Judiciário, de defendê-las. Não de concordar ou discordar. Apenas fazer cumpri-las. Como um cão que guarda um patrimônio, o STF deve apenas guardar a Constituição!

A seguir neste tom, nossa frágil democracia corre riscos. Amparados pela mídia, juízes que gostam de holofotes fragilizam o processo de desenvolvimento das liberdades individuais; falam mais do que devem e se vestem de poderosos diante de uma plateia que não os escolheu.

No tempo da ditadura, pelo menos os Generais eram mais assumidos.

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8 de abr. de 2013

TATCHER – Uma herança maldita para o Brasil


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Vitima de derrame, a dama de ferro, como era conhecida Margareth Tatcher, faleceu neste dia 08 em Londres.

Seu legado político é bastante controverso. Amada e odiada, era uma liderança incontestável da direita européia e foi defensora ferrenha do neoliberalismo.

Foi premiê do Reino Unido de 1979 a 1990 e sua obra deixou males que se espalharam pelo mundo com rapidez: privação social, opressão de sindicatos, confronto com opositores de forma dura e implacável, como no episódio da Guerra das Malvinas. Em resumo, governou de modo tão conservador que seu próprio partido, o Partido Conservador!, voltou-se contra ela e a retirou do poder.

Sua forma de ver a economia era voltada exclusivamente ao protecionismo do capital. Gerou desemprego e queda da produção industrial na Inglaterra mas nunca desamparou os banqueiros. Seu processo político de privatizações e culto ao livre mercado foi determinante para que alguns países, o Brasil inclusive, adotassem medidas conservadoras drásticas e danosas.

Sobretudo no período de governo do PSDB, na figura de FHC, o Brasil experimentou o remédio mais amargo que Tatcher criou: a economia foi atirada no colo do mercado, empresas públicas tradicionais foram privatizadas depois de saneadas com dinheiro público, o desemprego aumentou na proporção do crescimento da dívida interna e externa, apesar da entrada de recursos da venda de Estatais, a taxa básica de juros crescente era mantida para atender os banqueiros e a população, ora, permanecia estagnada, pobre e sem perspectivas.

Passadas duas décadas desde a queda de Tatcher, depois que parte do mundo ocidental abusou de venerar o livre mercado, vimos Nações de joelhos implorando recursos ao FMI e tendo que, em troca, adotar medidas ainda mais drásticas na área econômica, com corte de programas sociais e elevação da taxa de juros. Os resultados foram desastrosos principalmente para os países menos desenvolvidos da América Latina.

Hoje, ao abandonar as teorias malucas do neoliberalismo, o Brasil e parte importante do mundo capitalista descobriu nova fórmula de crescimento: participação direta do Estado na economia com intervenções pontuais e injeção de capitais. É hilário ler, por exemplo, como certos veículos de comunicação resmungam sobre o déficit em conta corrente do governo, sobre aumento das despesas de custeio e de pessoal. Reclamam que o governo gasta muito ...

Mas não vemos xororô da midia fundamentalista quando o governo dos EUA coloca, mensalmente, quase 90 bilhões de dólares na economia com o objetivo de incentivar o consumo e a geração de emprego; não vemos os “analistas” dizendo que é errado o Japão expandir sua base monetária em quase 1,5 trilhão de dólares para fazer frente ao baixo crescimento.

Seria um escândalo a intervenção do governo do Brasil na economia na época FHC, ditado pelas regras de austeridade da Dama de Ferro. Ou foi um escândalo manter a pobreza e a miséria do jeito que estavam?

Felizmente, isso mudou.
E, por certo, as novas gerações de Primeiros Ministros do Reino Unido aprenderam que tudo o que Margareth Tatcher produziu foi aumentar ainda mais a diferença entre ricos e pobres. Lá e no resto do mundo neoliberal. 

Ela morreu, e tomara que morra com ela a teoria da concentração de renda.

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2 de abr. de 2013

4 P – A difícil compreensão.


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 4 P

Jean-François Sirinelli, diretor do departamento de História do Instituto de Estudos Políticos de Paris, fez uma interessante abordagem a respeito da situação política atual da França e da Europa Ocidental, em entrevista a um canal fechado de TV.

Em seu ponto de vista, o bem estar de um cidadão está amparado naquilo que chamou de os 4P – Prosperidade, Paz, Pleno emprego e Perspectivas.

Não pretendo discorrer sobre a Europa Ocidental e o iminente colapso capitalista que se avizinha; para eles, esta década começa a ser marcada pelo declínio moral das instituições políticas ancoradas no grande capital, no fracasso financeiro e nas restrições aos programas sociais.

Vou trazer os 4P para cá.
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P1. O que temos visto no Brasil é um sentimento cada vez mais concreto de Prosperidade. Sempre que lemos ou ouvimos falar da nova classe-média, estamos nos referindo a um grupo – imenso – de famílias que ascenderam socialmente, que foram inseridas no mercado de trabalho e consumo, que compram casa, carro, viajam de avião! Quem já alcançou um objetivo à custa do próprio esforço sabe o que é sentir-se próspero.

P2. Por tradição, não somos um país guerreiro e nos orgulhamos de viver em Paz com nossos vizinhos. Mas não é apenas esta Paz que interessa aos brasileiros, senão a Paz mundial. A repercussão, ainda no governo Lula, da tentativa de intermediar ao acordo entre Irã e EUA, na questão do armamento nuclear, permitiu à sociedade brasileira experimentar o gosto da inclusão do Brasil no cenário político mundial; o fato de sentar à mesa ao lado de grandes potências com um claro discurso pacifista eleva a autoestima da população.

P3. Durante décadas, desde o regime militar, fomos levados a crer que o bolo deve crescer antes de ser repartido. O que se viu foi o bolo crescendo e apenas sobravam migalhas. Até o governo do PT assumir o comando político da Nação e providenciar, com todas as ferramentas disponíveis, com a urgência necessária e com o máximo empenho, a geração de emprego e renda. O Pleno emprego, objetivo principal de todas as medidas econômicas deste governo, de Lula e Dilma, é a fórmula da repartição da renda, do bolo, da inclusão social. As desonerações fiscais, os programas sociais, o financiamento público a pequenas e médias empresas, a baixa sucessiva e constante das taxas de juros, entre outras medidas, colocaram a economia a serviço da população, sobretudo a mais pobre.

P4. Talvez o que mais incomode um chefe de família seja a falta de segurança para criar seus filhos. Sem Perspectivas, não existe luta. Com o horizonte cada vez mais distante não há razão para ter coragem.

Este é o ponto mais importante do cenário atual do Brasil: as pessoas acreditam que amanhã será melhor que hoje e, por isso, encampam as batalhas cotidianas com mais força, conseguindo resultados antes impossíveis.

A difícil compreensão

Entretanto, a parcela descontente – e barulhenta – da sociedade, a oposição partidária e a mídia fundamentalista, parecem desconhecer a realidade do Brasil.
A insistência em bater nos mesmos temas na tentativa de associar o PT ao que há de pior no país, à corrupção, não leva em consideração os 4Ps. Provavelmente, para essa gente que tem o burro amarrado na sombra, que sempre viveu de benefícios do Estado, não percebeu o quanto é inócuo o discurso anti-PT. Ainda bem!

Suas bandeiras, usadas nas eleições do Século XX, de privatização, de redução no tamanho do Estado, de livre mercado, morreram imediatamente após a posse do primeiro mandato de Lula. O discurso neoliberal murchou. Pudera, com a crise internacional de 2009, até Wall Street teve que rever certos conceitos.

A grande imprensa, principalmente, se vê diante de um quadro incompreensível da vida política brasileira: noticia com grande alarde a “incapacidade” administrativa do PT, ameaça com apagões de energia, com estouro do prazo para conclusão dos estádios da Copa, com a perda de controle sobre a inflação e ... e nada! A popularidade de Dilma Rousseff bate recordes a cada pesquisa.

A perda de credibilidade da mídia fundamentalista vai dar a reeleição para Dilma ainda no primeiro turno! Depois, recomeça o chororô.

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Para o historiador francês, a Europa está numa encruzilhada. Jean-François Sirinelli acredita eu ainda há tempo de reagir mas acha que o esforço deverá ser monumental.
Ele citou o fato que, pela primeira vez depois da II Guerra Mundial, um contingente imenso de pessoas na casa dos 30 anos de idade nunca terem tido um emprego formal e legal na vida.

A situação na Europa é grave e a solução não pode passar pelo corte de direitos sociais adquiridos, no caso da França, por um país que mudou a forma de pensar do mundo com sua revolução.

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