17 de abr de 2010

DATAFOLHA: farsa ou estratégia?

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Pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, hoje, mostra um quadro eleitoral bastante diferente daquele exposto pelo Instituto SENSUS, semana passada.

A justificativa do DATAFOLHA, de propriedade do jornal, é de que a tendência permanece inalterada, ou seja, a diferença entre o Coroné Zé Serra e Dilma Rousseff está igual à sondagem anterior, dentro da margem de erro. 38% a 28%.

Um dado, entretanto, não foi colocado nem no jornal impresso nem no site: desde dezembro, quase 15% dos eleitores dizem votar, com absoluta certeza, no candidato indicado por Lula, mas ainda não são eleitores de Dilma.

Qual a razão? Não conhecem a preferência do presidente. Ainda!

Nos últimos 10 dias, este blogueiro trocou mensagens com um cacique do DEM, aliado a Zé Serra, que chegou a afirmar que seu candidato poderia vencer no primeiro turno. Contestei sua afirmação usando os números da pesquisa SENSUS. Disse-lhe, ainda, que a quantidade de eleitores que não associam Dilma como preferida de Lula é imensa, e sua resposta foi: "Em nosso caso fazemos os cruzamentos com quem conhece e projetamos.Vou usar alguns raciocinios seus se voce concordar."

Deve ser isso que o Ibope e o Datafolha usam para criar seus parâmetros de resultados.

Parece óbvia a estratégia da oposição, nesta altura do ano. Às vésperas da Copa do Mundo, pretendem, através da midia corporativa comprometida até o pescoço, sinalizar para um cenário favorável à oposição. Sabem que durante a Copa as atenções estarão voltadas para a seleção de futebol e, quando retomarem a agenda politica, depois das férias, em agosto, começa o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio para usarem as manchetes dos jornalecos em benefício próprio.

A intenção é iludir e ludibriar o eleitor!

A oposição sabe que a grande força do Coroné Zé Serra está em São Paulo, no Centro-Oeste e no Sul do Brasil. Resta saber com qual percentual positivo. Enquanto isso, capitais e interior do Norte/Nordeste devem dar larga vantagem a Dilma Rousseff, junto ao interior de Minas Gerais e o Rio de Janeiro como um todo, pois foram as regiões mais beneficiadas pelo governo do PT neste últimos anos e onde se encontra a maior massa de eleitores com pouco, ou nenhum, acesso à informação, exceto a capital fluminense.

Desta forma, este blogueiro acredita que a divulgação das pesquisas dos institutos geridos pela direita é meramente estratégica. Sempre poderão mudar os resultados dizendo que houve inversão de tendência. Lembro da eleição de Jaques Wagner para o governo do Estado da Bahia, quando ACM ainda era vivo, e o Datafolha não o colocava nem no segundo turno, na semana das eleições de 2006. Venceu no primeiro turno e nenhuma explicação foi dada.

Em resumo: os meios de comunicação que apóiam (veladamente) o candidato-Coroné Zé Serra estão usando suas ferramentas de convencimento para "puxar" a tendência do eleitorado. Qualquer publicitário mediano sabe que a montagem de um questionário de pesquisa pode ser manipulado para resultar na conveniência do cliente. No caso de pesquisa eleitoral, sendo os institutos intimamente ligados à midia que os repercute, não há cobrança de resultados. A contradição será facilmente esquecida pelo Jornal Nacional!

Mais um dado importante não levado em conta nesta pesquisa Datafolha: na expontânea, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, Dilma fica com 13% e Serra, com 12%, bem diferente da estimulada, o que confere um caráter técnico mais real para a credibilidade do Datafolha. Joga a culpa no eleitor que não soube responder o questionário!

Para terminar, cito um articulista da Folha, que não merece que eu digite seu nome por tratar-se de um reles serviçal da FSP. Faz um alerta ao Coroné Zé Serra: Se os 14% dos que dizem votar com absoluta certeza na candidata de Lula o fizerem, Dilma passa a ter 42%, mesmo percentual da vitória de Lula sobre Serra em 2002 (contra Alckmin em 2006, foi de 44,5%), e, para que o "oposicionista" Serra possa seduzir uma parcela destes, deverá operar a mágica de mostrar-se mais continuista que Dilma.

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