5 de mai de 2012

JUROS IMORAIS.

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Os editores dos cadernos de Economia da velha mídia precisam decidir, com urgência, o que querem.

Até bem pouco tempo, atiravam contra a equipe econômica de Lula e, mais tarde, de Dilma Rousseff, acusando-os de praticar as taxas de juros mais alta do planeta. Quem não lembra disso?

Qualquer economista recém formado sabe que taxa de juros e taxa de câmbio são ferramentas imprescindíveis no controle da inflação; não há um Ministro da Fazenda que não lance mão de todos os instrumentos para conter elevação de preços, mesmo que para tanto, pratique altas taxas de juros!

Neste espaço, já defendi tanto o Presidente do Banco Central quanto o Ministro da Economia, expondo razões bastante consistentes para a manutenção da SELIC em patamares elevados. Lula, às vésperas da eleição de Dilma, conseguiu reduzir a taxa de juros oficial para apenas um dígito - feito histórico nunca antes realizado neste país. Mas teve que voltar atrás, sob pena de ver a inflação recrudescer.

Agora, a presidenta Dilma vislumbrou nova oportunidade de reduzir a SELIC e, de acordo a sua equipe, baixaram a taxa para 9% ao ano. Diante do cenário de inflação e crescimento sob controle e, sobretudo, a contenção da sobrevalorização do Real, foi possível cortar um dos pontos frágeis da economia brasileira. Quanto mais alta a taxa de juros, mais caro é o custo de rolagem da dívida interna. Básico!

Para chegar a isto, Dilma Rousseff teve que usar seu prestígio político - representado pela alta popularidade medida recentemente - para iniciar o processo de reversão da SELIC.
Como primeira medida, tratou de usar os bancos oficiais que passaram a sinalizar taxas reduzidas para empréstimos a pessoa física e jurídica. Banco do Brasil e Caixa divulgaram reduções interessantes e praticamente obrigaram a banca privada a seguir o mesmo caminho.

No primeiro momento, a queda de juros privados não foi generosa. A Presidenta insistiu. Pediu. Quase exigiu. Logo, Bradesco, Itaú e Santander - as maiores instituições privadas no Brasil - acompanharam a baixa. Por lógica de mercado, a concorrência com os bancos públicos não lhes deu escolha.

Em seguida, o COPOM reduziu a SELIC de 9,75% para 9%, sinalizando viés de continuidade na queda. Tanto, que o mercado financeiro já projeta taxa de 8 a 8,5% até o final de 2012.

Diante do quadro de aproximação às taxas internacionais, agora, a imprensa volta a chiar!
Ao invés de elogiar o desempenho econômico que nos permitiu reduzir as taxas, a velha imprensa joga suas críticas sobre o risco da Caderneta de Poupança. Que estupidez! Que falta de caráter!

Basta fazer uma conta simples. De somar!

Levando-se em conta que a inflação anual no Brasil será de 3,50%, a taxa de juros real passa a ser
9,00 - 3,50 = 5,50.

Se a Caderneta de Poupança, por contrato, remunera em 6% ao ano (+ TR), está pagando mais que a SELIC!
Logo, os aplicadores fugirão do mercado de investimento para colocar tudo na poupança oficial.
Pela lógica, a taxa de remuneração da Poupança deverá cair para níveis aceitáveis, ou quebra tudo. É a providência que a equipe econômica está tomando.

O que quer a imprensa comprometida com a oposição?
Juros baixos e poupança alta?
Quem paga a conta?

Não dá prá entender.

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