2 de mai de 2012

LULA e a cachoeira.

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É difícil acreditar que pessoas letradas deixam-se pautar por publicações de quinta categoria, como a revista veja*. Desconfio que algumas pessoas preferem não pensar, refletir, analisar os fatos. Talvez por comodidade. Ou má-fé.

O episódio envolvendo o criminoso Carlos Augusto de Almeida Ramos, que usa a alcunha de Carlinhos Cachoeira, mostra de forma bastante clara qual a intenção de parte da velha imprensa. A começar pelo tratamento dado a Cachoeira. Leio e ouço veículos referindo-se ao sujeito como "empresário"ou "contraventor". Conversa mole. É bandido!

Milhares de horas de grampos autorizados pela justiça demonstram, de forma clara, que o meliante está ligado umbilicalmente a importantes políticos brasileiros, a magistrados, a arapongas, a gente da imprensa. Não dá para negar. O mafioso Cachoeira teceu uma rede de proteção em torno de seu negócio de dar inveja a Al Capone.

(Abro um parêntesis, aqui, para dizer que vi na imagem do rosto do senador Fernando Collor, membro da CPMI, ao ser entrevistado sobre o assunto Cachoeira, um ar de ingenuidade, do tipo: ... no meu tempo era PC Farias que fazia meu trabalho sujo. PC Farias, perto destes quadrilheiros, não passa de uma fada-madrinha!).

Voltando ao tema.
Quem antes era o probo, virou fumaça. Quem antes esnobava o governo com frases de efeito, se transformou em palhaço. A oposição brasileira, que já vinha minguando, sangrando lentamente, perdeu a única coisa que ainda lhes dava algum respeito: o gogó!

(Outro parêntesis, é irresistível: numa gravação vazada, o senador Demóstenes liga para Carlinhos Cachoeira que o atende com um "bom dia, doutor!". E o senador devolve o cumprimento com um "bom dia, professor!". É de morrer de rir, fala sério.).

O que temos hoje:
A velha midia tentando de tudo, usando todas as forças e os artifícios disponíveis, pretendendo transformar a CPMI do Cachoeira num evento de segunda linha; querem a todo custo que o PT e seus membros estejam envolvidos.
Agora, exigem que a Delta Construções (alguns afirmam que é de propriedade de Demóstenes) seja minuciosamente investigada pelas obras do PAC.
No início, colocaram Dilma Rousseff, a PresidentA, como temerosa com as consequências e, ainda por cima, queriam jogar Lula contra ela, pela declaração do "doa a quem doer" dada por Lula à imprensa.

Peraí!
Qualquer pessoa tem o direito de ter sua opinião. E expôr seus argumentos. Mas essa história prá boi dormir que Lula quer a CPMI à despeito de Dilma é absolutamente ridícula. Não faz o menor sentido.

Você, leitor deste blog, pode ser da oposição, da direita, ser tucano, ser funcionário da veja*, o que for. Mas ninguém pode negar as habilidades políticas que Lula colecionou durante sua longa trajetória, desde os tempos da ditadura, do sindicato, do Congresso e do Planalto. Não fosse um exímio político, não teria sido eleito, reeleito, suportado o bombardeio diário da velha mídia e da oposição, nem teria eleito seu "poste", como gostam de dizer os mal intencionados.

Será possível que Lula não falou com Dilma?
Alguém realmente acredita que Dilma tem medo da CPMI? Que Lula só está querendo uma vingancinha boba contra parte do jornalismo que sempre o perseguiu? Por favor, sejamos razoáveis!

Durante oito anos de mandato legítimo, Lula teve capacidade de lidar com as situações mais adversas. E não foram poucas. Goste ou não, ele venceu! Deixou o cargo para uma sucessora desconhecida, "abortista", "durona", "iniciante", etc etc etc ..., com popularidade na casa dos 80%. OITENTA POR CENTO! Isso é amadorismo político? Ora!

Lula, Dilma, Zé Dirceu, Palocci, eu e a torcida do Flamengo inteira sabe que a oposição - aquela que em 500 anos só esteve fora do poder na era PT - está até o pescoço de lama. São décadas de exploração econômica do povo e favorecimento daquela meia dúzia de sempre, eles mesmos, que sempre encheram as burras de dinheiro sujo, da corrupção crônica instalada na administração pública, financiada pelo grande capital.

A direita brasileira, bem representada, hoje, por Serra, Demóstenes, ACMNeto, FHC e outros, não tem bandeira, não tem discurso, não tem voto. E está diante de uma cachoeira de provas incontestáveis que os liga ao pior do submundo do crime: tipos como Dadá, o araponga, e Carlinhos Cachoeira, o "empresário do ramo de exploração ilegal do jogo, da droga e da prostituição. Ufa.".

Se reconhecem uns aos outros, ligam para pedir favores entre si, como vistos para a babá e para a sogra entrarem nos Estados Unidos! Cumprimentam-se nos aniversários, riem das manchetes de jornal que acusam o governo ... ah, as manchetes ...

A história acontece assim (e não sou eu quem a inventa, são os fatos que a comprovam):
O candidato da direita precisa vencer as eleições. A bandidagem se movimenta; é preciso criar factóides para iludir e confundir. Um Senador da República conversa com o simpático Carlito Cachoeira. Decidem criar um fato. Acostumado a grampos ilegais, Carlito aciona seu amiguinho em Brasilia, editor chefe da sucursal do semanário veja*. Ligam para o Presidente do Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça. A revista lança matéria de capa acusando o governo de ter grampeado uma conversa entre o Senador e o Ministro do STF. Sai às bancas no sábado à tarde.

Domingo, maior rebuliço! O Fantástico reproduz a capa da veja*, entrevista o Senador e o Juizão que, pasmem, confirmam o diálogo. As outras emissoras entram na onda. Durante a semana, os jornalõeszinhos Folha e Estadão repercutem o "crime do grampo a duas figuras ilustres e limpas". Atiram de todos os lados, acusam os membros do governo. Esperam reverter em votos a maracutaia.
Detalhe: em nenhum momento a gravação foi exposta. Pensam ter credibilidade o bastante para fazer os eleitores acreditarem.

Resultado: perdem as eleições. E segue o velório. Outras armações são meticulosamente planejadas.

Agora, a festa acabou.
Como disse Lula - e ele sabe o que diz - a CPMI vai apurar doa a quem doer. Se tiver gente do PT, vai pagar. Mas a direita e a quadrilha de criminosos vai acabar de se afundar na lama.

É uma cachoeira de esgoto.

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* Este blogueiro recusa-se a grafar o nome da revista veja com a inicial maiúscula.
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