4 de mai. de 2013

A SUPREMA CARTEIRADA




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Antigamente, as otoridades gostavam de se impor através do cargo que ocupavam. Até hoje é assim, embora menos comum. É a famosa “carteirada”.

Hoje, na democracia ao estilo brasileiro, é o Supremo Tribunal Federal quem usa seu poder autoritário para dizer: SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?

Na semana que passou, dois Ministros do STF abusaram de nossa democracia ao intrometer seus narizes no Legislativo – até outro dia, um poder independente da República. Transformaram o Congresso Nacional numa peça decorativa suscetível às vontades de uma só pessoa – de duas, no caso dos Ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Gilmar Mendes, num ato puramente voltado a seus desejos pessoais, ou melhor, a sua posição política alinhada ao conservadorismo, decidiu impedir, através de liminar, o Senado Federal de deliberar sobre um Projeto de Lei que ele, Mendes, não concorda. Travou o debate sobre as novas legendas, os novos partidos políticos, seus tempos de TV e verbas oficiais.

Já Toffoli, em decisão inédita da Corte, exigiu da Câmara Federal de Deputados explicações sobre o quê se estava discutindo na Comissão de Constituição e Justiça. Como se os Deputados Federais devessem prestar contas ao STF antes de decidir!

Como diz o jurista Virgilio Afonso da Silva, “não cabe ao STF dar o ritmo do processo legislativo”. Tampouco cabe aos 11 membros supremos o destino das leis do Brasil. Nenhum deles foi colocado no cargo para dar opiniões pessoais, não são eleitos, não são donos das leis.

A Casa Legislativa, como diz o próprio nome, está encarregada de produzir leis. O Judiciário, de defendê-las. Não de concordar ou discordar. Apenas fazer cumpri-las. Como um cão que guarda um patrimônio, o STF deve apenas guardar a Constituição!

A seguir neste tom, nossa frágil democracia corre riscos. Amparados pela mídia, juízes que gostam de holofotes fragilizam o processo de desenvolvimento das liberdades individuais; falam mais do que devem e se vestem de poderosos diante de uma plateia que não os escolheu.

No tempo da ditadura, pelo menos os Generais eram mais assumidos.

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8 de abr. de 2013

TATCHER – Uma herança maldita para o Brasil


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Vitima de derrame, a dama de ferro, como era conhecida Margareth Tatcher, faleceu neste dia 08 em Londres.

Seu legado político é bastante controverso. Amada e odiada, era uma liderança incontestável da direita européia e foi defensora ferrenha do neoliberalismo.

Foi premiê do Reino Unido de 1979 a 1990 e sua obra deixou males que se espalharam pelo mundo com rapidez: privação social, opressão de sindicatos, confronto com opositores de forma dura e implacável, como no episódio da Guerra das Malvinas. Em resumo, governou de modo tão conservador que seu próprio partido, o Partido Conservador!, voltou-se contra ela e a retirou do poder.

Sua forma de ver a economia era voltada exclusivamente ao protecionismo do capital. Gerou desemprego e queda da produção industrial na Inglaterra mas nunca desamparou os banqueiros. Seu processo político de privatizações e culto ao livre mercado foi determinante para que alguns países, o Brasil inclusive, adotassem medidas conservadoras drásticas e danosas.

Sobretudo no período de governo do PSDB, na figura de FHC, o Brasil experimentou o remédio mais amargo que Tatcher criou: a economia foi atirada no colo do mercado, empresas públicas tradicionais foram privatizadas depois de saneadas com dinheiro público, o desemprego aumentou na proporção do crescimento da dívida interna e externa, apesar da entrada de recursos da venda de Estatais, a taxa básica de juros crescente era mantida para atender os banqueiros e a população, ora, permanecia estagnada, pobre e sem perspectivas.

Passadas duas décadas desde a queda de Tatcher, depois que parte do mundo ocidental abusou de venerar o livre mercado, vimos Nações de joelhos implorando recursos ao FMI e tendo que, em troca, adotar medidas ainda mais drásticas na área econômica, com corte de programas sociais e elevação da taxa de juros. Os resultados foram desastrosos principalmente para os países menos desenvolvidos da América Latina.

Hoje, ao abandonar as teorias malucas do neoliberalismo, o Brasil e parte importante do mundo capitalista descobriu nova fórmula de crescimento: participação direta do Estado na economia com intervenções pontuais e injeção de capitais. É hilário ler, por exemplo, como certos veículos de comunicação resmungam sobre o déficit em conta corrente do governo, sobre aumento das despesas de custeio e de pessoal. Reclamam que o governo gasta muito ...

Mas não vemos xororô da midia fundamentalista quando o governo dos EUA coloca, mensalmente, quase 90 bilhões de dólares na economia com o objetivo de incentivar o consumo e a geração de emprego; não vemos os “analistas” dizendo que é errado o Japão expandir sua base monetária em quase 1,5 trilhão de dólares para fazer frente ao baixo crescimento.

Seria um escândalo a intervenção do governo do Brasil na economia na época FHC, ditado pelas regras de austeridade da Dama de Ferro. Ou foi um escândalo manter a pobreza e a miséria do jeito que estavam?

Felizmente, isso mudou.
E, por certo, as novas gerações de Primeiros Ministros do Reino Unido aprenderam que tudo o que Margareth Tatcher produziu foi aumentar ainda mais a diferença entre ricos e pobres. Lá e no resto do mundo neoliberal. 

Ela morreu, e tomara que morra com ela a teoria da concentração de renda.

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2 de abr. de 2013

4 P – A difícil compreensão.


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 4 P

Jean-François Sirinelli, diretor do departamento de História do Instituto de Estudos Políticos de Paris, fez uma interessante abordagem a respeito da situação política atual da França e da Europa Ocidental, em entrevista a um canal fechado de TV.

Em seu ponto de vista, o bem estar de um cidadão está amparado naquilo que chamou de os 4P – Prosperidade, Paz, Pleno emprego e Perspectivas.

Não pretendo discorrer sobre a Europa Ocidental e o iminente colapso capitalista que se avizinha; para eles, esta década começa a ser marcada pelo declínio moral das instituições políticas ancoradas no grande capital, no fracasso financeiro e nas restrições aos programas sociais.

Vou trazer os 4P para cá.
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P1. O que temos visto no Brasil é um sentimento cada vez mais concreto de Prosperidade. Sempre que lemos ou ouvimos falar da nova classe-média, estamos nos referindo a um grupo – imenso – de famílias que ascenderam socialmente, que foram inseridas no mercado de trabalho e consumo, que compram casa, carro, viajam de avião! Quem já alcançou um objetivo à custa do próprio esforço sabe o que é sentir-se próspero.

P2. Por tradição, não somos um país guerreiro e nos orgulhamos de viver em Paz com nossos vizinhos. Mas não é apenas esta Paz que interessa aos brasileiros, senão a Paz mundial. A repercussão, ainda no governo Lula, da tentativa de intermediar ao acordo entre Irã e EUA, na questão do armamento nuclear, permitiu à sociedade brasileira experimentar o gosto da inclusão do Brasil no cenário político mundial; o fato de sentar à mesa ao lado de grandes potências com um claro discurso pacifista eleva a autoestima da população.

P3. Durante décadas, desde o regime militar, fomos levados a crer que o bolo deve crescer antes de ser repartido. O que se viu foi o bolo crescendo e apenas sobravam migalhas. Até o governo do PT assumir o comando político da Nação e providenciar, com todas as ferramentas disponíveis, com a urgência necessária e com o máximo empenho, a geração de emprego e renda. O Pleno emprego, objetivo principal de todas as medidas econômicas deste governo, de Lula e Dilma, é a fórmula da repartição da renda, do bolo, da inclusão social. As desonerações fiscais, os programas sociais, o financiamento público a pequenas e médias empresas, a baixa sucessiva e constante das taxas de juros, entre outras medidas, colocaram a economia a serviço da população, sobretudo a mais pobre.

P4. Talvez o que mais incomode um chefe de família seja a falta de segurança para criar seus filhos. Sem Perspectivas, não existe luta. Com o horizonte cada vez mais distante não há razão para ter coragem.

Este é o ponto mais importante do cenário atual do Brasil: as pessoas acreditam que amanhã será melhor que hoje e, por isso, encampam as batalhas cotidianas com mais força, conseguindo resultados antes impossíveis.

A difícil compreensão

Entretanto, a parcela descontente – e barulhenta – da sociedade, a oposição partidária e a mídia fundamentalista, parecem desconhecer a realidade do Brasil.
A insistência em bater nos mesmos temas na tentativa de associar o PT ao que há de pior no país, à corrupção, não leva em consideração os 4Ps. Provavelmente, para essa gente que tem o burro amarrado na sombra, que sempre viveu de benefícios do Estado, não percebeu o quanto é inócuo o discurso anti-PT. Ainda bem!

Suas bandeiras, usadas nas eleições do Século XX, de privatização, de redução no tamanho do Estado, de livre mercado, morreram imediatamente após a posse do primeiro mandato de Lula. O discurso neoliberal murchou. Pudera, com a crise internacional de 2009, até Wall Street teve que rever certos conceitos.

A grande imprensa, principalmente, se vê diante de um quadro incompreensível da vida política brasileira: noticia com grande alarde a “incapacidade” administrativa do PT, ameaça com apagões de energia, com estouro do prazo para conclusão dos estádios da Copa, com a perda de controle sobre a inflação e ... e nada! A popularidade de Dilma Rousseff bate recordes a cada pesquisa.

A perda de credibilidade da mídia fundamentalista vai dar a reeleição para Dilma ainda no primeiro turno! Depois, recomeça o chororô.

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Para o historiador francês, a Europa está numa encruzilhada. Jean-François Sirinelli acredita eu ainda há tempo de reagir mas acha que o esforço deverá ser monumental.
Ele citou o fato que, pela primeira vez depois da II Guerra Mundial, um contingente imenso de pessoas na casa dos 30 anos de idade nunca terem tido um emprego formal e legal na vida.

A situação na Europa é grave e a solução não pode passar pelo corte de direitos sociais adquiridos, no caso da França, por um país que mudou a forma de pensar do mundo com sua revolução.

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10 de mar. de 2013

A BATALHA: NÓS X ELES



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A julgar pela semana que passou, a impressão é que a batalha por 2014 será intensa. E quente.

Dois fatos relevantes marcaram a semana na política: a morte de Hugo Chávez e o pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff no Dia Internacional da Mulher.

Antes de prosseguir, é preciso ter em mente que a mídia fundamentalista do Brasil lançou a corrida presidencial de 2014 ao repercutir com intensidade o lançamento do partido de Marina Silva, ao insistir na candidatura de Eduardo Campos do PSB, além de cobrir com muito entusiasmo os discursos do candidato e Senador Aécio Neves, do PSDB.
Por mais que digam que Dilma está em campanha para a reeleição, é notório que setores da imprensa mostraram suas armas para tentar derrubar o projeto do Partido dos Trabalhadores no comando da Nação. Enquanto únicos oposicionistas, veículos de comunicação sabem que, ou começam a agir desde já, ou serão novamente engolidos nas urnas em 2014.


A cobertura da morte de Hugo Chávez revelou-se vergonhosa e vulgar. Apesar dos milhões de venezuelanos que choram a morte de seu líder, “analistas” políticos, sobretudo da globo*, emitiram comentários desprezíveis e ofensas grotescas aos nossos vizinhos.  No o globo*,  trataram Chávez como assistencialista, paternalista, caudilho, “pai dos pobres”. A cretina Miriam Leitão acusa as políticas sociais venezuelanas de não serem sustentáveis e afirma que o “choro coletivo em Caracas” se deve às “bondades” de Presidente morto.
Na folha*, acusaram seu “perfil autoritário”, seu “domínio oligárquico”, além da pérola de ser um  “fenômeno retardatário do populismo latino-americano”.
A revista veja* deste domingo, por exemplo, coloca imagem obscura de Chávez na capa e o título “Chávez – A herança sombria”.

Em 08 de Março, em rede nacional de rádio e TV, a Presidenta do Brasil, além de parabenizar as mulheres, anunciou a desoneração fiscal da Cesta Básica e a inclusão de novos produtos de consumo no cálculo.
Foi duramente criticada. A cheirosinha Eliane Catanhede escreveu que o gesto nada mais foi que um “saco de bondades” para coibir o crescimento desenfreado da inflação, ligando o pronunciamento de Dilma à campanha eleitoral. No o globo*, a desoneração de impostos é um “embate entre governo e oposição”.
E vai por aí.

A tentativa de tratar as pessoas como estúpidas e ignorantes é risível. De olho no processo eleitoral – e diante da cada vez mais distante possibilidade de vitória – de 2014, setores conservadores pretendem que todos os brasileiros votem de acordo aos ideais mais atrasados da política apenas para voltar a favorecer os mesmos grupinhos de sempre.

Nos períodos em que estiveram governando o Brasil, apesar de reconhecer o abismo que separava as classes sociais, os grupos políticos hoje na oposição insistiam que era preciso fortalecer o país antes de distribuir renda. Passamos por períodos de crescimento e a riqueza sempre se manteve nas mãos dos mesmos; sobravam migalhas que acreditavam eram capazes de manter indefinidamente “cada um no seu lugar”.

Aqui, a partir de 2002, as coisas mudaram sensivelmente. Milhões foram incluídos, passaram a consumir e a ter direito a moradia. Não só no Brasil como em diversos países da América Latina. O sucesso das políticas públicas passou a ser determinante na eleição e reeleição de diversos líderes no Brasil, Venezuela, Argentina, Equador, Bolívia, Peru...

Foi então que surgiram os ataques da mídia fundamentalista nestes países, que tratou logo no início de acusar os governos de restringirem a liberdade de imprensa, de tratar os Presidentes e Presidentas de populistas e demagogos, de apontar as falhas nas políticas econômicas de cada um de seus governos, de usar de artimanhas editoriais para fazer crer a seus leitores que estes governos não eram capazes de governar.

Como se todos os governos de esquerda tivessem a obrigação de resolver todos os problemas sociais causados por décadas, séculos, de exploração da mão de obra em benefício de uma camada social reduzida, em tão pouco tempo!

Para ficar apenas nas políticas sociais de Venezuela e Brasil, o salto de qualidade de vida das populações pobres foi tão forte, tão relevante, que os líderes destes dois países são tratados com um carinho sem medida, a ponto de pessoas permanecerem 24 horas na fila de visita ao corpo de Hugo Chávez!
E de setores da oposição tentarem derrubar Lula mesmo sendo ele um ex-Presidente da República!

O estridente ruído da imprensa, na tentativa de maquiar a imagem de seus políticos preferidos, e de demonizar os demais, tem razão de ser. No capitalismo ocidental, as empresas de comunicação estão nas mãos de poucas pessoas, e seus interesses estão intimamente ligados aos governos liberais. Quando não são contemplados, seus editores-chefes passam a operar sob comando alinhado aos desejos do grande capital, acusam, ofendem, caluniam, usam de todas as técnicas de difamação para desconstruir a imagem de um político na vã esperança de não ter que dividir um assento de avião com um pobre, uma rua com um carro popular, uma fila de supermercado com um favelado.

Quando, no Brasil, criou-se o PROER – programa de auxílio a bancos privados endividados – a imprensa não estrilou, o Bolsa-Familia é tratado como Bolsa-Esmola.

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“DEFENDEREMOS NUESTRA PATRIA CON NUESTRA PROPRIA VIDA” – de um operário venezuelano na fila de visita ao corpo do Presidente Hugo Chávez.
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*  Este blogueiro recusa-se a grafar os nomes dos jornais folha, globo e estadão, e da revista veja, com as iniciais maiúsculas.
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6 de mar. de 2013

Venezuela y Cuba.


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Ao ler a notícia da morte de Hugo Chávez, ontem, foi difícil não remeter a lembrança a Fidel Castro. Duas lideranças políticas das mais relevantes na América Latina, um doente e outro, idoso e já debilitado.

O desdobramento da perda de Chávez será determinante para o futuro da Venezuela, assim como será Cuba sem Castro. Ambas as Pátrias estão em oposição aos EUA e a eficácia da influência norteamericana em Caracas daqui por diante poderá revelar, de modo inequívoco, qual será a atitude do governo da maior potência econômica e militar do mundo em relação a seus oponentes do hemisfério sul.

A economia venezuelana está fortemente atrelada à produção e exportação de petróleo. Por volta de 90% de suas exportações está ligada a esta atividade, logo, seu PIB é ultradependente. Esta é a razão que liga fortemente os EUA a Venezuela. Um precisa do outro. Entretanto, assim que Hugo Chávez passou a controlar a exploração e a comercialização do petróleo, nasceu um ódio recíproco. Chávez, em discurso na ONU, fez o sinal da cruz ao mencionar o nome de George W. Bush e disse que sentia cheiro de enxofre! Em pleno território americano!

A Venezuela estatizou a exploração e distribuição de sua maior riqueza e dezenas de empresas norteamericanas  deixaram o país. A partir de Chávez, criou-se uma política de apoio aos países mais pobres do Caribe com a venda de petróleo a preços subsidiados. Hoje, a América Central gasta 19% de seu PIB em compra de petróleo da Venezuela! Chávez incomodava muito aos irmãos do norte.

O uso político do petróleo, com o investimento da renda gerada em melhorias sociais, provocou ações de desestabilização do governo democrático da Venezuela, por parte dos EUA, a ponto de agentes dos EUA promoverem um golpe de Estado contra Chávez, conforme revelaram documentos vazados pelo WikiLeaks. Em Abril de 2002, o empresário Pedro Carmona, sob coordenação de Washington e com auxilio de parte da mídia, partidos de oposição e militares rebeldes, se autonomeou Presidente da Venezuela e depôs o Presidente eleito. Pouco depois, diante da pressão popular, Carmona renunciou e Chávez voltou ao poder. A oposição venezuelana nunca descansou; o objetivo sempre foi desacreditar El Comandante na mídia ocidental – no Brasil, os grandes meios de comunicação sempre trataram Chávez como populista, ditador, caudilho, antidemocrático, louco, etc. – com o claro objetivo de sacá-lo do poder.

É preciso lembrar, nesta altura do post, que todas as eleições vencidas por Chávez foram legítimas e democráticas; observadores internacionais, da OEA, inclusive, estiveram presentes em todas elas e nunca puderam constatar fraudes. Ainda, não podemos esquecer que, diante da pressão exercida pelos EUA e pela oposição local, em 2004, Hugo Chávez lançou um Referendum para reafirmar sua liderança como chefe de Estado e de Governo. Venceu com 59% dos votos. Portanto, taxá-lo de ditador nada mais é que querer combater suas ideias através de mentiras.

Todo tipo de acusações foram feitas a Hugo Chávez, nenhuma com consistência o suficiente para fazê-lo perder eleições. O povo venezuelano o adora, é fácil constatar. Seus detratores nunca aceitaram as reformas constitucionais promovidas por seu governo bolivariano – aumento dos direitos dos antes marginalizados, criação dos Conselhos Comunais e das cooperativas de trabalhadores, implementação das Missões Bolivarianas (ações de justiça e bem estar social, luta contra a pobreza, melhoria do sistema educacional e militar, etc.), reforma agrária, etc..

Pois bem, hoje a Venezuela chora seu líder. A oposição venezuelana começa a mostrar os dentes. Henrique Capriles, o opositor derrotado nas últimas eleições presidenciais, que estava em Miami ontem (em Miami ....) já declarou que o momento é de calma e que o país deve respeitar a dor. Mas, é claro, já se lançou candidato para as eleições presidenciais de emergência convocadas para daqui a 30 dias, conforme prevê a Constituição. O candidato da situação será Nicolás Maduro, atual Vice-Presidente.
A previsão é de vitória de Maduro, herdeiro político de Chávez, diante de um quadro de comoção social.

Mas, e quando Fidel Castro morrer?
Se Chávez era um inimigo comercial dos EUA, Fidel é o maior inimigo político dos norteamericanos desde os anos 60 do século passado. Uma ilha que tentaram invadir sem sucesso, onde promovem – até hoje – ações de tentativas ilegais de desestabilização do governo local, até planos de atentado a morte contra os Castro. Tudo vazado pelo WikiLeaks através de documentos oficiais.

A “democracia” que os EUA pretendem exportar não tem limites e muito menos respeito pelos povos onde intrometem seu nariz. Quando invadem uma Nação para impor seu modelo à força, tudo o que conseguem é matar sumariamente todos os que se colocam contra sua vontade! E, pior, não conseguem instalar o regime de governo que pretendem e jogam suas vítimas em infindáveis guerras sangrentas. Não foi assim no Afeganistão e no Iraque? Na Coréia e no Vietnã? Não é por esta razão que o soldado americano Bradley Manning está preso há mais de mil dias sem julgamento, pelas imagens do frio assassinato de inocentes no Iraque? Qual o nome da “democracia” que permite uma base militar em Guantánamo?

Em Cuba, país que sofre há mais de 50 anos com um bloqueio comercial desumano, será o ponto de honra da política externa do Presidente de plantão tão logo seja anunciada a morte de Fidel Castro. Já deve estar em curso um plano de ação para que a ilha seja inundada por propaganda norteamericana. Passarão por sobre os cubanos como um trator?

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4 de mar. de 2013

O Povão e o Pibinho.

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Refestelam-se os opositores do governo com os dados do PIB de 2012. Comemoram, partidos e midia, o baixo crescimento da economia do Brasil no ano que passou. Meros 0,9%.

Por outro lado, estes mesmos personagens não entendem que a atual administração, da petista Dilma Rousseff, goza de índices de popularidade superiores aos de FHC ou Lula, em seu segundo ano de mandato.

O raciocínio é pequeno: tucanos e imprensa fundamentalista julgam a economia pelo PIB, pela inflação, pela taxa de juros. O povão, pensa grande: empregabilidade, aumento real de salário, acesso a bens de consumo e sensação individual de bem estar.

Parece lógico que os índices econômicos reflitam a realidade do país. No caso da Europa do Euro, por exemplo, o caos econômico que se instalou em alguns países - Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal - afetou diretamente a vida cotidiana de sua população, sobretudo com os cortes orçamentários que atingiram em cheio os programas sociais. Por isso, a grita é geral por aquelas bandas.

Aqui, ao contrário, diante da crise que teima em arrasar economias desde 2008, os gastos do governo aumentaram! Não houveram cortes das áreas sociais, ao contrário, foram incrementados. O PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - foi remodelado e o Governo Federal passou a investir cada vez mais em infraestrutura, que ainda precisa de muito investimento.

(Antes que qualquer desavisado venha resmungar que o governo gasta demais, é preciso esclarecer que, em 2012, o saldo de reservas para pagamento de juros - o tal superávit primário - ultrapassou e muito a meta fixada. Logo, não houve prejuízos na área financeira e o excedente da arrecadação pôde ser consumido no investimento social).

O resultado inequívoco do acerto é a contínua geração de emprego e renda, o que realmente interessa ao Povão. O fato de saber que parentes e amigos estão ocupados; seu salário cresceu acima da inflação e deu para comprar um carrinho, mesmo que usado, dá a sensação de bem estar que tomou conta da classe média-média emergente.

O PIB, que é a soma de bens e serviços produzidos no ano, foi fraco, é verdade. Mas boa parte da população obteve progresso em sua renda. A razão é, também, óbvia: aqueles que nunca consumiram passaram a consumir. Se medíssemos o PIB apenas da classe média-média para baixo, veríamos um número  bastante superior aos 0,9%.

Em realidade, o alarde com o Pibinho tem apenas um propósito: apontar erros na condução da economia e, por consequência, tirar proveito político do desgaste.
As críticas, fossem sérias e bem intencionadas, nunca poderiam deixar de citar a crise internacional que se sustenta há 5 anos, causando estragos pelo mundo. Há erros do Governo Federal? Claro! Mas os acertos são maiores e o rumo que escolhemos para o Brasil mantém sua rota de geração de emprego com distribuição de renda.

Se o dono do banco reclama da taxa de juros e pede a cabeça do Ministro da Fazenda; se a multinacional reclama dos impostos; se a oposição diz que está tudo errado, é parte do jogo.

O que não podemos é achar que o resultado do PIB é determinante para que a população realize seu direito de ascender socialmente, afinal, houve uma época em que o PIB era magnifico e nem porisso as pessoas viviam melhor.

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Apenas para constar - e para delírio de alguns: o PIB do último trimestre de 2012 foi de 0,6%, o que indica um movimento de recuperação. Espera-se, para 2013, algo entre 4 e 5%.
É pouco, visto que quanto maior o PIB maior pode ser o investimento social. Mas é o caminho disponível.

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23 de fev. de 2013

O FUNDAMENTALISMO DA MIDIA.



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Tenho recebido algumas críticas por usar o termo “fundamentalista” quando me refiro à mídia do Brasil.
Normalmente, por obra da crítica ocidental, são as religiões preferencialmente muçulmanas que são taxadas de fundamentalistas.

O significado da palavra, entretanto, pode ser mais amplo e é nesse contexto que acuso, com todo sentido pejorativo possível, a mídia.
Pelo caráter conservador, a imprensa do Brasil é uma armadilha capaz de promover ou destruir qualquer pessoa, de qualquer origem; uma empresa, uma religião, um grupo social ou político, desde que não esteja alinhado a suas ideias fundamentais.

No campo social, é comum ler jornalistas manipulando fatos, falas e imagens a seu próprio sabor. Não são poucas as pessoas que se sentem injuriadas por matérias meticulosamente preparadas com objetivos bastante claros ou, algumas vezes, pela preguiça do jornalista em checar a fonte, provocando prejuízos morais contra aqueles que não possuem microfones ou holofotes para se defender.

Pela via judicial, alguns conseguem o famigerado “direito de resposta”, quase sempre depois de muito tempo, de muito dispêndio de energia e, sobretudo, dinheiro para correr com ações na Justiça. É certo que alguns veículos de comunicação esperam tentar corrigir suas matérias publicando uma notinha de rodapé com o singelo e humilde nome de “erramos”. Mas são raros os casos em que a reparação do erro alcança o mesmo volume da acusação.

Na política, é a mesma coisa.
Vários jornalistas já viram suas matérias sendo recortadas, refeitas ou, simplesmente, atiradas no lixo por não estarem de acordo à linha editorial. É um direito básico do dono da empresa de comunicação, mas não quer dizer que seja ético ou moral.

Pelo contrário, parte da mídia brasileira tem demonstrado muita eficácia na arte de suprimir matérias, confundir a audiência e os leitores com frases pinçadas a dedo, consultar “especialistas” alinhados com suas ideias, exibir gráficos e informações incoerentes e maquiadas, unicamente para ocultar determinados fatos que, se mostrados com clareza, certamente levariam a uma verdade que eles preferem esconder.

A mentira tem se tornado regra na cobertura política brasileira nos últimos 10 anos. Aliás, esta é uma das razões da existência deste e de outras centenas de blogs chamados de “sujos” por esta imprensa fundamentalista. 
O que pedimos é que estes veículos digam claramente que apoiam este ou aquele, que financiam tal grupo, que sejam honestos o bastante para sair do armário e arriscar perder parte de seus leitores. Ou que sejam meros retransmissores de notícias sem emitir opiniões.
Hoje, a midia é um órgão de censura poderoso quando dá voz somente aos parceiros e aliados políticos, e, sem qualquer escrúpulo, escondem o que querem esconder

Voltando ao título do post.
Quando um ativista muçulmano explode seu corpo com bombas em meio a quem considera inimigo, está agindo para impor sua própria vontade. Não admite reformas naquilo que acredita; é ortodoxo e radical nas ações.
O que faz parcela do jornalismo brasileiro, hoje, comandado por meia dúzia de famílias saudosas, conservadoras, não democráticas, que não querem ceder à força do trabalho em detrimento ao poder do capital, é apresentar uma “realidade” inexistente que só quem tem a mesma ideologia é capaz de acreditar.

Um exemplo clássico é uma publicação de uma revista semanal, cuja capa acusava o governador do Rio de Janeiro pela tragédia das enchentes ocorridas em seu estado, pelas mortes e prejuízos e, na semana seguinte, quando esta tragédia se repete em São Paulo, a mesma revista coloca a culpa em São Pedro e isenta a autoridade política local! Isso é desonestidade intelectual, é má-fé, é intervenção na liberdade de expressão dos fatos. Porque a chuva é um fato passível de medição. A razão é óbvia: o governador de São Paulo é aliado político, enquanto o do Rio de Janeiro não é!

Outro exemplo, mais recente?
Críticas ao Governo Federal pela desoneração das tarifas elétricas aos consumidores, beneficiando milhões de brasileiros, e maior repercussão do reajuste dos combustíveis congelados há 4 anos!

A mídia se reveste de bombas altamente explosivas e as detonam em suas matérias com o claro objetivo de não aceitar mudanças, reformas, repartição de renda. 
Felizmente, por manterem editores-chefes medíocres, os resultados que pretendem alcançar estão longe da realidade.
A tiragem dos jornais e revistas, bem como a audiência das grandes emissoras de TV, vêm caindo rapidamente nos últimos anos, enquanto sites e blogues, como este mísero SANDÁLIAS DO PIRATA, tem visto crescer paulatinamente seus acessos, numa clara demonstração de que as pessoas, por oportunidade de conhecer opiniões diversas, acabam escolhendo o que mais lhes parece real e verdadeiro.

Assim como o religioso, a fundamentalismo midiático atua para impor sua vontade. Produz estragos, é certo, mas nunca será capaz de vencer a liberdade.

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19 de fev. de 2013

Yoani Sanchez, a marionete.

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A repercussão da visita de Yoani Sanchez ao Brasil, a cobertura feita pela midia fundamentalista, demonstra o real compromisso de nossa imprensa com a restrição à liberdade de expressão.

Quantos blogueiros no Brasil discutem o comportamento da imprensa daqui em relação às tendências políticas de cada jornalista, dos editoriais de cada veículo de comunicação de massa, dos grandes monopólios da midia? Quantos são manchete?

Centenas de nós, diariamente, gasta seu tempo para mostrar a quem se interessa pelo "outro lado" o que se passa na vida política de nossa Nação. E nem porisso são expostos nossos argumentos. Até jornalistas conhecidos do grande público, donos de blogs, são censurados ou, simplesmente, ignorados pelas familias que controlam a informação!

E, no entanto, dá-se enorme visibildade a uma estrangeira que "denuncia" a falta de liberdade em seu país. Por acaso, este país é Cuba, inimigo do mundo capitalista ocidental!

O que querem, a não ser a liberdade em Cuba e o controle da informação no Brasil?

Essa moça, bem articulada, que não nega receber recursos do governo dos EUA - há, inclusive, leis aprovadas pelo Congresso norteamericano que autoriza envio de recursos para quem se dispõe a praticar a contrarevolução da ilha de Fidel - e que recebe tratamento VIP das globos* e vejas* como se fosse celebridade, não passa de uma marionete do governo de Obama para difundir o ódio que nutrem por Cuba.

Que digam, os editorialistas desta imprensa nociva, o quanto estão alinhados com o pensamento neoliberal dos EUA. Que assumam, com coragem e determinação, seu lado nesta disputa. E que mostrem que Bradley Manning, militar americano, está a 1000 dias preso sem julgamento por ter vazado imagens ao Wikileaks. Que liberdade é essa?

O que não podem continuar fazendo é divulgar assuntos de seu interesse particular como sendo a verdade, e ocultando, de forma sistemática e maldosa, que seus apadrinhados políticos não valem o arroz que comem!


Nada contra apoiar este ou aquele pensamento político, afinal, democracia é assim. Esconder temas que comprometem sua "turminha" é que mostra a verdadeira falta de caráter do jornalismo do Brasil.

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* Este blogueiro recusa-se a grafar os nomes dos jornais folha, globo e estadão, e da revista veja, com as inicias maiúsculas.

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16 de fev. de 2013

MARINA, VOCÊ SE PINTOU.

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O novo xodó da midia do Brasil.

Muito bem avaliada na zona sul carioca e parte da paulistana, por parcela alienada da intelectualidade acadêmica, tornou-se a mais nova KASSAB da política tupiniquim: com ar de descontentamento, larga os "verdes" e funda seu próprio partido.


Hoje, ainda distante das eleições presidenciais, é saudada pelo jornalismo fundamentalista que se opõe a Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores. Lança uma plataforma de candidatura com o apelo de "limpeza": não receberá doações de empresas que fabricam cigarro, bebidas alcoólicas, armas e agrotóxicos. Nem de empresas que usam copinhos de água descartáveis ou garrafas PET - grandes vilões do planeta Terra.

A festa de lançamento de seu partido foi paga por uma de suas fiéis colaboradoras e provável arrecadadora de fundos de campanha: Maria Alice Setúbal, sócia do Itaú-Unibanco. Nada mal.

Mas, qual a razão de tanta exposição de Marina na imprensa, tão longe das eleições?

Em primeiro lugar, o tempo urge para os derrotados. A direita - partidos e imprensa - percebeu que é preciso usar todas as armas para derrotar o PT de Lula e seus postes. Já "lançou" o candidato Eduardo Campos pelo PSB, agora, é a vez de Marina Silva. Concorrentes diretos de Dilma, ambos possuem o apelo de "esquerda" e, certamente, roubarão votos importantes nas eleiçõs de 2014.

A única esperança para a retomada do poder é levar ao segundo turno o candidato do PSDB, apoiado pela midia fundamentalista e pelo STF: Aécio Neves ou Zé Serra.

A estratégia pode ser arriscada, mas não há outra chance de vitória. Acreditam que no decorrer da campanha tanto Campos quanto Silva se perderão fôlego por falta de base de apoio político. A virtual militância nas ruas, por Marina, eles sabem que nunca vai existir; classe média alta faz barulho de dentro de casa, no conforto do ar condicionado.

Mas não se pode descartar um segundo turno entre Dilma e Marina! Representaria o funeral definitivo do demo-tucanato, mas não há outra possibilidade. É tudo ou nada.

O espantoso é Marina lançar uma candidatura ao velho estilo dos caciques mais conservadores do Brasil, os que se apoderam de um partido para ambições pessoais. Quer ser candidata com estritas e próprias condições: plataforma e apoio que interessa particularmente a ela, nada de alianças, nada de dinheiro duvidoso ... santinhos só de papel reciclado e aroma Natura no ar!

Na remota hipótese de vencer as eleições, a Presidenta Marina verá diante de sí um Congresso absolutamente oposicionista, sem o número de parlamentares suficiente para aprovar qualquer medida presidencial. E terá, obrigatoriamente, que sentar à mesa e ... negociar.

Faça tudo mas faça o favor 
Não pinte esse rosto, Marina ...
Eu tô de mal com você!

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