13 de ago de 2010

TIREM FHC DA MINHA CAMPANHA!


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José Serra sabe o que está dizendo. Deu ordem explicita a seus marketeiros para descolarem "completamente" a imagem de FHC da sua.

É um grande incômodo; um fardo que pesquisas qualitativas apontam como uma imagem negativa que, associada a Serra, o levará à derrota.

Serra conhece FHC e seus métodos. São fundadores do partido que os sustenta. Serra foi Ministro de FHC e seu candidato à sucessão de 2002. Serra e FHC perderam para Lula, o operário, e está em vias de perder novamente para Dilma, escolhida de Lula, o operário.

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Quinta-feira, 1º de Setembro de 1994. 23 horas. Toca o telefone na residência do Senador Pedro Simon, em Porto Alegre. Chega um fax endereçado ao candidato Fernando Henrique Cardoso. Era o conteúdo das declarações de Rubens Ricupero, então Ministro da Fazenda, que vazaram pelas antenas parabólicas do país inteiro, afirmando ao jornalista Carlos Monforte que " eu não tenho escrúpulos, o que é ruim, a gente esconde".

FHC diz a Simon que o Presidente deveria demitir o Ministro imediatamente. De lá, ligam para Itamar Franco, que dormia. A empregada, Raimunda, se recusa a acordar o Presidente. FHC insiste, mas só no dia seguinte, às 09 horas, ele consegue contato e manda Itamar demitir Ricupero. É atendido.

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Itamar Franco consulta seu ex-Ministro da Justiça, Mauricio Correa, que recomenda um nome para o Ministério da Fazenda: Ives Gandra Martins. FHC não aceita: "ele é liberal, votou no Maluf!", argumenta. Itamar diz que tentou Ciro Gomes, do PSDB, mas que este recusou. "Vou falar com Ciro", disse FHC e ligou para Fortaleza.

Ciro assumiu em 06 de Setembro de 1994, às vésperas da eleição. A promessa de FHC era nomeá-lo Ministro da Saúde quando assumisse a Presidência da República. Nunca o nomeou.

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Na campanha presidencial que culminou com o segund mandato de FHC, precisamente em agosto de 1998, a assessoria de comunicação de FHC, através da empresa Free Press, foi colocada a campo para produzir dossiês sobre os demais candidatos.

Jornalistas seguiram secretamente, e até tiraram fotos, da suposta amante de um dos adversários de FHC. A idéia era preparar munição contra possiveis ataques que pudessem fazê-lo perder.

A Free Press buscou informações detalhadas à respeito de um acidente de carro que matou o lider estudantil Luiz Travassos, em 1982, no Rio de Janeiro. Quem dirigia o carro era Aluizio Mercadante, candidato a Vice-Presidente na chapa do PT de Lula. Descobriu que o inquérito teria sido arquivado pelo Secretário de Segurança do RJ, Waldir Muniz, famoso por ter envolvimento no atentado a bomba do Riocentro, em plena ditadura. Muniz era tio de Mercadante.

A arapongagem tucana fez chegar este dossiê a um importante jornal carioca e esperava que a divulgação explodisse a campanha de Lula.

Não deu certo. O nome do tio de Mercadante era Wilson Muniz, ex-Reitor da USP, e nada tinha a ver com o acidente fatal de Travassos. Uma falha grotesca da assessoria de FHC.

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Em maio do mesmo ano, FHC participou de um encontro secreto com Orestes Quércia, também candidato ao Planalto. O encontro foi na casa de Luiz Gonzaga Belluzo.

FHC pretendia selar um pacto com o PMDB de Quércia, onde um não atacaria o outro. Quércia concordou que o tom das campanhas deveria ser ameno.

O tucano confessou ter um "probleminha, uma bobagem": uma fazenda comprada em sociedade com Sérgio Motta, o Serjão, em 1989 mas só declarada no ano seguinte, pelo valor de 2 mil dólares, valor muito abaixo do mercado.

Quércia manteve o segredo.

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Na véspera da eleição que levaria FHC ao segundo mandato, ele estava nervoso e ansioso. À noite, em seu apartamento de Higienópolis, tomou um whisky para tentar relaxar. Precisava vencer a eleição no primeiro turno e sentia-se inseguro.

Assistia à reportagem sobre o famoso debate presidencial norteamericano de 1960, quando John Kennedy virou o jogo sobre Richard Nixon, quando o telefone tocou. Era o diretor de jornalismo da Rede Globo, Alberico Sousa Cruz, que lhe trazia números frescos da pesquisa Ibope sobre a eleição presidencial. FHC anotou num papel o placar. 48 a 21.

Sem qualquer modéstia, murmurou para si mesmo: "Na TV sou melhor que Kennedy!"

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No dia seguinte, FHC acordou cansado. Votou por volta da hora do almoço no bairro de Indianópolis e encerrou a campanha que o levaria de volta ao Planalto.

Uma campanha cheia de artimanhas, intrigas e dossiês; briga generalizada entre seus marketeiros e o marketeiro de Bill Clinton, James Carville, cujo pagamento pelos serviços prestados ao PSDB até hoje é incerto.

José Serra conhece muito bem FHC e cada um de seus métodos. Tem razões de sobra para querer mantê-lo distante de sua campanha.

Resta saber se conseguirá.

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Um comentário:

Jbmartins-Contra o Golpe disse...

O Candidato Mercadante deve ir a publico pedir para deixar como estar e quando eleito governador SP resolverar o problema, por que fazer isto faltando 5 meses de mandato de um desgoverno PZDB, mais O Video la na escola, aqui http://www.youtube.com/watch?v=VcAHF0gEhpw&feature=player_embedded, não é nada, são apenas crianças vendo o vampiro pela frente, e para exorciza-lo cantam Lula, mais olhem o que publica o PIG, sob o ocorrido, ohhhhh Boris, isto é uma vergonha! aqui
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,serra-visita-escola-em-favela-inaugurada-em-seu-governo,589970,0.htm