18 de set de 2012

E AGORA, PETRALHAS?



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O que tinha que ser feito, Lula fez ao apontar o rumo que o Brasil precisava.

E como precisava ... durante séculos as gentes foram jogadas nas periferias, amontoadas em “condomínios BNH”, quilômetros de distância do local de trabalho, perdendo duas, três, quatro horas só de deslocamento para ir servir os patrões em ônibus abarrotados de outros, igualmente, pobres. Quando tinham emprego, é claro.

Nós não éramos os degenerados, por mais que nos quisessem fazer crer. Os degenerados eram os que mandavam no país, pela força do capital e da influência política. Os amigos do Rei. O Rei, era Tio Sam.

Qualquer livro de História do Brasil comprova que eram sempre os mesmos donos, os ricos, brancos e limpos (e cheirosos). Nós, negros e sujos.

(Preciso confessar que sempre fui classe média, branco e limpo, até descobrir ser negro e sujo! Isso lá pelos anos 70. Mas não vem ao caso).

De repente, de um galpão de metalúrgica surgiu um torneiro-mecânico sem dedo e sem estudo, negro e sujo: o diabo é que ele falava bem, apesar dos erros de português; pegava o microfone e, de cima do caminhão de som, começava a dizer coisas com aquela voz rouca, olhava nos olhos, chegava bem dentro de nós com as palavras incultas que dizia! Cara bom ... o Luis.

Nós o elegemos Presidente da República, para aterrorizar os brancos e limpos! Eles, os de sempre, acharam que nunca daria certo, que o cara faria uma merda sobre a outra ... deixaram! E se arrependeram ainda em 2005. Mas tinham o plano da desmoralização: colar nas costas de Luis o cartaz: CORRUPTO. E pronto. Voltaria tudo ao normal.

A mídia, velha e com os mesmos leitores de sempre, se engajou até o pescoço na tarefa de derrotar Luis e todos nós. Tanto, que a oposição sentou em cima do escândalo chamado “mensalão”. Acharam que era assim que se faziam as coisas.

Esqueceram de nós. Negros e sujos passaram a ter acesso ao supermercado; filhos, à escola e, até, Universidade. Compramos carro financiado em trocentos e dez meses, mas era nosso carro, da cor que sempre sonhamos. Comprei yogurte e viajei pro nordeste, de férias. Primeira vez na vida que tomei um avião ... me caguei de medo mas fui. Vi na fila do embarque tantos outros negros e sujos como eu que me senti aliviado. Se eu morrer, dane-se!

O grupo de poder que se instalou em 1500 viu-se constrangido de ter que dividir seu espaço. Culpa do apedeuta, que não conseguiram derrubar. E que se reelegeu. E que elegeu seu poste. E que seu poste se reelegerá!

O que passa pela cabeça dessas lideranças coronelistas demo-tucanas que esqueceu da massa? A mesma massa que aprova Luis, dois anos depois do fim do mandato, em mais de 85% ... Como é que alguém que foi incluído no mercado de trabalho aceita, quieto, a “desinclusão”??? Somos todos ignorantes, sem dedo, negros e sujos!

Eu não sou negro e sujo. Sou mais. Sou fedido!

Sou a mulher com o rosto roxo de tanto apanhar que vai prestar queixa na delegacia da mulher; o cara que sai com uma LCD nas costas das Casas Bahia e subo no telhado prá ajeitar a antena. Sou quem vai colocar insufilm no carro zero; 

sou PETRALHA e tenho um orgulho danado de ter sido rotulado assim!

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Editorial da folha* de hoje pede mais iniciativa privada e quer que o BNDES não escolha mais os setores ou empresa que vai subsidiar. Chegou a hora de avançar com incentivo ao mercado de capitais.

Traduzindo: pô, vou ficar sem? Esqueçam o bolsa-familia e o empréstimo à microempresa a juros baixos! Prá quê criar empregos, prá ter que dividir poltrona de avião e ruas engarrafadas comigo? Chega!

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O que o STF está promovendo, no curso do julgamento do “mensalão” nada mais é que a resposta que parcela da sociedade, os mesmos, nos dão depois de terem engolido o crescimento com distribuição de renda: o retrocesso político!

Mas não pensaram na nossa astúcia como, aliás, não pensaram antes: não nos deixaremos enganar e vamos resistir.

AGORA, PETRALHAS, É CONOSCO!

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Deixo um agradecimento especial ao meu amigo Antonio Borges, negro e sujo, por ter me aberto os olhos!
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* Este blogueiro recusa-se a grafar os nomes dos jornais folha, globo e estadão, e da revista veja, com as inicias maiúsculas.
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