27 de jul de 2010

ESTRATÉGIA (TUCANA) DO TERROR.

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A esperança da oposição, neste final de julho, era chegar ao início de agosto com alguma vantagem nas pesquisas. Não conseguiram. Tudo indica, ao analisar o discurso do candidato Serra e de seu vice, Da Costa, que será reeditada a estratégia do terror de 2002.

O alvo é a parcela mais conservadora da sociedade brasileira; aqueles indivíduos que ainda temem o Partido dos Trabalhadores, os comedores de criancinhas e os comunistas. Pode parecer incrivel, nos dias de hoje, mas existem muitas pessoas que pensam desta forma.

A campanha da direita começou a identificar este tipo de eleitor e descobriu que uma boa parcela começa a aderir a Dilma Rousseff. O medo da oposição é perder estes votos, então partiram para o ataque.

Não é à toa que Serra citou, mais de uma vez, o MST – Movimento dos Sem Terra e o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Estes simbolos da esquerda apavoram o eleitor conservador, e Serra está tentanto amedrontar as pessoas com esta mensagem subliminar.

As palavras de Serra não soam muito agressivas, pois o limite entre a verdade e a mentira é tênue; Da Costa, o vice, por ser uma figura totalmente inexpressiva, foi incumbido de dar os golpes mais fortes na candidata da situação, porisso a menção às FARC e ao narcotráfico. Aliás, menção que irá lhe custar um processo, de tão fantasioso que é.

Foi assim quando a atriz Regina Duarte, simpatizante de Serra, foi à TV em 2002 dizer que tinha medo. Medo dos comedores de criancinhas, dos comunistas. Está se desenhando outra vez a mesma história.

Entretanto, ao se utilizar de um discurso terrorista, a direita corre o sério risco de despencar ainda mais nas sondagens de opinião. Passados oito anos de governo petista, com o operário Lula comandando a nação e trazendo crescimento com distribuição de renda, deverá ser dificil fazer acreditar que o país se transformará numa Cuba. O eleitor brasileiro, hoje, muito mais ligado aos acontecimentos, sabe da responsabilidade que Lula assumiu ao indicar sua candidata favorita. O risco de uma virada de mesa num próximo governo do PT é nulo.

Em 17 de agosto, Lula abrirá o programa do PT na televisão, como apresentador da candidata Dilma Rousseff. Com uma aprovação popular estratosférica, pedirá votos para seu partido. A continuar neste ritmo, Dilma estará consolidada na liderança da corrida, restando à oposição nada mais que atacar e meter medo. Não funcionou em 2002. Nem funcionará agora.

Como já disse neste blog outras vezes, é uma pena para a democracia termos uma oposição tão pifia, tão sem discurso e tão repleta de amadores.

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Muito se falou, nesta semana, sobre este ou aquele candidato participar, ou não, de debates. A oposição – e boa parcela do jornalismo corporativo – vem insistindo na realização de debates entre os candidatos para que o eleitor possa criar seu juizo à respeito de cada um.

Sabe-se que o debate ao vivo, seja pela TV, rádio ou internet, não dá votos a nenhum candidato. Não há vencedores; os simpatizantes de cada candidato sempre afirmam que seu preferido foi melhor. Historicamente, desde o debate entre Kennedy e Nixon, em 1960, as assessorias de cada partido preparam seu candidato para uma exibição teatral. Sorrisos, olhares para a câmera certa, timbre de voz, figurino de acôrdo ao cenário. Tudo é planejado, porisso não há grandes conquistas ou perdas de voto no debate.

O que há – e aí é que está a insistência da midia – é uma grande cobertura para o debate; indices de audiências que aumentam, cenas de bastidores, da chegada do candidato, dos assessores, entrevistas com os marqueteiros, enfim, a repercussão dada pela imprensa é que faz valer o debate.

Como se sabe, a edição de um debate ao vivo, no telejornal do dia seguinte, pode dar ou tirar votos. Como aconteceu em 1989, entre Collor e Lula, na famosa edição maldosa da Globo que elegeu Collor.

Mas nem isso será mais possivel, porque os candidatos sabem exatamente o quê falar, com quem, em que tom, olhando para quem. Isso já não funciona. Para desespero da midia golpista.

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